Eco Invest Brasil bate recorde: leilão desperta R$ 80 bilhões e reforça liderança em finanças verdes

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Eco Invest Brasil concluiu o maior leilão de sua curta história e estabeleceu um novo parâmetro para a mobilização de capital sustentável no país. O terceiro certame do programa, divulgado pelo Tesouro Nacional, somou demanda potencial de cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em equity, dos quais R$ 24 bilhões correspondem a recursos públicos ofertados como capital catalítico. A homologação final incluiu R$ 15 bilhões dessa parcela pública, valor suficiente para viabilizar aproximadamente R$ 53 bilhões adicionais provenientes da iniciativa privada.
- Eco Invest Brasil atinge recorde de R$ 80 bilhões em demanda de equity
- Como o leilão do Eco Invest mobiliza capital público e privado
- Setores beneficiados pelo Eco Invest: transição energética lidera
- Instituições financeiras e volume homologado no Eco Invest
- Mecanismos de proteção cambial fortalecem o programa
- O que significa equity no contexto do Eco Invest
- Próximos passos após o leilão recorde
Eco Invest Brasil atinge recorde de R$ 80 bilhões em demanda de equity
O “quem” do evento reúne o Tesouro Nacional, encarregado de anunciar o resultado, e seis instituições financeiras vencedoras. O “o quê” é o recorde absoluto de demanda no âmbito do programa, que nasceu em 2024 com a missão de acelerar a transição ecológica por meio de instrumentos financeiros inovadores. O “quando” ocorreu na divulgação oficial desta quarta-feira (28). Já o “onde” envolve a plataforma eletrônica de leilões do governo federal, utilizada para registrar lances de proteção cambial e outras garantias oferecidas pelo poder público. Por fim, o “como” e o “porquê” revelam a engrenagem que atrai capital privado para setores verdes, reduzindo riscos por meio de cobertura parcial de volatilidade cambial.
Com a homologação de R$ 15 bilhões em capital público, o governo assegura uma alavancagem relevante: cada real estatal tem potencial de destravar aproximadamente R$ 3,5 em recursos privados. Essa estrutura transforma a participação pública em um multiplicador financeiro, mecanismo central no esforço para posicionar o Brasil como destino competitivo para investimentos verdes.
Como o leilão do Eco Invest mobiliza capital público e privado
O formato do leilão combina aportes estatais com compromissos de investidores que aceitam direcionar recursos a projetos elegíveis. Dos R$ 80 bilhões demandados, R$ 24 bilhões são efetivamente ofertados pelo Estado na condição de capital de risco parcial. Após análise, o Tesouro homologou R$ 15 bilhões, valor que servirá como base para cerca de R$ 53 bilhões em dinheiro privado. Esse total chega ao mercado por meio de fundos de venture capital e private equity estruturados pelas instituições vencedoras.
A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) comparou o resultado com o fluxo anual do setor. Segundo a entidade, as propostas homologadas equivalem a 32,5 % de todo o investimento em private equity e venture capital realizado no Brasil entre outubro de 2024 e setembro de 2025, evidência do impacto imediato do programa.
Setores beneficiados pelo Eco Invest: transição energética lidera
O destino dos recursos segue as prioridades do Plano de Transformação Ecológica Novo Brasil. A categoria de Transição Energética concentrou 64,5 % das propostas homologadas, refletindo a necessidade de ampliar fontes de energia de baixo carbono e modernizar a matriz existente. A Bioeconomia respondeu por 16 %, contemplando cadeias de valor ligadas a biomas nativos. Infraestrutura Verde para Adaptação ficou com 10,4 %, enquanto Economia Circular absorveu 9,1 %.
Dentro dos setores estratégicos, destacam-se dois eixos com metas financeiras definidas. O primeiro é o combustível sustentável de aviação (SAF), que recebeu indicações de R$ 12,2 bilhões. O segundo envolve cadeias de baterias e veículos elétricos, com potencial de R$ 9,3 bilhões. Ambos têm função decisiva para inserir o Brasil em nichos internacionais da economia verde.
Instituições financeiras e volume homologado no Eco Invest
Seis instituições financeiras venceram o certame. O Itaú liderou, registrando aproximadamente 50 % do volume homologado, o equivalente a quase R$ 30 bilhões em compromissos de investimento. A Caixa Econômica Federal ocupou a segunda posição, com cerca de R$ 9 bilhões. Também tiveram propostas aprovadas o Bradesco, o HSBC, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil.
As vencedoras dispõem de até 24 meses para captar capital externo atrelado aos projetos e um prazo máximo de 60 meses para desembolsar os recursos em iniciativas alinhadas às áreas definidas pelo programa. Esse cronograma estabelece metas claras de performance e garante previsibilidade ao pipeline de investimentos sustentáveis.
Mecanismos de proteção cambial fortalecem o programa
Um dos diferenciais do Eco Invest Brasil é a oferta de cobertura parcial de risco cambial. A volatilidade do real frente a moedas fortes costuma elevar o custo de capital para investidores estrangeiros. Ao assumir parte desse risco, o governo torna os projetos mais atrativos e reduz eventuais barreiras de entrada. A ferramenta também amplia a competitividade de startups e pequenas e médias empresas (PMEs) que atuam em inovação e sustentabilidade, público-alvo que deve receber mais de R$ 11 bilhões gerados pelo leilão.
Além da proteção cambial, o programa conta com apoio institucional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil. A participação desses parceiros internacionais reforça a credibilidade da iniciativa e amplia o alcance de potenciais investidores fora do país.
O que significa equity no contexto do Eco Invest
Equity corresponde à aquisição de participação societária em empresas. Em vez de emprestar dinheiro a juros, o investidor se torna sócio e aposta na valorização do negócio. O leilão direciona esse modelo a duas frentes:
• Venture capital: aporte em startups em fase inicial, que apresentam alto potencial de crescimento.
• Private equity: capital voltado a companhias mais maduras, em processo de expansão ou reestruturação para ganhar escala.
No desenho do programa, o capital público funciona como elemento catalisador. Ao compartilhar risco com o setor privado, o governo estimula fluxos financeiros que talvez não ocorram em condições de mercado estritas. Com a homologação atual, o Eco Invest ultrapassou R$ 127 bilhões em mobilização potencial desde a estreia, consolidando-se como o maior programa de finanças verdes do Brasil.
Próximos passos após o leilão recorde
Com três leilões já concluídos, os Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente concentram-se agora no acompanhamento dos prazos de captação e desembolso assumidos pelas instituições vencedoras. Os resultados efetivos começarão a aparecer à medida que os recursos, públicos e privados, forem injetados nos projetos de transição energética, bioeconomia, infraestrutura verde e economia circular. O cronograma oficial prevê mobilização de capital externo até o limite de 24 meses e aportes finais até 60 meses, etapas que definirão o impacto real dos R$ 80 bilhões demandados no leilão histórico.

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