Golpe em Ribeirão Preto: investigação contra sócio de banco digital expõe prejuízos de meio milhão

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Golpe em Ribeirão Preto tornou-se o centro de uma apuração conduzida pela Polícia Civil depois que correntistas do Tresory Bank alegaram ter perdido altas somas investidas no banco digital. O principal alvo da investigação é o empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro, identificado como um dos sócios da instituição. Segundo as denúncias, clientes ficaram sem acesso ao capital aplicado e, em alguns casos, acumulam prejuízos próximos de R$ 500 mil.
- Como começou o suposto golpe em Ribeirão Preto
- Estrutura do Tresory Bank e promessas aos clientes
- Depoimentos das vítimas e extensão do golpe em Ribeirão Preto
- Tática de convencimento: da amizade à promessa de desbloquear 32 bilhões para o Vaticano
- Desdobramentos policiais e judiciais do golpe em Ribeirão Preto
- O que se sabe sobre Eduardo Scatambulo Ribeiro e o futuro das apurações
Como começou o suposto golpe em Ribeirão Preto
A Polícia Civil iniciu as diligências após receber queixas formais de investidores que utilizaram o Tresory Bank, fintech sediada em Ribeirão Preto (SP) e voltada, de acordo com material promocional, a empreendedores em busca de menos burocracia bancária. As primeiras denúncias partiram ainda em 2023, quando alguns clientes perceberam atrasos na rentabilidade prometida e, em seguida, perda total de contato com representantes da empresa. Os relatos indicam que, na fase inicial, as operações ocorriam normalmente, o que facilitou a adesão de novos investidores convencidos pelo desempenho aparentemente estável da plataforma.
O caso se intensificou quando, já em 2024, vítimas passaram a registrar boletins de ocorrência apontando impossibilidade de resgatar valores e falta de comunicação com o empresário. As suspeitas de estelionato ganharam força porque, paralelamente ao desaparecimento dos recursos, o Tresory Bank mantinha, em redes sociais, discurso de expansão e prêmios conquistados, reforçando a imagem de solidez.
Estrutura do Tresory Bank e promessas aos clientes
Fundado com a proposta de ser um banco digital de nicho, o Tresory Bank destacava-se pelo apelo a pequenas e médias empresas interessadas em linhas de crédito ágeis. Materiais de divulgação apontavam sede em Ribeirão Preto e endereço corporativo em um edifício no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo. Em 2023, a fintech recebeu um prêmio regional na categoria Revelação Banco Digital, fator que, segundo as vítimas, contribuiu para elevar a confiança do público.
Os contratos ofereciam rentabilidade mensal em torno de 2 %, índice superior ao praticado por instituições tradicionais. Para investidores pessoa física, havia ainda a promessa de liquidez diária em aplicações como CDBs. A simplicidade aparente do processo, somada ao marketing ativo nas redes sociais, atraiu correntistas dispostos a aplicar quantias que variavam de dezenas a centenas de milhares de reais.
Depoimentos das vítimas e extensão do golpe em Ribeirão Preto
Um empresário que prefere não ser identificado relatou ter investido R$ 250 mil em 2023, motivado pela garantia de retorno fixo. Ele confirmou que somente nos dois primeiros meses recebeu a rentabilidade divulgada. Os rendimentos iniciais foram reinvestidos em sua própria empresa, levando-o a contratar funcionários. Com a suspensão dos pagamentos, precisou demitir a nova equipe, amargando prejuízos financeiros e trabalhistas.
O bancário Nicolas Simonacci e a administradora Mariana Santini, casal que conhecia o empresário desde a infância, afirmam ter aportado aproximadamente R$ 500 mil até o fim de 2025. Os pagamentos começaram a sofrer atrasos, mas o ponto de ruptura ocorreu quando Mariana solicitou resgate de R$ 10 mil de um CDB com liquidez diária e o valor não foi creditado. Ambos sustentam que a proximidade pessoal com Scatambulo foi decisiva para depositar a confiança que resultou na aplicação de recursos significativos.
Embora não se tenha número oficial de lesados, os depoimentos sugerem que outras pessoas físicas e jurídicas também foram afetadas. Os contratos analisados pelas vítimas listam como endereço residencial do empresário uma casa em condomínio de luxo em Ribeirão Preto, informação que agora integra o inquérito.
Tática de convencimento: da amizade à promessa de desbloquear 32 bilhões para o Vaticano
As narrativas das vítimas revelam estratégia de persuasão calcada na exibição de oportunidades exclusivas. Simonacci contou que Scatambulo citava negociações internacionais, incluindo suposto serviço de desbloqueio de doações em criptomoedas destinadas ao Vaticano. De acordo com ele, o empresário afirmou ter destravado 32 bilhões em criptomoedas e, como recompensa, recebido comissão de 103 milhões de euros.
Documentos apresentados pelos investidores à polícia incluem extrato bancário atribuído a uma conta do suspeito em banco suíço, mostrando saldo de 103 milhões de euros. Segundo os denunciantes, versões semelhantes circularam entre clientes, porém com variações de valores, sugerindo tentativa de impressionar diferentes públicos. Até o momento, os investigadores não confirmaram a autenticidade dos extratos.
Desdobramentos policiais e judiciais do golpe em Ribeirão Preto
O inquérito conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto reúne boletins de ocorrência, contratos e conversas eletrônicas fornecidos pelos investidores. A tipificação preliminar é estelionato, mas outras infrações podem ser incluídas conforme avanço das oitivas. Além da esfera criminal, as vítimas ingressaram com ações cíveis para tentar bloqueio de bens e ressarcimento.
Procedimentos judiciais miram patrimônio declarado do empresário, como o imóvel em condomínio fechado e eventuais contas no exterior. Contudo, advogados dos investidores reconhecem que rastrear recursos quando há suspeita de envio para fora do país exige cooperação internacional, medida que depende de autorização judicial e canais de assistência jurídica estrangeira.
Até a elaboração deste artigo, a defesa de Eduardo Scatambulo Ribeiro não foi localizada para apresentar posicionamento. A legislação brasileira assegura amplo direito de defesa, e a investigação segue em sigilo parcial para preservação de dados financeiros.
O que se sabe sobre Eduardo Scatambulo Ribeiro e o futuro das apurações
Conhecido no meio empresarial local, Ribeiro acumulou experiência em tecnologia financeira antes de ingressar na sociedade do Tresory Bank. Documentos de registro indicam sua participação no quadro societário da fintech durante o período em que ela recebeu o prêmio regional. A imagem de empreendedor inovador alimentou a confiança de correntistas e de pessoas de seu círculo social, cenário que, na visão das vítimas, facilitou a captação de investimentos.
Com o prosseguimento das investigações, a polícia busca determinar se houve dolo desde o início das operações da fintech ou se o empreendimento enfrentou problemas de liquidez que precipitaram a quebra de compromissos. Caso fique comprovada a intenção deliberada de enganar, Ribeiro poderá responder por estelionato qualificado, crime cuja pena varia de um a cinco anos de reclusão, podendo aumentar devido ao montante envolvido e ao número de ofendidos.
Além da responsabilização penal, as ações na esfera cível tentam assegurar que eventuais ativos identificados sejam direcionados ao ressarcimento das perdas. Os investidores também pleiteiam reconhecimento de danos morais, alegando abalo psicológico e impactos profissionais decorrentes da falta de acesso aos valores aplicados.
Os próximos passos oficiais incluem análise pericial de extratos bancários, rastreamento de transferências internacionais e identificação de outros possíveis envolvidos. Caso haja indícios de participação de terceiros, o rol de investigados pode ser ampliado.
Até o momento, não há previsão de data para conclusão do inquérito, mas a Polícia Civil informou que prioriza a coleta de provas documentais e depoimentos para subsidiar eventual denúncia ao Ministério Público.
A expectativa das vítimas concentra-se em duas frentes: reaver o capital investido e garantir que eventuais crimes não fiquem impunes. Esse duplo objetivo sustenta as queixas formais e as ações judiciais, que devem ganhar novos capítulos à medida que o conteúdo das contas bancárias e dos contratos seja periciado.
A investigação segue em curso, e o caso permanece aberto enquanto autoridades analisam indícios financeiros e jurídicos vinculados ao golpe em Ribeirão Preto.

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