Fungo zumbi brasileiro Purpureocillium atlanticum é destaque global e revela novos caminhos para a ciência

Fungo zumbi brasileiro Purpureocillium atlanticum é destaque global e revela novos caminhos para a ciência
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Fungo zumbi brasileiro ganhou novo significado após uma expedição científica na Mata Atlântica, em Nova Friburgo (RJ), identificar o Purpureocillium atlanticum, organismo que infecta e mata aranhas de alçapão e já figura entre as dez espécies mais relevantes descritas em 2025 pelo tradicional Kew Gardens, no Reino Unido. A descoberta, conduzida por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, empregou sequenciamento genético em campo e amplia o entendimento sobre microrganismos que dominam seus hospedeiros.

Índice

Fungo zumbi brasileiro: o que é o Purpureocillium atlanticum?

O Purpureocillium atlanticum pertence a um grupo popularmente chamado de “fungos zumbis”, assim conhecidos por invadir organismos vivos, se multiplicar internamente e levar o hospedeiro à morte. De coloração arroxeada, a nova espécie recebeu o epíteto “atlanticum” em referência ao bioma da Mata Atlântica, onde foi catalogada. A análise morfológica e genética mostrou que o microrganismo é parente próximo do Purpureocillium atypicola, espécie já registrada no Japão, Estados Unidos e Tailândia. Testes laboratoriais confirmaram, ainda, que a linhagem brasileira é distinta o bastante para ser tratada como uma nova espécie dentro de um complexo maior anteriormente atribuído ao P. atypicola.

Onde o fungo zumbi brasileiro foi encontrado e por que a Mata Atlântica é relevante

A coleta do fungo zumbi brasileiro ocorreu em Nova Friburgo, município da Região Serrana do Rio de Janeiro, durante uma expedição voltada a mapear a biodiversidade fúngica da Mata Atlântica. Esse bioma, um dos mais ricos do planeta, mas também fortemente ameaçado, abriga inúmeras espécies endêmicas e parcialmente desconhecidas. A escolha da área reflorestada e de mata densa permitiu que os pesquisadores observassem, no solo úmido, o corpo de frutificação do microrganismo – estrutura reprodutiva erguida para liberar esporos. Ao escavar suavemente o entorno, a equipe encontrou a aranha hospedeira já morta, revelando a origem subterrânea do fungo.

Como o Purpureocillium atlanticum infecta as aranhas de alçapão

As vítimas do Purpureocillium atlanticum são aranhas de alçapão, conhecidas por cavar túneis no subsolo e construir tampas camufladas que funcionam como armadilhas para insetos incautos. Os esporos do fungo conseguem atravessar o exoesqueleto da aranha e atingir a hemolinfa, fluido que exerce funções semelhantes às do sangue em artrópodes. Uma vez no interior do corpo, o microrganismo se replica rapidamente, neutraliza o sistema imunológico do hospedeiro e, gradativamente, substitui tecidos vitais. Quando a aranha morre, o fungo utiliza seus nutrientes restantes para formar seu corpo de frutificação, que emerge à superfície e libera novos esporos no ambiente.

Tecnologia de sequenciamento reforça a pesquisa de fungos zumbi brasileiros

Um dos diferenciais do estudo foi a adoção do sequenciador portátil Oxford Nanopore, capaz de analisar DNA em tempo real, ainda no campo. Ao processar o material biológico recém-coletado, os cientistas maximizaram a qualidade das informações genéticas, evitando degradação de amostras que ocorre durante longos transportes. Esse recurso permitiu confirmar a singularidade do fungo zumbi brasileiro antes mesmo de retornar ao laboratório, acelerando a formalização da descrição taxonômica. A rapidez na geração de dados genômicos também favorece comparações com bancos de sequências já existentes, contribuindo para delinear relações evolutivas entre espécies.

Fungo zumbi brasileiro e sua relação com o popular Cordyceps

Na cultura pop, os fungos zumbis se tornaram tema central da franquia “The Last of Us”, onde uma espécie fictícia do gênero Cordyceps causa colapsos sociais. Na natureza, os representantes mais conhecidos pertencem aos gêneros Cordyceps e Ophiocordyceps, que manipulam insetos, sobretudo formigas, alterando seu comportamento para otimizar a dispersão de esporos. O Purpureocillium atlanticum faz parte da mesma família taxonômica desses organismos, mas difere em estratégia: em vez de obrigar o hospedeiro a subir vegetação antes de morrer, ele se desenvolve a partir de aranhas que permanecem enterradas. Esse comportamento sugere especialização ecológica voltada ao ambiente subterrâneo, indicando nichos menos explorados pelos gêneros mais midiáticos.

Reconhecimento internacional e importância da lista do Kew Gardens

Ao integrar a relação anual de dez descobertas botânicas e fúngicas mais relevantes compilada pelo Kew Gardens, o fungo zumbi brasileiro alcançou projeção global. O renomado jardim botânico britânico publica, desde 2016, um resumo que destaca exemplos de diversidade biológica cujo registro científico pode impactar conservação, pesquisa médica ou inovação biotecnológica. A presença do P. atlanticum nesse seleto grupo em 2025 sinaliza a relevância da micologia brasileira e reforça a urgência de proteger ecossistemas como a Mata Atlântica, onde novas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas.

Risco para humanos e implicações para a biodiversidade

Os autores do estudo esclarecem não haver evidências de que o Purpureocillium atlanticum infecte seres humanos ou outros animais além das aranhas de alçapão. Sua atuação altamente especializada reduz o potencial de salto para hospedeiros diferentes. Apesar disso, a investigação desses organismos é considerada estratégica. Estimativas citadas pelos próprios pesquisadores apontam a existência de aproximadamente 2,5 milhões de espécies de fungos no planeta, mas somente 10% teve descrição formal. Esse enorme hiato de conhecimento representa, simultaneamente, desafio científico e oportunidade para setores que dependem de compostos fúngicos, como o desenvolvimento de antibióticos ou de soluções ambientais sustentáveis.

Panorama da micologia e atração de novos pesquisadores

A popularidade recente dos fungos zumbis na mídia, impulsionada por documentários e por séries de ficção, vem despertando interesse de estudantes para a micologia. Segundo os autores do trabalho sobre o fungo zumbi brasileiro, o incremento de ferramentas portáteis de sequenciamento e a curiosidade gerada por obras culturais contribuem para formar uma nova geração de especialistas. Esses profissionais são considerados vitais para enfrentar o cenário de mudanças climáticas, expansão de doenças e resistência bacteriana, problemas que aumentam a demanda por soluções baseadas em organismos fúngicos.

O próximo passo da equipe envolve monitorar outras áreas da Mata Atlântica em busca de populações adicionais do Purpureocillium atlanticum e de fungos relacionados, com apoio de tecnologia de sequenciamento em campo para registrar rapidamente cada nova ocorrência.

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