Ex-vereador de São Bento é preso após 12 anos: bastidores da Operação Passaguá e do esquema de tráfico internacional

Ex-vereador de São Bento é preso após 12 anos: bastidores da Operação Passaguá e do esquema de tráfico internacional
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O ex-vereador de São Bento, João Dantas Clementino, foi localizado e detido no último sábado, encerrando um período de 12 anos de fuga relacionado a acusações de participação em uma rede de tráfico internacional de drogas. A captura, realizada pela Polícia Federal na mesma cidade onde ele desenvolveu carreira política, reativa os holofotes sobre a Operação Passaguá, investigação deflagrada em 2014 que expôs um esquema interestadual de entorpecentes com ramificações em oito unidades da federação.

Índice

Quem é o ex-vereador de São Bento e por que estava foragido

João Dantas Clementino exerceu mandato na Câmara Municipal de São Bento, município do Sertão paraibano reconhecido pela produção e comércio de redes de dormir. Em 2014, seu nome passou a integrar a lista de 50 alvos de prisão expedidos no âmbito da Operação Passaguá, conduzida pela Polícia Federal. Naquela fase, as autoridades apontaram o ex-parlamentar como chefe de um dos núcleos responsáveis pela distribuição de drogas dentro do estado da Paraíba. O então vereador se evadiu do endereço conhecido logo após a deflagração da operação, entrando em condição de foragido por mais de uma década.

Em 2015, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) formalizou denúncia contra 56 investigados, incluindo Clementino. O processo detalhava sua suposta posição de liderança e o vínculo com estruturas que utilizavam a cadeia comercial de redes para encobrir o transporte de entorpecentes.

Como a Operação Passaguá desarticulou a rede que envolvia o ex-vereador de São Bento

A Operação Passaguá foi resultado de cerca de 18 meses de investigação. Sob coordenação da Polícia Federal, as diligências simultâneas ocorreram em João Pessoa, Patos e São Bento, além de ações complementares em outros cinco estados. Na data central da ofensiva, dezembro de 2014, agentes cumpriram mandados de busca, apreensão e prisão que atingiram diversos elos da organização.

O principal objetivo da operação era interromper o fluxo de drogas que abastecia Campina Grande, cidades do Sertão paraibano e outros centros urbanos nordestinos. A atuação dos investigados, segundo os relatórios oficiais, possuía características de empresa criminosa: tarefas distribuídas, divisão hierárquica, compartimentação de informações e emprego de táticas para dificultar o rastreamento policial.

Estrutura e métodos da organização criminosa chefiada por núcleos como o do ex-vereador de São Bento

Os investigadores mapearam diferentes polos de comando. Um núcleo esteve sediado em Campina Grande e coordenava a distribuição para bairros locais, mantendo contato permanente com grupos baseados em São Bento, em Foz do Iguaçu (Paraná) e em São Paulo. O suposto braço liderado por João Dantas Clementino responderia pelo armazenamento e liberação dos carregamentos na Paraíba.

Entre as práticas documentadas, destacam-se:

1. Camuflagem em cargas comerciais – A rede utilizava caminhões carregados de redes de dormir, produto emblemático de São Bento, para esconder grandes quantidades de maconha e cocaína.

2. Compartimentos secretos em veículos – Investigadores identificaram adaptações em carrocerias e baús, criadas para transportar drogas sem detecção em vistorias superficiais.

3. Linguagem cifrada – Nas comunicações internas, eram empregados termos codificados a fim de mascarar conteúdo ilícito.

4. Contas bancárias de terceiros – Para dificultar o rastreamento financeiro, valores provenientes do tráfico eram depositados em nomes alheios ou empresas de fachada.

Rotas, estados envolvidos e apreensões realizadas durante a operação

O esquema, classificado pela Polícia Federal como interestadual, atuava em rotas que partiam de diferentes origens. A maconha chegava principalmente de Pernambuco e Bahia, além de percorrer caminhos via Foz do Iguaçu (PR) e Mato Grosso do Sul. A cocaína era remetida de São Paulo e do Paraná.

Na fase ostensiva da Operação Passaguá, duas apreensões se destacaram pelo volume:

• 60 mil pés de maconha em um terreno de Riacho dos Cavalos, município vizinho a São Bento, revelando cultivo em larga escala.

• Mais de 130 quilos de maconha escondidos em um caminhão carregado de redes, evidenciando o método de ocultação favorito do grupo.

Esses números reforçaram a avaliação do Ministério Público de que se tratava de uma organização estruturada para obtenção de lucro contínuo, com ramificações já consolidadas em vários estados.

Denúncia do Ministério Público, pedidos de prisão e evolução processual

Em abril de 2015, o Ministério Público da Paraíba apresentou denúncia detalhada ao Poder Judiciário contra 56 pessoas. O documento descreveu o funcionamento permanente da rede, o papel de cada núcleo e solicitou manutenção dos mandados de prisão, inclusive contra o ex-vereador de São Bento. Na peça acusatória, o órgão indicou que os réus lançavam mão de condutas típicas de organizações criminosas: recrutamento de transportadores, uso de estabelecimentos comerciais legítimos para disfarce e divisão clara de funções logísticas, financeiras e operacionais.

Após a denúncia, alguns envolvidos foram presos e respondem a ações penais em diferentes varas estaduais e federais. João Dantas Clementino, porém, permaneceu fora do alcance das autoridades até a recente detenção. Com a captura, ele deverá ser apresentado ao juízo responsável pelo processo original para audiência de custódia e prosseguimento da instrução criminal.

Ex-vereador de São Bento: impacto político e próximos passos do caso

Embora sem mandato há mais de uma década, o ex-vereador de São Bento mantinha lembrança pública na cidade, que concentra forte atividade comercial ligada à fabricação de redes. A polícia não divulgou detalhes de onde ele se escondia ou quais estratégias utilizava para permanecer sob o radar. A prisão restabelece a efetividade dos mandados expedidos em 2014 e facilita o avanço das diligências judiciais que ficaram pendentes em razão de sua ausência.

Segundo a Polícia Federal, a prioridade agora é atualizar o processo com informações da captura e garantir que todos os interrogatórios pendentes sejam realizados. O Ministério Público já sinalizou que pedirá a manutenção da prisão preventiva, argumentando risco de fuga e possibilidade de reiteração criminosa.

Não há, até o momento, nova data de julgamento definida, mas a expectativa é de que a vara competente agende as próximas etapas procedimentais assim que o laudo de recaptura for anexado aos autos.

Com a detenção do ex-vereador de São Bento, as autoridades retomam um dos últimos capítulos em aberto da Operação Passaguá e esperam dar sequência às audiências que ficaram suspensas desde 2015.

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