Fraude em prédios de luxo: operação policial detalha esquema de R$ 5 milhões envolvendo engenheiros

Fraude em prédios de luxo: operação policial detalha esquema de R$ 5 milhões envolvendo engenheiros
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No centro de uma investigação que expõe a fraude em prédios de luxo na capital de Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil desencadeou uma operação que reúne dados, cifras e personagens ligados a um esquema milionário de desvio de recursos na fase de fundação de edifícios de alto padrão. A força-tarefa alcançou quatro cidades e já soma apreensão de dinheiro vivo, arma de fogo e medidas judiciais contra suspeitos com idades entre 34 e 67 anos.

Índice

Operação Abalo Sísmico escancara fraude em prédios de luxo

A investigação, batizada de Abalo Sísmico, foi coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). O foco está na suposta atuação conjunta de engenheiros contratados, funcionários internos de uma incorporadora e empresas terceirizadas que prestavam serviços de transporte de materiais, perfuração de solo e instalação de fundações. Segundo a apuração inicial, o grupo teria manipulado contratos e registros de serviços, desviando valores que causaram um prejuízo estimado em R$ 5 milhões à incorporadora responsável por obras de alto padrão em Campo Grande.

Engenheiros e funcionários investigados por fraude em prédios de luxo

Entre os investigados figuram engenheiros civis responsáveis por etapas técnicas das construções, um almoxarife ligado ao controle de materiais e representantes de empresas terceirizadas da cadeia da construção civil. Todos são apontados pela autoridade policial como peças-chave em infrações que incluem furto qualificado por fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A suspeita é que, ao longo da execução dos serviços de fundação, tenham sido emitidos documentos falsos ou superfaturados para justificar saídas indevidas de recursos.

As idades dos seis principais alvos — 34, 39, 45, 52, 61 e 67 anos — mostram que o grupo investigado reúne profissionais em diferentes fases da carreira, reforçando a ideia de uma articulação entre experiência técnica, acesso a informações de almoxarifado e controle financeiro de obras. A proibição de contato entre eles, determinada pela Justiça, reflete a tentativa de impedir qualquer combinação de versões ou destruição de provas.

Cidades alvo da ação que apura fraude em prédios de luxo

Para reunir os indícios necessários, a Polícia Civil cumpriu 11 mandados de busca e apreensão distribuídos da seguinte forma:

• 7 em Campo Grande (MS): sede da incorporadora, canteiros de obras e residências de investigados.
• 2 em Votorantim (SP): endereços ligados a prestadoras de serviço que atuavam no transporte de materiais.
• 1 em Campinas (SP): local relacionado a empresa de perfuração de solo.
• 1 em Sorocaba (SP): imóvel conectado a suspeito que, segundo a investigação, participou da emissão de notas fiscais irregulares.

A dispersão geográfica dos mandados revela a amplitude do esquema. Apesar de o prejuízo recair sobre obras em Campo Grande, parte das empresas terceirizadas e profissionais envolvidos mantinha sede ou residência em municípios paulistas, o que exigiu cooperação entre unidades da Polícia Civil dos dois estados.

Mandados, apreensões e valores recuperados

Durante as buscas, os agentes localizaram cerca de R$ 700 000 em espécie na casa de um dos engenheiros investigados. O montante foi recolhido para perícia contábil, que deve comparar o fluxo de caixa pessoal do suspeito com os contratos da incorporadora. Celulares e outros dispositivos eletrônicos também foram apreendidos, e a expectativa é que as mensagens armazenadas ajudem a delinear a participação de cada pessoa no desvio dos recursos.

Em um dos endereços vistoriados, localizado em Campo Grande, a equipe do Garras encontrou uma arma de fogo calibre .22 acompanhada de munições sem registro legal. O morador, que figura na lista de investigados, recebeu voz de prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e foi conduzido à sede da delegacia especializada para autuação.

Medidas cautelares e próximos passos da investigação

Além das apreensões, a Justiça impôs medidas cautelares que impedem os suspeitos de sair da comarca sem autorização prévia e proíbem qualquer tipo de contato entre eles. Essas restrições visam preservar a integridade da prova e assegurar que a continuidade das diligências se desenrole sem interferência. A polícia destaca que o material recolhido — especialmente registros contábeis, contratos, memorandos internos e aparelhos eletrônicos — passará por análise minuciosa para identificar rotas de circulação do dinheiro e eventuais contas de lavagem de capitais.

A própria denominação Abalo Sísmico foi escolhida para simbolizar a etapa da obra onde as irregularidades teriam ocorrido: a fundação. Trata-se da parte subterrânea e menos visível dos edifícios, numa analogia ao fato de que o esquema, até então, permanecia oculto sob a estrutura empresarial da incorporadora.

Conforme nota oficial da Polícia Civil, a operação corresponde apenas à primeira fase do inquérito. Novas diligências estão previstas, podendo incluir oitivas presenciais, quebras de sigilo fiscal e bancário e pedidos de cooperação técnica para auditorias independentes. A corporação afirma que o objetivo é alcançar todos os níveis de participação, desde quem gerenciava os contratos fraudulentos até possíveis beneficiários indiretos.

Contexto, estimativa de danos e impacto setorial

O prejuízo calculado em R$ 5 milhões refere-se exclusivamente às etapas da obra já vistoriadas pelas autoridades. A quantia repassa a magnitude do desvio para uma única incorporadora e põe em evidência a vulnerabilidade de projetos imobiliários de alto padrão quando há conluio entre profissionais de áreas distintas. Engenheiros responsáveis pelas fundações, almoxarife encarregado do estoque de materiais e empresas externas de perfuração e transporte constituíam, segundo os investigadores, um circuito fechado que permitia a emissão de faturas infladas e serviços não realizados.

Em termos de responsabilidade penal, os crimes listados — furto qualificado por fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro — compõem um mosaico que abrange tanto a subtração física de bens quanto a manipulação documental para legitimar o ganho ilícito. A apreensão de dinheiro vivo e arma de fogo reforça a linha de que os investigados mantinham valores fora do sistema bancário formal.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que, após a conclusão da perícia nos aparelhos eletrônicos recolhidos, devem ser marcadas novas diligências a fim de rastrear a destinação final dos recursos desviados e verificar se outras obras foram afetadas pelo mesmo método.

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