Greve dos rodoviários em São Luís paralisa 100% da frota e deixa 700 mil passageiros sem ônibus

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A greve dos rodoviários em São Luís chegou ao segundo dia consecutivo sem que qualquer ônibus fosse visto nas ruas da capital maranhense, apesar de decisão judicial que exigia a circulação de 80% da frota. A paralisação total atingiu mais de 700 mil passageiros neste sábado, 31, multiplicando transtornos, custos inesperados e incertezas sobre quando o sistema voltará a operar.
- Impacto imediato da greve dos rodoviários em São Luís na circulação de ônibus
- Entenda as reivindicações que motivam a greve dos rodoviários em São Luís
- Decisões judiciais e penalidades previstas para a greve dos rodoviários em São Luís
- Histórico de paralisações evidencia crise crônica no transporte público
- Consequências para usuários e alternativas emergenciais durante a paralisação
- Próximos passos e expectativa para a retomada do serviço
Impacto imediato da greve dos rodoviários em São Luís na circulação de ônibus
Desde as primeiras horas da manhã, os pontos de ônibus espalhados pela capital apresentaram um cenário incomum: plataformas vazias ou compostas apenas por passageiros buscando alternativas de locomoção. A inexistência de veículos contrastou com a liminar expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a manutenção de 80% da frota em circulação. A ordem judicial não se materializou nas ruas, e o serviço ficou completamente paralisado. Como consequência, centenas de trabalhadores relataram dificuldades para cumprir jornada, enquanto estudantes, profissionais de saúde e outras categorias dependentes do transporte público tiveram de reorganizar rotinas à base de vans, carros por aplicativo e caronas solidárias.
O impacto logístico também se estendeu às linhas semiurbanas que interligam municípios da Grande São Luís. A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), responsável por esse segmento, classificou como “estranha” a ausência de ônibus nessa operação específica, já que o pagamento de subsídios estaduais, segundo informou, está em dia.
Entenda as reivindicações que motivam a greve dos rodoviários em São Luís
A paralisação foi deflagrada após a falta de acordo entre o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET). O principal ponto da pauta trabalhista é o reajuste salarial. A categoria reivindica aumento de 15%, tíquete-alimentação de R$ 1.500 e a inclusão de mais um dependente no plano de saúde. Os representantes patronais, segundo o presidente da entidade laboral, apresentaram contraproposta de 12% de reajuste e solicitaram tempo para avaliar sua viabilidade financeira.
Além da correção salarial, os trabalhadores denunciam atrasos recorrentes no pagamento de salários e benefícios. O caso da Expresso Rede França, antiga 1001, ilustra essa queixa: em menos de três meses, funcionários da empresa promoveram três paralisações específicas, todas por falta de remuneração em dia. Esse histórico fortalece a narrativa sindical de que a situação atingiu limite considerado insustentável.
Decisões judiciais e penalidades previstas para a greve dos rodoviários em São Luís
Durante audiência de mediação realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho, o desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho deferiu liminar obrigando a circulação de 80% da frota até que as partes cheguem a consenso definitivo. O documento prevê multa diária de até R$ 70 mil ao sindicato laboral em caso de descumprimento, além da possibilidade de bloqueio de recursos da entidade.
Apesar da ordem, a frota permaneceu 100% parada. O TRT marcou nova audiência para a próxima terça-feira, 4, às 9h, mantendo abertos os canais de negociação. Até lá, permanece o risco de intensificação das penalidades. A Prefeitura, que afirma estar em dia com o repasse de subsídios previstos em contrato, acompanha a situação ao lado da MOB, que exige maior transparência nos custos operacionais informados pelas empresas.
Histórico de paralisações evidencia crise crônica no transporte público
A atual greve dos rodoviários em São Luís não é um evento isolado. Segundo o sindicato da categoria, pelo menos sete paralisações gerais ocorreram nos últimos anos, retratando uma crise estrutural no sistema de transporte da capital maranhense. Os fatores apontados para a reincidência incluem, de um lado, congelamento de tarifas desde 2023 — argumento central dos empresários para justificar estrangulamento de caixa — e, de outro, reivindicações trabalhistas não atendidas ou atendidas parcialmente.
A recorrência de conflitos repercute diretamente na percepção de confiabilidade do serviço. Para os trabalhadores, a ausência de reajustes compatíveis e os atrasos reiterados geram insegurança financeira. Já para o poder público, a necessidade de subsídios cada vez maiores pressiona o orçamento municipal e estadual, exigindo planejamento que equilibre intereses de empresas e usuários.
Consequências para usuários e alternativas emergenciais durante a paralisação
A interrupção total da frota obrigou passageiros a recorrer a rotas improvisadas que, em média, encarecem o deslocamento. Services de transporte por aplicativo registraram alta demanda em pontos estratégicos, como o Anel Viário, elevando tempos de espera e valores das corridas. Vans e carros particulares surgiram como solução temporária, mas sem padronização de preço ou garantia de frequência, o que ampliou a sensação de incerteza entre trabalhadores.
Relatos de usuários apontam gastos extras significativos. Uma passageira classificou a situação como “falta de respeito”, ecoando o sentimento geral de frustração diante de um serviço essencial indisponível. As empresas privadas de transporte individual, por sua vez, capitalizaram a demanda extraordinária, mas não absorveram toda a população afetada, deixando muitos sem opção viável.
Próximos passos e expectativa para a retomada do serviço
A próxima audiência de conciliação, agendada para terça-feira, 4, representa o principal ponto de inflexão na disputa. Caso sindicato e empresas avancem rumo a um percentual de reajuste aceitável, existe a possibilidade de saída negociada do impasse. Em paralelo, o TRT deverá avaliar o cumprimento — ou a ausência dele — da liminar que estipulou 80% da frota em funcionamento, o que poderá resultar na execução das multas diárias anunciadas.
Até o encontro judicial, não há previsão oficial de retorno dos ônibus às ruas. A greve dos rodoviários em São Luís permanece, portanto, como fator de incerteza para a mobilidade urbana de mais de 700 mil pessoas e continua a expor, de forma contundente, o desafio de equilibrar interesses trabalhistas, viabilidade econômica das empresas e eficácia do transporte público na capital maranhense.

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