Folia de Reis no Museu Vassouras reúne cortejos, oficina e poesia para celebrar o Vale do Café

A Folia de Reis no Museu Vassouras inicia neste sábado e se estende até domingo, levando cortejos, atividades educativas e uma roda de poesia ao coração do Vale do Café, no interior do estado do Rio de Janeiro. O encontro, sediado nos espaços internos e externos do museu, integra manifestações populares de diferentes gerações, reforçando a função da instituição como ponto de convergência da memória regional e da devoção que se perpetua há séculos.
- Folia de Reis no Museu Vassouras: cortejos reavivam devoção secular
- Programação de sábado valoriza a transmissão entre gerações
- Domingo de Folia de Reis no Museu Vassouras foca na educação patrimonial
- Roda de poesia encerra celebração e destaca a oralidade coletiva
- Museu Vassouras fortalece identidade cultural do Vale do Café
- Visita de Pandro Nobã amplia diálogo entre arte contemporânea e tradição
Folia de Reis no Museu Vassouras: cortejos reavivam devoção secular
O eixo central da programação é formado por duas jornadas de folia que percorrem o museu com cânticos tradicionais, instrumentos de percussão e a presença simbólica da bandeira bordada. No sábado, a partir das 16h, a Jornada Jardim do Éden conduzida pela mestra Rita de Cássia abre a celebração. Logo em seguida, às 17h, a Jornada Descendentes de Davi, liderada pelos mestres Tiago Meirelles e Lelê, dá continuidade ao circuito musical e ritualístico. Cada cortejo reafirma a importância da coletividade, do canto em coro e da circulação da bandeira, elemento que guia o grupo e sintetiza a espiritualidade presente na festa.
Essas apresentações marcam o retorno da folia ao espaço público do Museu Vassouras, promovendo o diálogo entre visitantes, foliões experientes e novos integrantes. A música, composta por violas e pandeiros, ecoa pelos corredores expositivos, criando um ambiente onde a tradição encontra as estruturas contemporâneas do museu.
Programação de sábado valoriza a transmissão entre gerações
A sequência de cortejos no primeiro dia evidencia como a Folia de Reis mantém viva a convivência intergeracional. A participação de mestres reconhecidos pela comunidade demonstra o cuidado em preservar técnicas de canto, ritmo e condução da bandeira. Enquanto isso, o percurso pelos salões do museu permite que crianças, jovens e adultos observem de perto os rituais, favorecendo a perpetuação do aprendizado por meio da observação direta.
Ao inserir a festa em um espaço museológico, a organização amplia o alcance da manifestação. Visitantes que chegam ao Vale do Café para conhecer o patrimônio arquitetônico local passam a ter contato não apenas com objetos de exposição, mas também com expressões vivas da cultura popular.
Domingo de Folia de Reis no Museu Vassouras foca na educação patrimonial
No segundo dia, entre 10h e 12h, o Educativo do Museu Vassouras conduz a Oficina de Bandeiras de Folia. A atividade é aberta a públicos de todas as idades e propõe a criação coletiva de estandartes inspirados nos utilizados pelos grupos. As bandeiras concentram símbolos religiosos, referências familiares e marcas do território cafeeiro, funcionando como ponto de encontro entre história e identidade. Durante a oficina, os participantes lidam com tecidos, fitas e bordados, compartilhando técnicas de confecção e relatos que reforçam vínculos comunitários.
Essa abordagem educativa reforça o caráter pedagógico da programação, aproximando visitantes da metodologia de preservação adotada pelo museu. Ao estimular a prática manual, o encontro transforma o conhecimento simbólico da folia em experiência tangível, ampliando a compreensão sobre a relevância dessas peças para a memória local.
Roda de poesia encerra celebração e destaca a oralidade coletiva
O encerramento da Folia de Reis no Museu Vassouras acontece no domingo, às 16h, com a Roda de Poesias protagonizada pelos Soldados da Divina Irmandade do Oriente. Nesse momento, a palavra falada se une à música e ao gesto, ampliando o repertório sensorial da festa. A presença de rimas improvisadas evidencia o valor da transmissão oral, prática que garante a continuidade de histórias e vivências relacionadas à folia.
A roda estabelece, ainda, um ambiente de escuta mútua, onde espectadores tornam-se participantes ativos, reconhecendo-se na cadência dos versos e no compasso dos instrumentos. A fusão entre poesia e canto reforça a dimensão comunitária do evento, consolidando o museu como espaço de circulação de saberes.
Museu Vassouras fortalece identidade cultural do Vale do Café
Ao promover a Folia de Reis, o Museu Vassouras reafirma seu papel de salvaguarda e difusão das manifestações populares que moldam a história do Vale do Café. A instituição atua como ponte entre patrimônio material — exemplificado pelo acervo expositivo — e patrimônio imaterial — representado pelos ritos, músicas e oficinas. Essa integração atende a demandas de moradores locais e visitantes, proporcionando visibilidade às práticas que continuam a escrever a narrativa da região.
Além de receber a folia, o museu investe em ações de educação patrimonial, conectando os participantes a processos de criação coletiva. Essa estratégia fortalece vínculos comunitários e incentiva a permanência das tradições nas gerações seguintes.
Visita de Pandro Nobã amplia diálogo entre arte contemporânea e tradição
Paralelamente às atividades da folia, o museu recebe o artista Pandro Nobã, que conduz uma visita especial em torno das obras “Ao longe” e “Céu na Terra”. As peças integram o eixo “Vapor” da exposição Chegança e estabelecem conexões entre arte contemporânea e manifestações populares. A presença do artista complementa a programação, oferecendo um olhar que transita entre linguagens visuais atuais e referências históricas associadas à região.
Com essa visita, o museu reforça a proposta de criar diálogos entre diferentes formas de expressão, destacando a potência do encontro entre passado e presente. A iniciativa contribui para ampliar a experiência dos visitantes, que podem relacionar a estética contemporânea de Nobã com os elementos tradicionais da Folia de Reis.
Entre cortejos, oficina e roda de poesia, a Folia de Reis no Museu Vassouras finaliza sua programação neste domingo, 4 de janeiro, às 16h, quando a palavra e a música se encontram na Roda de Poesias dos Soldados da Divina Irmandade do Oriente.

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