Falcon 9 bate recorde de 33 reutilizações e coloca 53 satélites Starlink em órbita em um único dia

Em um sábado marcado por dois lançamentos consecutivos, o Falcon 9 estabeleceu um novo patamar de reutilização de foguetes ao completar o 33º voo de um mesmo primeiro estágio e acrescentar 53 satélites Starlink à constelação de banda larga em órbita. As missões, conduzidas pela SpaceX a partir de bases na Califórnia e na Flórida, representaram os 21º e 22º voos do Falcon 9 em 2026, reforçando a estratégia de redução de custos por meio do reaproveitamento de hardware.
- Dois voos do Falcon 9 em menos de 24 horas consolidam novo recorde
- Primeira decolagem na Califórnia: Falcon 9 leva 25 satélites Starlink
- Segundo lançamento na Flórida consolida 33 reutilizações do Falcon 9
- Falcon 9 e a lógica de reaproveitamento do primeiro estágio
- Expansão da constelação Starlink ganha impulso com os voos do Falcon 9
- Cadência de voos do Falcon 9 em 2026 e próximos passos
Dois voos do Falcon 9 em menos de 24 horas consolidam novo recorde
O sábado de lançamentos começou às 4h04 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos (09h04 GMT) quando um Falcon 9 decolou do Space Launch Complex 4 East (SLC-4E), na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. Horas mais tarde, às 22h47 (03h47 GMT de domingo), outro Falcon 9 partiu do Space Launch Complex 40 (SLC-40), localizado na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. A sucessão de voos em diferentes costas norte-americanas demonstra a capacidade logística da companhia para operar distintas rampas quase em paralelo, mantendo alta cadência de lançamentos ao longo do mesmo dia.
O ponto alto veio na segunda missão, quando o primeiro estágio designado B1067 concluiu seu 33º voo, superando a marca anterior de reutilização dentro da frota da SpaceX. Até então, nenhum outro booster havia sido lançado mais de 32 vezes. O pouso bem-sucedido do estágio na embarcação autônoma A Shortfall of Gravitas, posicionada no Oceano Atlântico, confirmou a integridade do hardware para potenciais voos futuros.
Primeira decolagem na Califórnia: Falcon 9 leva 25 satélites Starlink
O dia começou com a missão que transportou 25 satélites identificados como Starlink Group 17-25. O veículo empregou o primeiro estágio B1063, agora com 31 voos no currículo. Após a separação dos estágios, o booster retornou e pousou na balsa autônoma Of Course I Still Love You, estacionada no Pacífico. O sucesso ilustra o funcionamento do processo de recuperação utilizado pela empresa, no qual a fase principal do foguete volta à Terra de forma controlada e pousa em plataformas marítimas para ser preparada para novas operações.
A janela de lançamento na costa oeste permite inserir satélites em planos de órbita polares ou de inclinação elevada. Ainda que o texto original não detalhe a inclinação específica, a localização de Vandenberg indica a adoção de trajetórias adequadas para cobrir latitudes mais altas, complementando a cobertura global da internet oferecida pela constelação Starlink.
Segundo lançamento na Flórida consolida 33 reutilizações do Falcon 9
Horas após a missão californiana, o Falcon 9 decolou do SLC-40, na Flórida, levando 28 satélites Starlink Group 6-104. A escolha da costa leste favorece inserções em órbitas de menor inclinação, ampliando a densidade de satélites em faixas de latitude médias. A grande novidade, entretanto, foi o desempenho do B1067. Com 33 voos completados, o estágio eleva o padrão interno da SpaceX, destacando-se como prova da durabilidade do projeto.
O pouso na A Shortfall of Gravitas indica que o booster permanece apto a novos usos, contribuindo para a economia de recursos. Cada reutilização bem-sucedida retira da empresa a necessidade de construir um primeiro estágio totalmente novo, reduzindo custos de fabricação e encurtando prazos entre missões.
Falcon 9 e a lógica de reaproveitamento do primeiro estágio
O primeiro estágio constitui a parte inferior do foguete, reunindo os motores principais e a maior parcela do propelente necessário para deixar o solo e transpor as camadas mais densas da atmosfera. Depois de esgotar o combustível, ele se desprende do restante do veículo, que prossegue com a carga útil até a órbita. No caso do Falcon 9, esse componente é projetado para realizar uma série de manobras de reentrada, desaceleração e pouso vertical controlado, seja em solo firme ou em plataformas flutuantes.
A reutilização frequente é um dos pilares do modelo de negócios da SpaceX. A empresa obtém ganhos econômicos diretos ao evitar o descarte de componentes caros após cada decolagem. Além disso, a rápida volta do hardware ao ciclo operacional facilita o aumento da cadência de missões, reduzindo o intervalo médio entre voos. O resultado prático é visível nos números: somente em 2026, já foram 22 voos do Falcon 9, e grande parte deles empregou estágios com múltiplas reutilizações.
Expansão da constelação Starlink ganha impulso com os voos do Falcon 9
Com os 53 satélites adicionados neste sábado, a constelação Starlink ultrapassou o marco de 9.700 unidades ativas. Esses números consolidam a presença da empresa no segmento de internet de baixa latência via satélite, cuja cobertura global exige grande quantidade de ativos em diferentes planos orbitais. A distribuição das missões entre as bases de Vandenberg e Cabo Canaveral contribui para preencher lacunas geográficas e otimizar a cobertura de banda larga em todas as regiões.
Os lançamentos consecutivos também reforçam o compromisso da companhia com metas ambiciosas de incremento anual. A tática de acelerar a produção de satélites, combinada à reutilização intensiva do Falcon 9, vem permitindo que a rede cresça de forma sustentada, ao mesmo tempo em que mantém o controle sobre os custos operacionais.
Cadência de voos do Falcon 9 em 2026 e próximos passos
As duas missões deste sábado representaram os voos de número 21 e 22 do Falcon 9 em 2026, sinalizando que a companhia continua a perseguir um ritmo elevado de operações para o restante do ano. Cada novo recorde de reutilização sugere margens adicionais para reduzir despesas e ampliar a frequência de lançamentos conforme a demanda pela conectividade Starlink avança.
O próximo marco esperado, de acordo com a série de dados observada, será a tentativa de alçar o estágio B1067 ao 34º voo, estendendo ainda mais o limite interno da frota. Enquanto isso, a SpaceX seguirá utilizando suas duas principais instalações de lançamento nos Estados Unidos para manter o cronograma de colocações em órbita previsto para os próximos meses.

Conteúdo Relacionado