Domingo de Carnaval: blocos, trios elétricos e multidões dominam as ruas de Rio, Salvador, Olinda, BH e São Paulo

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O domingo de Carnaval confirmou, uma vez mais, a dimensão nacional da festa ao ocupar vias, ladeiras e avenidas de cinco grandes capitais brasileiras. Do frevo pernambucano às misturas de axé, samba, eletrônica e pop, milhões de foliões circularam por Salvador (BA), Olinda (PE), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). O clima ensolarado, a programação extensa e a presença de blocos tradicionais, artistas renomados e fantasia irreverente compuseram um retrato diversificado da celebração, que se estendeu da manhã à madrugada.
- Domingo de Carnaval movimenta circuitos tradicionais nas capitais
- Domingo de Carnaval no Rio de Janeiro: 100 mil pessoas seguem o bloco Areia
- Belo Horizonte reforça diversidade sonora no domingo de Carnaval
- Tradição e irreverência dominam Olinda e Recife no domingo de Carnaval
- Circuitos Barra-Ondina e Campo Grande agitam Salvador no domingo de Carnaval
- São Paulo exibe criatividade nas fantasias e no repertório de blocos
- Programações simultâneas fortalecem a abrangência nacional da festa
Embora cada cidade tenha identidade própria, o domingo de Carnaval apresentou pontos em comum: programações simultâneas, cortejos de rua com grande adesão popular e fortalecimento de manifestações culturais locais. Em Salvador, circuitos Barra-Ondina e Campo Grande abriram espaços para trios sem corda, cantores consagrados e bandas percussivas. Na capital fluminense, dezenas de blocos espalharam-se do Aterro do Flamengo ao bairro do Leblon, antecedendo a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo. Já Olinda voltou a lotar suas ladeiras históricas com agremiações que equilibram tradição e irreverência, enquanto Belo Horizonte e São Paulo reforçaram a vocação de novos polos carnavalescos, com artistas que atraíram multidões nos parques, avenidas e bairros.
No Rio de Janeiro, o número de blocos registrados para o domingo de Carnaval espalhou foliões por diversos bairros desde as primeiras horas da manhã. No Leblon, o bloco Areia reuniu aproximadamente 100 mil pessoas, transformando a orla em um imenso corredor de fantasia e música. Poucos quilômetros adiante, no Aterro do Flamengo, circuitos tradicionais receberam o Bangalafumenga e outros coletivos que misturaram samba, pop e percussão, mantendo o fluxo de foliões até a noite.
A agenda carioca de 24 horas ganhou reforço com o início dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Imperatriz, Portela e Mangueira abriram a sequência de apresentações na Marquês de Sapucaí, palco em que a estreante Vanessa Rangeli apareceu como rainha de bateria de uma das agremiações de Nilópolis. Enquanto as arquibancadas lotavam para os desfiles, celebridades circularam por camarotes, ampliando a visibilidade midiática da abertura oficial da folia na cidade.
A capital mineira consolidou-se como ponto de convergência de novos blocos e artistas locais. O Bloco Marinada, liderado pela cantora Marina Sena, fez sua estreia no entorno do Mineirão, na região da Pampulha. A artista subiu ao trio por volta das 15h30 e, acompanhada de fãs que formaram uma multidão, exaltou o crescimento do Carnaval de Belo Horizonte, classificando-o como um dos mais animados do país. Durante a manhã e o início da tarde, outros grupos reforçaram a presença de ritmos diversos: o Desmanttelo, comandado pelo cantor Nattan, percorreu ruas da área central, mantendo a batida constante de percussão e voz que ecoou até o começo da noite.
A descentralização dos eventos em Belo Horizonte refletiu a estratégia local de democratizar a festa. Diferentes pontos da cidade — da Pampulha ao hipercentro — receberam blocos de portes variados, favorecendo a distribuição do público e reduzindo a concentração em um único circuito.
Em Pernambuco, as ladeiras de Olinda compuseram um cenário de forte identidade cultural. Blocos históricos como Enquanto Isso na Sala da Justiça, Cariri Olindense e Elefante de Olinda preencheram cada rua com estandartes, passo de frevo e fantasias que dialogam com o patrimônio arquitetônico local. A combinação de cortejo, música ao vivo e participação espontânea de moradores e visitantes manteve o fluxo de foliões durante todo o dia.
Na Praça do Carmo, a programação noturna trouxe grupos de samba e pagode, como Fundo de Quintal e Molejo, garantindo continuidade à folia além dos ritmos tradicionalmente ligados à manifestação pernambucana. A presença simultânea de frevo e samba mostrou a capacidade de Olinda de integrar sonoridades distintas sem perder a essência regional.
No coração da folia baiana, os circuitos oficiais de Salvador registraram intensa movimentação desde cedo. No Campo Grande, a despedida de Carla Perez no Bloco Pipoca Doce atraiu grande público logo pela manhã. Na sequência, trios sem corda com DJs e bandas, entre elas Attooxxa e Baby do Brasil, mantiveram a animação ao longo do dia. No circuito Barra-Ondina, artistas como Banda Olodum, Bell Marques, Claudia Leitte no Bloco Largadinho, Xanddy Harmonia e Daniela Mercury dividiram a atenção de quem se espalhava pela orla.
O modelo baiano de trios elétricos, com ou sem corda, possibilitou que foliões circulassem livremente em diversos pontos do trajeto. A variedade de repertórios — do axé clássico aos arranjos eletrônicos contemporâneos — reforçou a vocação de Salvador para lançar tendências musicais e comportamentais durante o Carnaval.
São Paulo exibe criatividade nas fantasias e no repertório de blocos
A capital paulista consolidou-se como um dos polos mais diversificados da festa, sobretudo pelo alcance dos blocos de rua. No domingo de Carnaval, fantasias inusitadas, a exemplo das referências a “Perna Cabeluda” ou “Harmonizada com Gretchen”, dividiram espaço com manifestações de afirmação da comunidade LGBT+. O leque, adotado como símbolo de união contra o preconceito, apareceu em grande parte dos cortejos, reforçando o aspecto político e de inclusão social do evento.
Blocos conduzidos por artistas de projeção nacional, como Pocah, Michel Teló e Ritaleena, percorreram diferentes bairros, ampliando a oferta de estilos musicais. A estratégia de distribuir os trajetos por zonas diversas — de parques a avenidas centrais — buscou diluir a presença de centenas de milhares de foliões e reduzir impactos no trânsito, sem comprometer a oferta cultural.
Programações simultâneas fortalecem a abrangência nacional da festa
O conjunto de eventos realizados neste domingo de Carnaval evidenciou a coordenação de agendas estaduais e municipais para acolher grandes públicos. Em todas as capitais citadas, a festa começou nas primeiras horas do dia e avançou pela madrugada, combinando cortejos de rua, trios elétricos, shows em palcos fixos e desfiles oficiais. A convivência de estilos — do frevo às batidas eletrônicas — demonstrou a capacidade de diálogo entre tradições consolidadas e tendências contemporâneas.
Nos bastidores, a estrutura logística incluiu serviços de limpeza urbana entre uma apresentação e outra, atuação de equipes de saúde pública e monitoramento de trânsito, elementos essenciais para manter a segurança e a fluidez da folia. Embora cada prefeitura utilize modelos próprios de organização, o objetivo comum foi garantir que a diversidade musical e cultural se manifestasse com segurança e acessibilidade.
Com a folia prolongando-se pela madrugada, blocos como Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira mantiveram o ritmo no Sambódromo carioca, enquanto em outras capitais a agenda de segunda-feira já previa novos cortejos, ensaios e desfiles, assegurando a continuidade da festa durante toda a semana de Carnaval.

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