Empresário agredido por PMs no Piauí tem escoriações e caso leva ao afastamento de quatro policiais

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No centro de uma ocorrência que gerou forte repercussão regional, o empresário agredido por PMs no Piauí registrou escoriações no corpo e no rosto depois de ser confundido durante uma abordagem na cidade de Luzilândia. Quatro policiais militares foram afastados das atividades operacionais e a corporação instaurou processo investigativo para esclarecer a conduta dos agentes.
- Entenda o caso do empresário agredido por PMs no Piauí
- Sequência dos acontecimentos na agressão ao empresário agredido por PMs
- Lesões e estado de saúde do empresário agredido por PMs
- Medidas legais adotadas após a agressão ao empresário agredido por PMs
- Posicionamento oficial da Polícia Militar do Piauí
- Repercussão regional e próximos passos na apuração
Entenda o caso do empresário agredido por PMs no Piauí
O episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira, 15, quando Edson Carvalho, 24 anos, deixou a cidade vizinha de Joaquim Pires para aproveitar a festa de Carnaval em Luzilândia. Acompanhado da esposa e de dois casais de amigos, ele decidiu fazer uma pausa em um restaurante por volta das três horas da manhã. Segundo o relato, sua intenção era apenas conferir o cardápio antes de voltar para casa. Nesse momento, uma viatura da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) parou em frente ao estabelecimento.
Sem qualquer diálogo prévio, quatro agentes desceram do veículo, apontaram armas para Edson e iniciaram as agressões físicas. As câmeras de segurança do local registraram socos, chutes e empurrões contra o empresário, que colocou as mãos na cabeça e tentou questionar o motivo da abordagem. Testemunhas identificaram hematomas diversos, incluindo corte na sobrancelha e marcas nos braços e nas costas.
Sequência dos acontecimentos na agressão ao empresário agredido por PMs
O grupo de amigos de Edson observou a confusão à distância. Assim que percebeu o tumulto, a esposa do empresário correu até os agentes, indagando qual seria a suposta infração. Conforme descrito pela vítima, os policiais perguntaram pelo paradeiro de uma motocicleta; Edson, no entanto, havia chegado em carro particular. Essa inconsistência levou os próprios policiais a reconhecerem o equívoco de identidade alguns minutos depois, ainda durante a abordagem.
Após perceberem que não se tratava do suspeito procurado, os militares cessaram as agressões, verbalizaram pedido de desculpas e ofereceram-se para repetir o pedido pessoalmente no dia seguinte. Edson recusou a oferta e, abalada, a comitiva decidiu retornar a Joaquim Pires. O empresário não saiu mais de casa nos dias seguintes, relatando estado emocional fragilizado em função do ocorrido.
Lesões e estado de saúde do empresário agredido por PMs
Laudo preliminar indica escoriações no rosto e em várias partes do corpo. O corte na sobrancelha, visível nas imagens de circuito interno, exigiu primeiros socorros. Segundo Anderson Lages, advogado que representa a vítima, não houve necessidade de internação hospitalar, mas o comerciante permanece em repouso na cidade de Joaquim Pires. A defesa destaca que o abalo psicológico se soma aos danos físicos, motivo pelo qual Edson optou por não participar de programações carnavalescas remanescentes.
O registro formal da ocorrência será feito na Delegacia de Polícia Civil responsável pela área. A equipe jurídica prepara ainda ação cível de reparação por danos morais e materiais, fundamentada nos registros audiovisuais que comprovariam o excesso de força utilizado pelos militares.
Medidas legais adotadas após a agressão ao empresário agredido por PMs
O advogado informou que, além do boletim de ocorrência, será protocolada denúncia junto à Corregedoria da Polícia Militar do Piauí. O objetivo é que a instância interna averigue violação de protocolos de abordagem e eventual prática de lesão corporal. A defesa planeja apresentar as gravações das câmeras de segurança e depoimentos das testemunhas que acompanhavam o empresário naquela madrugada.
Em paralelo às medidas cíveis e criminais, a representação legal busca garantir que o procedimento disciplinar militar observe prazos e transparência. Entre os pedidos, está a comunicação constante sobre o andamento da investigação e a preservação das imagens que circulam nas redes sociais, consideradas provas relevantes para apuração.
Posicionamento oficial da Polícia Militar do Piauí
Em nota pública, a PM-PI confirmou o afastamento imediato dos quatro policiais das funções de rua, classificando tal providência como “administrativa e preventiva”. A corporação declarou que instaurou procedimento investigativo para apurar todas as circunstâncias, detalhando que o inquérito interno examinará possível uso desproporcional de força e falhas na identificação correta do suspeito.
O comunicado reforçou compromisso institucional com legalidade, respeito aos direitos individuais e transparência, ressaltando que novas informações serão divulgadas ao término da apuração. Até a conclusão do processo, os agentes permanecem restritos a serviços internos ou afastados do serviço ativo, medida que, segundo a nota, visa preservar tanto a lisura da investigação quanto a segurança da comunidade.
Repercussão regional e próximos passos na apuração
O caso ganhou destaque em Luzilândia e Joaquim Pires, cidades vizinhas que registravam grande fluxo de visitantes durante o Carnaval. Moradores expressaram preocupação com abordagens policiais em espaços públicos, sobretudo em horários de grande aglomeração. A defesa do empresário afirma que o encaminhamento na esfera cível será formalizado ainda na sexta-feira, 20, data prevista para o protocolo na Corregedoria.
Na esfera penal, a Delegacia responsável reunirá laudos médicos, imagens de segurança e depoimentos. O inquérito determinará responsabilidades e poderá resultar em indiciamento por lesão corporal, caso se confirme a materialidade e autoria apontadas pela vítima.
O próximo marco processual relevante é o registro do boletim de ocorrência, seguido do aceite formal da denúncia pela Corregedoria. Esses passos delimitarão prazos para conclusão de laudos periciais e oitivas dos envolvidos.

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