Dólar sobe para R$ 5,24 e fecha melhor mês em sete meses mesmo com queda da bolsa

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O dólar encerrou a última sessão de janeiro cotado a R$ 5,248, avanço diário de 1,03%, movimento que coincidiu com a indicação do economista Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, feita pelo presidente norte-americano Donald Trump. Apesar da valorização pontual, a moeda norte-americana acumulou retração de 4,4% no mês, seu melhor resultado mensal em sete meses, enquanto o Ibovespa cedeu 0,97% no dia, mas fechou janeiro com alta expressiva de 12,56%.

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Alta do dólar no dia reflete mudança na liderança do Fed

A subida de R$ 0,054 no câmbio ocorreu após a confirmação, durante a manhã de sexta-feira, de que Kevin Warsh, ex-diretor do Federal Reserve, foi escolhido por Donald Trump para suceder o atual presidente do banco central dos Estados Unidos. A notícia ganhou força rapidamente nos terminais financeiros globais e desencadeou demanda pela divisa norte-americana em vários mercados, incluindo o brasileiro. Com maior procura, o preço do dólar ganhou fôlego e abandonou a estabilidade observada na abertura.

Warsh tem histórico de posturas classificadas pelo mercado como conservadoras em política monetária. Durante sua passagem anterior pelo Fed, era visto como defensor de juros mais altos quando a inflação ameaçava sair da meta. Essa percepção de possível aperto monetário futuro levou investidores a reavaliar posições em ativos de risco e a buscar segurança na divisa dos Estados Unidos, fenômeno que costuma pressionar emergentes como o real.

Quem é Kevin Warsh e por que sua indicação mexe com o câmbio

Kevin Warsh integrou o Conselho de Governadores do Federal Reserve de 2006 a 2011, período que abrange a crise financeira global deflagrada em 2008. Naquela época, teve participação relevante nos debates sobre os programas de recompra de títulos que o Fed implementou para estabilizar a economia. A volta de um ex-diretor com perfil mais ortodoxo é interpretada pelos agentes de mercado como possível sinal de endurecimento na condução da política de juros. Qualquer expectativa de elevação mais rápida da taxa básica norte-americana torna o retorno em títulos do Tesouro dos EUA mais atraente, aumentando o fluxo de capitais para o país e, consequentemente, valorizando o dólar.

A influência do Fed no sistema financeiro internacional explica a reação praticamente instantânea observada em praças cambiais, bolsas de valores e mercados de commodities. No Brasil, onde o fluxo estrangeiro exerce peso significativo, oscilações no humor externo costumam repercutir diretamente na formação do preço do câmbio.

Desempenho mensal do dólar: recuo de 4,4% em janeiro

Mesmo com a valorização do último pregão, o dólar acumulou baixa de 4,4% em janeiro, desempenho que não se repetia desde junho do ano anterior. Na semana, a moeda também recuou 0,73%. Diversos fatores contribuíram para a queda ao longo do mês, entre eles a busca global por ativos de maior risco na esteira de indicadores econômicos positivos em várias regiões e a percepção de que os juros norte-americanos permaneceriam estáveis por mais tempo, cenário agora reavaliado após o anúncio sobre o Fed.

No mercado doméstico, o ingresso de recursos estrangeiros para a bolsa brasileira reforçou a oferta de dólares, colaborando para a desvalorização da divisa durante o mês. As captações externas de empresas e o fluxo comercial, impulsionado pelo período de embarques de produtos agrícolas, também ajudaram a aliviar a pressão no câmbio.

Ibovespa cai no dia, mas garante melhor mês desde 2020

O principal índice da B3 fechou a sessão aos 181.364 pontos, recuo de 0,97%. A queda, porém, não ofuscou o avanço de 12,56% contabilizado em janeiro, o maior ganho mensal em mais de cinco anos. O desempenho robusto esteve ancorado principalmente na entrada de capital externo, atraído por valuations considerados ainda descontados em relação a mercados desenvolvidos e pela expectativa de manutenção de juros domésticos em níveis estimulativos.

Ao longo da sexta-feira, o Ibovespa chegou a operar no terreno positivo, acompanhando bolsas internacionais que reagiam inicialmente de forma contida ao anúncio no Fed. Entretanto, a mudança de direção no câmbio, acompanhada de sinal negativo em Wall Street, levou investidores a realizarem parte dos ganhos acumulados recentemente.

Fatores internos e externos influenciaram a bolsa brasileira

A B3 foi influenciada por dois vetores principais. Externamente, a valorização do dólar incentivou migração de recursos para os Estados Unidos e afetou papéis de empresas exportadoras sensíveis ao câmbio. Internamente, prevaleceu a chamada realização de lucros: após a alta acumulada de dois dígitos em janeiro, participantes do mercado aproveitaram a valorização para vender ações e materializar rendimento.

Além disso, alguns investidores preferiram reduzir exposição antes do fim de semana prolongado nos EUA, quando potenciais declarações adicionais sobre a política do novo presidente do Fed poderiam impactar expectativas na segunda-feira. Esse movimento de cautela colaborou para a pressão vendedora observada nos minutos finais do pregão.

Realização de lucros molda ritmo de negociação doméstica

A prática de realizar lucros é comum quando há fortes altas concentradas em intervalo curto, como ocorreu em janeiro. Com o Ibovespa em máximas não vistas desde 2020, gestores de fundos e operadores individuais optaram por reequilibrar carteiras, vendendo parte das posições vencedoras. Esse ajuste técnico não altera necessariamente a tendência mais ampla, mas pode provocar recuos pontuais, como o de 0,97% verificado na sessão.

Esse comportamento explica por que, mesmo diante de uma notícia de impacto global — a nomeação de Kevin Warsh —, os investidores locais também olharam para elementos domésticos, avaliando preços relativos e calibrando expectativas quanto aos balanços corporativos que serão divulgados nas próximas semanas.

Efeito combinado sobre ativos brasileiros em janeiro

Ao final do mês, o saldo é de fortalecimento dos ativos brasileiros, em especial ações. O recuo de 4,4% no dólar favoreceu empresas muito dependentes de custos em moeda estrangeira, enquanto a alta de 12,56% no Ibovespa sinaliza retomada do apetite por risco. O ambiente, contudo, mostrou-se sensível a anúncios vindos de Washington, evidenciando a correlação entre decisões de política monetária norte-americana e preços de mercado no Brasil.

Os investidores seguem monitorando a tramitação do nome de Kevin Warsh, apontado por Donald Trump para a presidência do Federal Reserve. O processo de confirmação ainda passa por sabatina e votação no Senado dos Estados Unidos, etapa tradicional que antecede a posse de presidentes do banco central norte-americano.

Até lá, o comportamento do câmbio e da bolsa deverá continuar atrelado a expectativas sobre o rumo da maior economia do mundo e aos indicadores que serão divulgados no início de fevereiro.

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