Doja Cat entrega show provocativo em São Paulo e reacende carreira com turnê “Vie”

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Doja Cat retornou aos palcos brasileiros com uma performance de quase duas horas em São Paulo, na noite de quinta-feira, 5, e levou a plateia da Suhai Music Hall a um mergulho de sexualidade, paixão e energia crua, marcando um novo capítulo da turnê do álbum “Vie”.
- Doja Cat reencontra o público brasileiro após hiato de quatro anos
- Turnê “Vie” de Doja Cat indica retomada de fôlego comercial e criativo
- Repertório de Doja Cat intercala hits premiados e faixas de forte apelo sensual
- Performance corporal de Doja Cat: provocação, frenesi e domínio vocal
- Infraestrutura do palco: banda performática e palco elevado potencializam visibilidade
- Interação com o público: poucas palavras, gestos simbólicos e entrega de rosas
- Relevância de SZA, Lollapalooza e Suhai Music Hall no contexto do show
- Conclusão factual: próxima parada da turnê “Vie”
Doja Cat reencontra o público brasileiro após hiato de quatro anos
O último contato presencial entre Doja Cat e seus fãs no Brasil havia ocorrido em 2022, quando a rapper foi uma das atrações principais do festival Lollapalooza na mesma capital paulista. A apresentação daquele ano consolidou o sucesso internacional do álbum “Planet Her”, obra que a crítica descreveu como um dos movimentos mais contundentes do rap recente. Desde então, a artista lançou projetos que não alcançaram a mesma repercussão e se envolveu em controvérsias que esfriaram sua trajetória. O retorno agora, em casa de shows recém-inaugurada dentro do Shopping SP Market, representou a possibilidade de reconquistar um público que se manteve fiel, mas aguardava uma reafirmação do seu protagonismo.
Turnê “Vie” de Doja Cat indica retomada de fôlego comercial e criativo
“Vie”, lançado em 2023, serve de espinha dorsal para a turnê atual. Com ele, Doja Cat volta a ocupar espaço no debate musical após o sucesso atenuado dos trabalhos posteriores a “Planet Her”. A artista incorpora a temática ardente do disco no roteiro do espetáculo, alinhando as faixas inéditas ao repertório consagrado. A mistura estrategicamente balanceada entre novidades e hits antigos dimensiona o esforço de reaproximação com o mercado, reforçando a ideia de que o show funciona não apenas como entretenimento, mas também como peça de reposicionamento de marca.
Repertório de Doja Cat intercala hits premiados e faixas de forte apelo sensual
Logo no início, a rapper deu o tom provocativo ao entrar com o pedestal do microfone entre as pernas e a língua de fora, recurso que antecipou a tônica do repertório. Entre as canções, destacam-se “Kiss Me More”, parceria com a cantora SZA que garantiu o Grammy de Melhor Performance Pop em Duo; “Woman”, trabalho de batida dançante e letra de defesa do protagonismo feminino; “Need to Know” e “Wet Vagina”, esta última uma das composições mais ousadas do catálogo recente. O set list caminhou até “Jealous Type”, eleita para encerrar a noite com o gesto simbólico de arremessar rosas ao público. A sequência reforça a imagem de artista que transita entre o rap e o pop sem abandonar a identidade explicitamente sensual.
Performance corporal de Doja Cat: provocação, frenesi e domínio vocal
Durante praticamente toda a apresentação, Doja Cat recorreu a gestos que ampliam o significado das letras. Mordeu a ponta dos dedos, lambeu os lábios, deslizou mãos pelo quadril e, não raramente, aproximou a língua do microfone como extensão da narrativa. A indumentária — sutiã preto e branco, meia-calça de renda e calcinha de couro — reforçou a atmosfera erótica sem precisar de grandes cenários ou corporações de bailarinos. Em momentos avançados do show, a intérprete intensificou a dramaticidade: arregalou os olhos, simulou estados de possessão, fingiu uso de substâncias ilícitas e ergueu o cabo do microfone com o salto alto, cantando de boca virada para cima. Apesar da coreografia improvisada, manteve a base vocal em evidência; usou poucos trechos pré-gravados e intercalou notas firmes com gritos esganiçados que sublinharam a autenticidade do espetáculo.
Infraestrutura do palco: banda performática e palco elevado potencializam visibilidade
A organização optou por instalar uma plataforma adicional sobre o tablado principal da Suhai Music Hall. O mecanismo, embora simples, garantiu que a estrela fosse vista também por quem ocupava as fileiras mais distantes. No mesmo nível elevado posicionaram-se os componentes da banda, cuja performance corporal acompanhou a irreverência da líder: os músicos incorporaram pequenas coreografias enquanto executavam os instrumentos, funcionando como extensão visual da sonoridade. Duas backing vocals completaram a formação, suprindo a ausência de corpo de dança. A escolha evidenciou que o espetáculo depende predominantemente do carisma de Doja Cat, que se mostrou suficiente para sustentar a atenção de toda a plateia.
Interação com o público: poucas palavras, gestos simbólicos e entrega de rosas
Embora dominasse o palco com desenvoltura, Doja Cat manteve comunicação verbal reduzida. Fora os tradicionais gritos de “Brasil” — aguardados pelos fãs —, ela limitou-se a breves agradecimentos, concentrando o engajamento na linguagem física. O gesto mais próximo de contato direto ocorreu no final, quando distribuiu rosas após “Jealous Type”, criando um momento de proximidade entre artista e audiência. A recepção calorosa demonstrou que, mesmo com pouca conversa, a performer estabeleceu vínculo emocional por meio da intensidade visual e sonora.
Relevância de SZA, Lollapalooza e Suhai Music Hall no contexto do show
O nome de SZA surge como entidade complementar de prestígio, já que “Kiss Me More” permanece no imaginário popular como um dos duetos mais premiados da década recente. A menção ao Lollapalooza recorda o ápice da fase “Planet Her” e serve como linha do tempo que ilustra a trajetória oscilante da rapper: ascensão meteórica, momento de estagnação e retomada com “Vie”. O Suhai Music Hall, por sua vez, entra definitivamente no mapa dos grandes espetáculos internacionais ao receber uma artista de projeção global, menos de um ano após abrir as portas dentro do Shopping SP Market.
Conclusão factual: próxima parada da turnê “Vie”
Encerrada a apresentação em São Paulo, a equipe de Doja Cat se prepara para a sequência de datas da turnê “Vie”, que continua em outras capitais latino-americanas antes de retornar aos Estados Unidos.

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