Gabriel Leone Hamlet transforma cinema abandonado do Copan em palco de tragédia shakespeareana

Gabriel Leone Hamlet transforma cinema abandonado do Copan em palco de tragédia shakespeareana
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O ator Gabriel Leone Hamlet retorna aos palcos em “Hamlet, Sonhos que Virão”, espetáculo que inaugura, de maneira provisória, a reabertura do Cine Copan, no centro de São Paulo, a partir de 19 de fevereiro. A produção utiliza as ruínas do antigo cinema, fechado desde o início dos anos 2000, como cenário para revisitar o clássico de William Shakespeare, com direção de Rafael Gomes e temporada prevista até 19 de abril.

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Gabriel Leone Hamlet: da tragédia em séries e filmes ao reencontro com o teatro

Conhecido do grande público por papéis televisivos em novelas como “Verdades Secretas” e por participações em produções da Netflix, Gabriel Leone Hamlet tem cultivado uma trajetória marcada por personagens que flertam com a fatalidade. Entre suas passagens recentes pelo audiovisual, destacam-se a colaboração com o cineasta norte-americano Michael Mann, na qual interpretou um piloto envolvido em um grave acidente, a encarnação de Ayrton Senna em minissérie que aborda a morte do tricampeão de Fórmula 1, e o mercenário abatido no longa “O Agente Secreto”, lançado em 2025. Depois de oito anos concentrado em sets de filmagem, o artista retoma o espaço cênico que o lançou profissionalmente, interessado em explorar ao vivo a instabilidade psicológica do príncipe dinamarquês.

Gabriel Leone Hamlet: o palco inusitado do Cine Copan

Erguido nos anos 1960 dentro do edifício projetado por Oscar Niemeyer, o Cine Copan foi transformado em igreja nas primeiras décadas do século XXI e, desde então, permaneceu fechado. Embora haja um plano de reforma estrutural voltado à reabertura definitiva em 2027, “Hamlet, Sonhos que Virão” antecipa o retorno do espaço ao circuito cultural por meio de parceria que envolve o banco digital Nubank e a organização Viva do Brasil. A montagem de Gomes se apropria das rachaduras, colunas expostas e poltronas ausentes como parte integrante da narrativa, comparando o edifício em ruínas ao reino corroído que Hamlet herda.

Para garantir a interação dramática com a arquitetura, plataformas móveis sobre trilhos foram instaladas, permitindo que os intérpretes atravessem diferentes níveis do antigo auditório. A cenografia, portanto, substitui o tradicional palco italiano por um tabuleiro em constante mutação, no qual a proximidade entre plateia e atores reduz qualquer barreira física ou simbólica.

Gabriel Leone Hamlet: direção de Rafael Gomes e a universalidade do texto

O encenador Rafael Gomes, reconhecido por releituras contemporâneas de clássicos em que a arquitetura ganha função dramatúrgica, concebeu o Cine Copan como um palácio decadente. Para ele, o abandono do local ecoa conflitos de um príncipe incapaz de conciliar luto, vingança e consciência pública. Embora a equipe seja integralmente brasileira, Gomes aponta que o objetivo não é estilizar a peça com traços regionais explícitos, mas ressaltar temas universais — ambição, corrupção, desejo e loucura — que atravessam séculos e fronteiras.

A tradução utilizada combina versões de Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harington, reforçando o compromisso de manter a essência elisabetana em língua portuguesa atualizada. Dessa forma, palavras arcaicas cedem lugar a expressões mais próximas da fala contemporânea, sem comprometer a cadência poética do original.

Gabriel Leone Hamlet: elenco, recursos visuais e construção de personagem

Além de Gabriel Leone Hamlet no papel-título, o elenco reúne nomes de gerações distintas. Susana Ribeiro e Eucir de Souza compõem a corte fictícia, enquanto Samya Pascotto encarna Ofélia, símbolo do choque entre paixão e imposições familiares. A convivência entre intérpretes experientes e emergentes foi pensada para evidenciar tensões sociais tratadas na dramaturgia de Shakespeare.

No campo estético, figurinos assinados pelo estilista Alexandre Herchcovitch conjugam elementos clássicos e detalhes pop, como lantejoulas prateadas que refletem a iluminação soturna do espaço. A maquiagem, que utiliza tinta vermelha ao redor dos olhos de Hamlet em momentos de desvario, reforça visualmente a transição entre o “corpo neutro” e o “corpo performático” descritos por Leone. Esse recurso físico evidencia o mergulho na loucura, estado que contamina decisões e desafia a razão do protagonista.

Segundo a equipe criativa, monólogos intensos serão proferidos a poucos metros dos espectadores. A horizontalidade do dispositivo cênico elimina a hierarquia frontal típica do palco, estimulando uma recepção mais direta. A proposta é que, quando Hamlet dirigir acusações à corte, o público sinta-se igualmente convocado a refletir sobre moralidade, poder e responsabilidade.

Gabriel Leone Hamlet: reflexões sobre cultura, tecnologia e preservação

A escolha de um cinema abandonado para sediar a tragédia alude à transformação do consumo cultural na era do streaming. A ascensão de plataformas digitais reduziu a frequência em salas de exibição e alterou hábitos sociais ligados ao encontro físico com a arte. Para Gomes, essas mudanças dialogam com a sensação de deslocamento vivida por Hamlet, personagem que busca referências sólidas em meio a um mundo fragmentado.

Ao mesmo tempo, o projeto denuncia o risco de espaços históricos sucumbirem à obsolescência quando a lógica de mercado dita a relevância de cada equipamento cultural. A reativação temporária do Cine Copan, ainda que dependente de patrocínio privado, sugere caminhos de ocupação que valorizam a memória arquitetônica enquanto se aposta em linguagem cênica atualizada.

Gabriel Leone Hamlet: cronograma, ingressos e classificação

“Hamlet, Sonhos que Virão” estreia em 19 de fevereiro e permanece em cartaz até 19 de abril, sempre no Nu Cine Copan, localizado na Avenida Ipiranga, 200, região central da capital paulista. As sessões ocorrem às quartas-feiras, às 20h; quintas, às 20h30; sextas e domingos, às 17h; e sábados, às 16h e 20h. Os ingressos variam de R$ 50 a R$ 250, de acordo com o setor escolhido, e a classificação etária é de 14 anos.

Com essas informações, o público tem um panorama completo sobre o retorno de Gabriel Leone ao teatro, a proposta da encenação de Rafael Gomes e o contexto singular que transforma o Cine Copan em palco para o drama atemporal de Shakespeare.

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