Galinho de Brasília celebra 34 anos unindo frevo pernambucano e paixão pelo futebol no Carnaval 2026

Galinho de Brasília celebra 34 anos unindo frevo pernambucano e paixão pelo futebol no Carnaval 2026
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O Galinho de Brasília, bloco fundado por pernambucanos residentes no Distrito Federal, saiu às ruas em 16 de fevereiro de 2026 para manter viva a tradição do frevo e, nesta edição, reacender a antiga paixão nacional pelo futebol. Com o enredo “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”, o cortejo marcou a prévia carnavalesca da capital federal e renovou uma trajetória que já soma 34 anos de festa, cultura popular e memória afetiva para milhares de foliões.

Índice

A construção histórica do Galinho de Brasília

O bloco surgiu em 1992, período em que o confisco das poupanças restringiu a viagem de muitos nordestinos ao Recife. Para esses migrantes, o vazio de não participar do lendário Galo da Madrugada motivou a criação de um núcleo similar na capital do país. O primeiro desfile ocorreu em meio a um cenário econômico adverso, mas o sentimento coletivo foi tão forte que, logo após o Carnaval, os brincantes formalizaram o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina (GREN) Galinho de Brasília. O objetivo declarado era preservar e difundir as manifestações culturais do Nordeste no Planalto Central.

Desde então, cada ano acrescentou novos capítulos à história do grupo. Houve edições que ultrapassaram 100 mil participantes, consolidando o bloco como um dos principais atrativos do Carnaval brasiliense. A longevidade de 34 anos demonstra não apenas resistência cultural, mas também a adaptação constante a mudanças de público, de políticas públicas e de formatos de celebração.

Galinho de Brasília 2026: frevo pernambucano encontra o clima de Copa

Para 2026, ano em que a Seleção Brasileira disputará mais um Mundial, a diretoria escolheu alinhar o repertório de frevo à simbologia do futebol. O slogan “Frevando rumo ao Hexa” ecoou entre foliões vestidos de verde-amarelo e fantasias inspiradas em camisas históricas do Brasil. Segundo o diretor administrativo Sérgio Brasiel, a proposta visa “trazer de volta a paixão antiga que o brasileiro tem pelo futebol”, mantendo, ao mesmo tempo, a essência do Carnaval de Pernambuco. A ideia foi concretizada em tempo recorde: a equipe contou com apenas 15 dias para cumprir trâmites burocráticos que, em circunstâncias ideais, exigiriam trimestre completo de planejamento.

O resultado prático chegou aos ouvidos do público por meio de duas formações musicais: a Orquestra Marafreboi, regida pelo maestro Fabiano Medeiros, e a Orquestra do Galinho, sob a batuta do maestro Ronald Albuquerque. A escolha de dois regentes reforçou a complexidade do frevo, ritmo que, como destaca a servidora pública pernambucana Damísia Lima, “exige naipes de metal ricos em contratempos” e músicos experientes para dar conta da variação rítmica.

Frevo: identidade, instrumentos e orgulho pernambucano

Originário das ruas do Recife e de Olinda, o frevo tem subdivisões que vão do frevo-de-rua instrumental ao frevo-canção cantado. Em Brasília, a execução ficou a cargo de trompetes, trombones, saxofones, tubas, clarinetes, taróis e surdos, instrumentos indispensáveis para reproduzir a sonoridade vibrante do gênero. A pernambucana Damísia Lima, moradora da capital federal há 21 anos, descreveu o bloco como “refúgio” para manter o sotaque e o vínculo emocional com a terra natal. Ela não perde uma edição do Galinho, pois o evento lhe permite atravessar o ano afastada de Recife sem abrir mão da cultura de origem.

No desfile de 2026, o frevo funcionou também como ponte entre gerações. Folhões mais antigos exibiam camisetas de edições passadas, como a professora Célia Varejão, que vestia o modelo de 1995 enquanto empunhava a bandeira de Olinda. Ao lado dela, curiosos e turistas descobriram nuances do ritmo, aprendendo passos curtos e rápidos que caracterizam a dança frevo-passo.

Organização, logística e desafios estruturais do Galinho de Brasília

Manter um cortejo de grandes dimensões envolve questões de segurança pública, interdições viárias e licenças de órgãos distritais. Conforme explicou Sérgio Brasiel, o processo burocrático apertou o cronograma e obrigou a equipe a executar tarefas operacionais, contratação de palcos, sanitários químicos e reforço policial em menos de três semanas. Apesar da pressão, a administração relatou êxito na montagem de um evento que prioriza a experiência do folião e a preservação da tradição.

Ao longo dos anos, a infraestrutura do bloco evoluiu. O engenheiro Alex França, natural de Caruaru, recorda etapas com menos policiamento e estrutura mais simples. Em 2026, ele notou ampliação do efetivo de segurança e uma organização mais visível, fatores que, segundo ele, encorajam frequentadores a retornar e levar familiares.

A percepção dos foliões sobre segurança e caráter familiar

O servidor público Benedito Cruz Gomes, folião há três décadas, compareceu fantasiado de Chapolin Colorado misturado a He-Man, acompanhado da esposa e das duas filhas. Para ele, Carnaval é “coisa de família” e o Galinho corrobora essa visão por oferecer ambiente livre para brincadeiras infantis. Essa mesma tranquilidade atraiu o produtor de café Guilherme Fontes, que viajou de Viçosa, Minas Gerais, especificamente para rever amigos e participar da festa sem preocupação com tumultos.

Comparações com o Galo da Madrugada, em Recife, são inevitáveis. A professora Célia Varejão critica os preços dos ingressos em estádios de futebol e valoriza eventos populares de acesso livre, enquanto Damísia Lima observa que o menor contingente humano em Brasília lhe permite desfrutar mais da celebração, cansando menos e permanecendo mais tempo no bloco.

Futuro imediato: expectativa para o próximo desfile do Galinho de Brasília

Encerrado o cortejo de 2026, a diretoria volta-se à preparação da edição seguinte. Ainda não há tema oficial anunciado, mas a tradição indica que o Galinho de Brasília continuará associando elementos da cultura nordestina a pautas de alcance nacional. Para os foliões, a próxima data relevante é o Carnaval de 2027, quando o bloco completará 35 anos, marco que deve reforçar o compromisso de preservar o frevo e celebrar a diversidade cultural no coração do país.

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