Funarj integra seis museus ao Programa de Museus Antirracistas e amplia rede de museus antirracistas no Rio de Janeiro

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Seis equipamentos culturais administrados pela Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) acabam de aderir ao Programa de Museus Antirracistas do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN Museu Memorial). A decisão, anunciada na terça-feira, amplia a presença de museus antirracistas no estado e estabelece um compromisso formal de incorporar a perspectiva de equidade étnico-racial às rotinas de gestão, formação de equipes e programação institucional.
- Motivos que levaram à adesão ao movimento de museus antirracistas
- Quais museus da Funarj passam a integrar a rede de museus antirracistas
- Como funciona o Programa de Museus Antirracistas do IPN
- Impacto previsto na gestão pública de museus antirracistas
- Desdobramentos para cada museu que aderiu ao programa antirracista
- Relação com políticas culturais mais amplas de combate ao racismo
- Etapas previstas e próximos eventos do calendário de museus antirracistas
Motivos que levaram à adesão ao movimento de museus antirracistas
A Funarj definiu a participação no programa como um marco inédito entre os equipamentos culturais fluminenses. Segundo a fundação, o ingresso na rede antirracista representa a adoção de parâmetros estruturados para enfrentamento ao racismo dentro das próprias instituições museológicas. A iniciativa não se restringe a exposições temáticas: abrange políticas gerenciais, critérios de contratação, processos de capacitação de servidores e diretrizes para qualquer ação dirigida ao público.
Quais museus da Funarj passam a integrar a rede de museus antirracistas
São seis os espaços que ingressam simultaneamente no Programa de Museus Antirracistas:
Museu Antonio Parreiras, em Niterói; Museu do Ingá, localizado também em Niterói; Museu Carmen Miranda, no bairro do Flamengo, zona sul da capital; Casa de Oliveira Vianna, em Niterói; Casa da Marquesa de Santos, em São Cristóvão, zona norte do Rio; e Casa de Euclides da Cunha, no município de Cantagalo, interior fluminense.
Com perfis variados, esses museus cobrem cronologias, linguagens artísticas e contextos históricos distintos. A entrada coletiva no programa possibilita testar diretrizes antirracistas em realidades museológicas diferentes, desde instituições dedicadas às artes plásticas até casas de memória de escritores e figuras históricas.
Como funciona o Programa de Museus Antirracistas do IPN
Idealizado pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, o programa estabelece protocolos para que cada instituição participante desenvolva, monitore e aperfeiçoe ações de combate ao racismo em todos os seus setores. A metodologia parte de três eixos:
1) Gestão e governança – revisão de normas internas, processos de decisão e critérios de representação nos colegiados dos museus; 2) Formação de equipes – oferta de cursos, oficinas e rodadas de sensibilização com vistas a ampliar repertórios sobre história afro-indígena, direitos humanos e diversidade; 3) Ações institucionais – inclusão da perspectiva antirracista em exposições, atividades educativas, editais de pesquisa e parcerias.
A meta final é provocar reflexões de caráter estrutural e gerar mudanças tangíveis que contribuam para a equidade étnico-racial no setor cultural. Com a adesão, a Funarj passa a compartilhar experiências e boas práticas com outras instituições que já integram a mesma rede, formando um ambiente colaborativo de troca de conhecimentos.
Impacto previsto na gestão pública de museus antirracistas
Para o coordenador de museus da Funarj, Wallace Almeida, a participação no programa representa avanço tanto do ponto de vista da política cultural quanto do fortalecimento institucional. Ele destaca que o movimento fortalece a imagem dos museus como espaços de memória, diálogo e responsabilidade social. Na prática, as unidades vinculadas à fundação terão de adaptar seus planos museológicos, alinhar conteúdos expositivos e rever procedimentos internos sob o prisma da justiça racial.
A assessoria de imprensa da Funarj aponta que o cronograma inicial inclui seminários, oficinas e atividades formativas que serão distribuídos ao longo do ano. Essas iniciativas pretendem estimular o intercâmbio de experiências entre servidores, pesquisadores e comunidades do entorno, criando ambientes de escuta ativa e participação social. A expectativa é que, a partir dessa agenda formativa, cada unidade elabore relatórios de avanço, definindo metas, prazos e indicadores de desempenho relacionados ao enfrentamento ao racismo.
Desdobramentos para cada museu que aderiu ao programa antirracista
A diversidade geográfica e temática dos museus sob gestão da Funarj oferece campo amplo para a aplicação das diretrizes do Programa de museus antirracistas. O Museu Antonio Parreiras, por exemplo, dedicado à obra do pintor homônimo, deverá rever a forma como interpretações artísticas do século XIX dialogam hoje com narrativas de exclusão racial. O Museu do Ingá, situado num palácio de valor histórico, terá a chance de revisitar o passado político do edifício sob a ótica da participação negra na formação do estado.
Na zona sul da capital, o Museu Carmen Miranda recebe público interessado em música, indumentária e biografia da artista. Agora, terá estímulo para relacionar o legado da cantora com reflexões sobre identidades afro-descendentes na cultura popular brasileira. Já a Casa de Oliveira Vianna, dedicada ao sociólogo que analisou o Brasil do início do século XX, poderá expor como conceitos de raça foram tratados em sua obra e quais são os desafios de reinterpretar esses textos à luz da crítica contemporânea.
No bairro de São Cristóvão, a Casa da Marquesa de Santos cobre período imperial e temas ligados à corte portuguesa no Brasil. A integração à rede antirracista suscita debate sobre a escravidão doméstica e as relações sociais daquele tempo. Por fim, a Casa de Euclides da Cunha, em Cantagalo, guarda a memória do escritor de “Os Sertões”. O programa cria oportunidade para relacionar o olhar do autor sobre sertanejos e povos originários às discussões atuais sobre racismo estrutural.
Relação com políticas culturais mais amplas de combate ao racismo
A adesão da Funarj ocorre num contexto em que políticas culturais federais, estaduais e municipais buscam dialogar com demandas históricas por reparação e representatividade. Ao se vincular a um protocolo já estruturado pelo IPN, a fundação soma esforços a iniciativas que valorizam tradições afro-indígenas e a produção intelectual de populações sub-representadas. Essa convergência reforça metas de planos setoriais de cultura focados na diversidade e na redução de desigualdades.
Etapas previstas e próximos eventos do calendário de museus antirracistas
Os primeiros seminários voltados às equipes dos museus da Funarj, segundo a fundação, estão previstos para o início do próximo semestre. A programação incluirá debates sobre comunicação inclusiva, acessibilidade, curadoria compartilhada e elaboração de exposições com recorte antirracista. Após a fase formativa, cada unidade deverá apresentar propostas de ações, como revisões de roteiros expositivos ou criação de núcleos educativos especializados.
Com a entrega dos resultados preliminares, a Funarj integrará relatórios à base de dados do Instituto Pretos Novos, permitindo acompanhamento externo dos indicadores de desempenho. Essa etapa conclusiva, prevista para o fim do ano, servirá de referência para ajustes de metas e eventual expansão do programa para outros equipamentos culturais administrados pelo estado.
O próximo marco aguardado pela rede é o lançamento oficial das agendas de seminários e oficinas, data que a Funarj deve anunciar em breve a servidores, parceiros e público interessado.

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