Festival Rec-Beat celebra 30 anos no Recife com lineup global e foco em música eletrônica

Festival Rec-Beat celebra 30 anos no Recife com lineup global e foco em música eletrônica
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No sábado de Carnaval, 14 de fevereiro de 2026, o Festival Rec-Beat volta a ocupar o Cais da Alfândega, no Recife, inaugurando quatro dias de programação gratuita que marcam três décadas de trajetória dedicadas à diversidade musical. Fundado em 1995 pelo produtor Antonio Gutierrez, conhecido como Gutie, o evento chega aos 30 anos reafirmando a proposta de ser uma vitrine para encontros entre estilos, gerações e geografias.

Índice

Festival Rec-Beat: três décadas de história e diversidade

O primeiro eixo de compreensão da presente edição passa pelo percurso histórico. Iniciado em meados da década de 1990, o festival nasceu como resposta à necessidade de um espaço que abrigasse tanto expressões tradicionais quanto experimentações sonoras em Pernambuco. Desde então, construiu reputação ao favorecer o trânsito de públicos diferentes, criando ambiente onde a curiosidade é incentivada e o diálogo entre ritmos ganha centralidade. Segundo dados oficiais do próprio evento, cada edição costuma reunir mais de 60 mil pessoas, número que evidencia o poder de atração consolidado ao longo dos anos.

Ao longo desse percurso, o Rec-Beat manteve postura inquieta. A curadoria se caracteriza por buscar convergências inusitadas: artistas locais ao lado de nomes estrangeiros, linguagens eletrônicas em coexistência com matrizes populares, instrumentistas veteranos dividindo palco com recém-chegados. Essa engenharia curatorial, mantida em 2026, fundamenta a reputação do festival como plataforma de descoberta, circulação e experimentação.

Programação 2026 reúne tradição, vanguarda e recortes geográficos

A agenda entre 14 e 17 de fevereiro combina vozes emergentes e presenças já reconhecidas. Entre os estreantes, aparecem NandaTsunami, AJULLIACOSTA e Jadsa, representantes de uma leva que mescla influências regionais com perspectivas contemporâneas. Em paralelo, artistas de forte apelo nacional como Djonga, Johnny Hooker e Carlos do Complexo chegam para dialogar com diferentes segmentos de público.

O pernambucano Johnny Hooker, por exemplo, usa o palco recifense para a estreia nacional da turnê “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, concebida a partir de seu quarto álbum de estúdio. A escolha do Rec-Beat como ponto de partida reforça o elo entre o cantor e o estado que o revelou. Djonga, figura proeminente do rap brasileiro na segunda metade da década de 2010, traz seu repertório combativo, enquanto Carlos do Complexo amplia a representatividade da cena carioca ao lado de faixas que transitam entre funk, rap e experimentos eletrônicos.

Na seara das comemorações de carreira, Felipe Cordeiro celebra 20 anos como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas. Nesta edição, ele divide o show com Layse, voz em ascensão no Pará, unindo referências regionais às bases pop que permeiam a nova música paraense. A justaposição de ambos exemplifica o método do festival: colocar em diálogo gerações distintas de um mesmo território cultural, abrindo espaço para que novas texturas se formem.

Palco principal do Rec-Beat exibe conexões Brasil–África–América Latina

A pluralidade geográfica não se limita ao âmbito nacional. O senegalês Momi Maiga Quartet integra o quadro internacional, trazendo a kora — instrumento tradicional de 21 cordas — para um contexto de jazz étnico, flamenco e sonoridades africanas. O grupo circula com o álbum “Kairo” (2024), cujo conteúdo aponta para leituras políticas e humanistas no trânsito entre África, Europa e Mediterrâneo.

Da Colômbia chegam os integrantes do Ghetto Kumbé, projeto reconhecido por embaralhar tambores caribenhos, cânticos afrocolombianos e bases eletrônicas. A presença da banda articula o eixo América Latina-Recife, um dos pilares identitários do Rec-Beat ao longo de três décadas. Ainda no campo africano, o ugandense Faizal Mostrixx apresenta o conceito de “tribal electronics”, no qual gravações de campo e ritmos do Leste Africano se conectam à pulsação das pistas de dança globais.

A delegação internacional inclui ainda Kikelomo, DJ e produtora nigeriana-britânica radicada na Alemanha, que combina drum’n’bass e jungle em sessões que prestam tributo às matrizes da diáspora africana. Esses cruzamentos refletem a política curatorial do evento: promover a coexistência de linguagens consolidadas e tendências emergentes, sempre partindo de conexões culturais concretas.

Festival Rec-Beat lança o projeto Moritz dedicado à música eletrônica

Uma das principais inovações deste ano é o lançamento do Moritz, braço inteiramente voltado à música eletrônica. A iniciativa estreia já no primeiro dia de festival, assumindo um dos palcos do Cais da Alfândega como espaço exclusivo para performances de DJs e produtores que priorizam autoralidade e experimentação.

Entre os nomes confirmados para o Moritz está a pernambucana Paulete Lindacelva, figura reconhecida por misturar beats urbanos e referências da cultura local. Carlos do Complexo, também escalado para o palco principal, amplia seu escopo ao participar da plataforma eletrônica. Do cenário latino, a colombiana Piolinda Marcela traz sets que dialogam com cumbia digital, reggaeton alternativo e bass music.

A linha criativa prossegue com SPHYNX, LOFIHOUSEBOY e DAVS, cada qual inserindo camadas que vão do house ao techno, passando por texturas downtempo. A proposta do Moritz é atuar como incubadora: após a edição inaugural dentro do Rec-Beat, a plataforma deve ramificar-se em eventos próprios, mantendo a orientação para a pista e fortalecendo a imagem do festival como agente de novos circuitos.

Festival Rec-Beat reforça a cena local com DJs pernambucanos

Além da estrutura destinada ao Moritz, o Festival Rec-Beat mantém a tradição de reservar a abertura e o intervalo dos shows para um lineup de DJs locais. Nesta edição, todos os convidados para essa função são pernambucanos, iniciativa conduzida em co-curadoria com KAI, DJ e pesquisador musical.

Zoe Beats, artista de Camaragibe, assume um set que cruza grime, UK garage e jungle, costurando referências regionais como o manguebeat. A DJ Afrobitch circula entre vertentes do house, inserindo dembow, dancehall e funk sob perspectiva negra e afrodiaspórica. Bobi, por sua vez, funde disco, house e ritmos afro-latinos, utilizando samples que variam do piseiro ao funk. Cada um desses profissionais atua como ponte entre referências globais e repertórios pernambucanos, reforçando o compromisso do evento com a cena local.

Estrutura gratuita e compromisso com experiência inclusiva

Realizado integralmente sem cobrança de ingresso, o festival ocupa um espaço público emblemático às margens do Rio Capibaribe. A gratuidade funciona como premissa de acessibilidade e amplia o alcance da programação entre moradores da Região Metropolitana do Recife, visitantes do interior de Pernambuco e turistas que tradicionalmente buscam o Carnaval da capital. A estimativa de público superior a 60 mil pessoas por edição demonstra a adesão sustentada ao longo dos anos e sinaliza a relevância cultural do Rec-Beat para o calendário festivo da cidade.

Do ponto de vista logístico, a organização investe em ambiente democrático, em que diferentes perfis sociais e faixas etárias possam circular. A mescla entre artistas do Brasil, da América Latina e da África cria intercâmbios que refletem tanto o passado de porto estratégico do Recife quanto o presente globalizado das relações musicais. Dessa forma, o evento consolida-se como manifesto cultural em favor da multiplicidade, característica considerada cada vez mais necessária no cenário contemporâneo.

Entre 14 e 17 de fevereiro, o público poderá acompanhar cada apresentação no Cais da Alfândega, seguindo a ordem divulgada pelos curadores. Ao término do quarto dia, o Festival Rec-Beat encerra a programação de 2026 e volta o foco para as futuras edições do projeto Moritz, cuja realização autônoma está prevista para ciclos posteriores.

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