Donald Trump telefona a Gustavo Petro após ameaças e inaugura novo estágio na relação EUA-Colômbia

Donald Trump realizou, na noite de quarta-feira (8), a primeira ligação direta ao presidente colombiano, Gustavo Petro, depois de uma sequência pública de ameaças e acusações. O telefonema marcou uma inflexão no clima de tensão que vinha crescendo desde o início do mês e colocou em pauta temas sensíveis, como a política antidrogas, a disputa energética e a possibilidade de um encontro presencial entre os dois chefes de Estado.
- Contexto anterior às falas de Donald Trump
- Detalhes do telefonema entre Gustavo Petro e Donald Trump
- Donald Trump e o debate sobre drogas
- Repercussão interna na Colômbia após contato com Donald Trump
- Energia limpa: a proposta de investimento e seus fundamentos
- Próximos passos na agenda entre Colômbia e Estados Unidos
Contexto anterior às falas de Donald Trump
A origem do atrito remonta à operação militar que culminou no sequestro de Nicolás Maduro, na Venezuela. Após esse episódio, Donald Trump passou a direcionar críticas e advertências à Colômbia e a seu mandatário. No domingo (4), o líder norte-americano declarou que o país sul-americano estaria “muito doente”, governado por “um homem doente” que, segundo ele, produziria cocaína a ser enviada aos Estados Unidos. Na mesma ocasião, o ex-presidente norte-americano considerou publicamente que “uma invasão à Colômbia” poderia ser “uma boa ideia”.
A retórica agressiva provocou forte reação em Bogotá. Gustavo Petro classificou o opositor norte-americano como detentor de “cérebro senil” e afirmou que este enxergaria “verdadeiros libertários” como narcoterroristas simplesmente por não lhe fornecerem carvão ou petróleo. A troca de declarações estabeleceu um clima de crise diplomática que repercutiu internamente na Colômbia e levantou questionamentos regionais sobre a estabilidade das relações hemisféricas.
Detalhes do telefonema entre Gustavo Petro e Donald Trump
A conversa telefônica realizada na quarta-feira (8) foi a primeira interação direta entre as duas lideranças desde o início do embate verbal. Gustavo Petro divulgou uma fotografia em que aparece ao aparelho e relatou, em redes sociais, alguns dos pontos tratados. Ele descreveu que ambos discutiram “visões divergentes sobre a relação dos Estados Unidos com a América Latina”, reconhecendo a existência de desacordos, mas sem revelar maiores pormenores além do que já havia sido alvo de críticas públicas.
No mesmo registro, Petro afirmou ter explicado ao interlocutor norte-americano o potencial latino-americano para a produção de energia limpa. Segundo o colombiano, esse setor poderia suprir parte das necessidades energéticas dos Estados Unidos, caso recebesse investimentos adequados. A proposta apresentada prevê a mobilização de US$ 500 bilhões, capital que, nas palavras de Petro, hoje “está detido pelos Estados Unidos” e poderia ser redirecionado para projetos sustentáveis no continente.
Donald Trump e o debate sobre drogas
Na tribuna de uma manifestação popular convocada antes mesmo do telefonema, Gustavo Petro relatou aos presentes que Donald Trump utilizou a chamada para abordar diretamente “a situação das drogas”. A participação da Colômbia no comércio global de cocaína e a política antidrogas dos dois países mantêm-se como ponto sensível e recorrente na agenda bilateral. Durante o telefonema, o mandatário norte-americano afirmou considerar “uma grande honra” conversar com Petro, embora reconhecesse “outros desentendimentos” pendentes de ajuste.
O líder colombiano respondeu agradecendo pela oportunidade de diálogo e manifestou expectativa de que as equipes diplomáticas cheguem a um entendimento para viabilizar um encontro presencial “em breve”. Sem entrar em detalhes, Petro indicou que negociações preliminares já estariam em curso a fim de organizar esse possível encontro.
Repercussão interna na Colômbia após contato com Donald Trump
Logo após desligar o telefone, Gustavo Petro dirigiu-se à manifestação popular que ele próprio havia convocado. No palanque, leu o trecho da fala de Donald Trump que destacava a “honra” do diálogo e a preocupação com as drogas. O gesto buscou demonstrar transparência diante de sua base social e, simultaneamente, reforçar a imagem de disposição ao entendimento, mesmo após as ameaças recentes.
A manifestação tinha o objetivo explícito de “reforçar a posição do país” frente às declarações norte-americanas. Ao tornar público o teor essencial da conversa, Petro sinalizou que o governo colombiano pretende manter a população informada sobre cada passo da negociação e evitar especulações adicionais sobre uma escalada militar ou sanções econômicas.
Energia limpa: a proposta de investimento e seus fundamentos
Na ligação, Gustavo Petro defendeu que o fortalecimento da matriz de energia limpa na América Latina representaria um caminho de “paz, vida e democracia global”. Ele sustenta que a insistência em explorar combustíveis fósseis, inclusive petróleo, poderia “levar à destruição do direito internacional” e, em cenário extremo, provocar uma “terceira guerra mundial”. A cifra de US$ 500 bilhões mencionada pelo colombiano corresponde, segundo ele, ao volume necessário para destravar projetos de energia renovável capazes de abastecer não apenas a região, mas também fornecedores externos, como os Estados Unidos.
Embora os detalhes técnicos do investimento não tenham sido divulgados, Petro apresentou a ideia como alternativa concreta para reorientar a parceria bilateral, deslocando o foco do petróleo para fontes sustentáveis. A menção explícita ao montante reforça a visão de que, na perspectiva colombiana, o financiamento viria predominantemente de Washington.
Próximos passos na agenda entre Colômbia e Estados Unidos
Com o telefonema consumado, as duas administrações abrem caminho para uma reunião presencial. Segundo Gustavo Petro, “negociações para que isso aconteça” já estão em andamento, embora nem local nem data tenham sido especificados. Até o momento, não houve menção a cancelamento das críticas anteriores ou revisão de políticas. O histórico recente indica que a pauta de drogas permanece prioritária para os Estados Unidos, enquanto a Colômbia busca incluir, no mesmo patamar, a transição energética.
O eventual encontro poderá ser marcado por debates sobre as consequências da operação militar na Venezuela, as ameaças de invasão e o futuro da cooperação regional. Até que a data seja confirmada, a última informação factual disponível é o próprio anúncio de que as equipes diplomáticas iniciaram tratativas para viabilizar a reunião.

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