Documentário The Rose: como a banda sul-coreana rompeu com o k-pop e alcançou Coachella e Lollapalooza

Documentário The Rose: como a banda sul-coreana rompeu com o k-pop e alcançou Coachella e Lollapalooza
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The Rose chega aos cinemas brasileiros com o documentário “The Rose: Come Back to Me”, obra que disseca a trajetória do quarteto sul-coreano desde apresentações de rua em Seul até performances em festivais globais como Coachella e Lollapalooza.

Índice

O ponto de partida: The Rose nas ruas de Seul

O grupo formado por Woosung Kim, conhecido como Sammy, Dojoon Park (Leo), Taegyeom Lee (Jeff) e Hajoon Lee (Dylan) iniciou a carreira tocando ao ar livre na capital da Coreia do Sul. Esses primeiros passos, retratados no filme, mostram um cenário distante dos palcos gigantescos que viriam depois. Na época, a banda atraía curiosos que passavam pelas calçadas, experimentando de perto a reação do público ao seu indie rock cantado em coreano e inglês.

Os registros exibem cada integrante em estágios iniciais de descoberta artística, compartilhando as primeiras impressões que tiveram uns dos outros e detalhando como decidiram formar o conjunto. Entre conversas informais e ensaios improvisados, surge o nome The Rose, escolhido para refletir a dualidade entre delicadeza e força, dualidade que se tornaria marca registrada do repertório.

Treinamento de k-pop e a escolha por um projeto autoral

Antes de abraçar totalmente a linguagem do indie rock, todos passaram por grandes gravadoras de k-pop na condição de trainees. O treinamento, descrito no longa, envolvia rotina integral de aulas de dança, canto e performance, além de regras estritas sobre aparência e uso de celular. Enquanto se preparavam para serem “ídolos”, sentiam a perda de autonomia artística.

Sammy relata ter entrado em depressão devido ao controle excessivo, situação que incluiu dietas rigorosas e limitações de contato com o mundo exterior. Dylan, por sua vez, recorda ter recusado a orientação da empresa para mudar de instrumento, pois sempre quis tocar bateria em uma banda. Após identificarem ambições semelhantes, os quatro optaram por morar juntos, ensaiar diariamente por um ano inteiro e focar em composições próprias, rompendo de vez com o formato coreografado dominante no k-pop.

O debut de 2018 e o sucesso improvável fora de casa

A gravação de estreia veio em 2018 com “Sorry”, música melancólica inspirada no término de um relacionamento vivido por um dos vocalistas. A empresa que cuidava do grupo hesitou em lançar a faixa por considerá-la lenta demais para o mercado coreano. Mesmo assim, a insistência dos músicos prevaleceu e o single alcançou repercussão principalmente na Europa, abrindo portas para uma futura turnê no continente.

Esse resultado confirmou que o público estrangeiro recebia bem a mistura de línguas e a proposta de instrumentação ao vivo, elementos menos frequentes no mainstream coreano. A banda passou, então, a escrever canções que reforçam a noção de cura coletiva — conceito sintetizado no slogan “Curar juntos” e reforçado no documentário como resposta a desafios emocionais enfrentados pelos integrantes.

The Rose e a batalha judicial contra a antiga gravadora

Um dos capítulos centrais do filme aborda o conflito com a empresa que os agenciava. A gravadora pretendia lançar Sammy como artista solo, ameaçando desfazer o quarteto. Quando os músicos questionaram a falta de transparência nos pagamentos, iniciaram um processo judicial para preservar o direito ao nome e ao repertório. A companhia contra-atacou, mas o grupo venceu a disputa.

O hiato decorrente coincidiu com a pandemia de Covid-19. Nesse intervalo, todos aproveitaram para cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, retornando às atividades artísticas somente em 2022. A pausa forçada é mostrada na produção como período de reflexão que consolidou ainda mais o propósito coletivo.

Expansão internacional e chegada a festivais como The Rose no Coachella e Lollapalooza

Com a questão jurídica resolvida, o quarteto assinou contrato com a Transparent Arts, gravadora fundada pelo grupo americano de ascendência asiática Far East Movement, famoso pelo hit “Like a G6”. Essa parceria permitiu novas colaborações, inclusive com Suga, integrante do BTS, e aparições em programas de televisão coreanos.

Apesar das conexões domésticas, o mercado sul-coreano mostrou-se reticente após notícias sobre uma detenção de Sammy nos Estados Unidos por consumo de maconha, prática proibida no país asiático. Por outro lado, a recepção no exterior continuou positiva. O domínio do inglês, mesclado ao coreano nas letras, facilitou a expansão.

O ápice dessa fase é a participação no Coachella, festival norte-americano retratado em detalhes no longa. Imagens de bastidores exibem desde a preparação no camarim até a entrada no palco em 2024, definindo o evento como marco da jornada. No Brasil, a banda havia tocado no Lollapalooza meses antes, tornando-se a primeira formação sul-coreana a participar da edição nacional do festival, feito mencionado no filme, ainda que o enfoque principal permaneça no cenário californiano.

Relação com o público brasileiro e shows no país

A conexão com fãs brasileiros começou em 2018, quando a banda realizou sua primeira visita. Em 2022, um retorno inicialmente previsto para o Cine Joia, espaço com capacidade para 1.500 pessoas, acabou transferido para o Espaço Unimed, que acomoda até 8.000 espectadores, após demanda superior ao esperado. Pouco depois, a entrada de última hora no line-up do Lollapalooza brasileiro consolidou a percepção de que havia espaço para o indie rock sul-coreano fora do circuito k-pop tradicional.

Esses episódios são citados na produção como exemplos de repercussão internacional, reforçando a ideia de que a base de fãs da banda costuma ser mais robusta no exterior do que na Coreia do Sul. Para o público nacional, a estreia do documentário torna-se oportunidade de revisitar shows recentes e entender bastidores que antes permaneciam restritos ao círculo íntimo dos artistas.

Detalhes do documentário The Rose: Come Back to Me nos cinemas

Diferente dos cine-concertos comuns no universo do pop coreano, “The Rose: Come Back to Me” adota formato documental puro, com entrevistas, cenas de arquivo e imagens de performance. A direção é assinada por Eugene Yi e a distribuição no Brasil fica a cargo da Sato Company. Com 97 minutos de duração e classificação indicativa de 12 anos, o longa chega às salas nacionais a partir de quinta-feira (14).

No roteiro, cada integrante narra momentos-chave: a convivência em um apartamento compartilhado, os meses de ensaio diário, o processo criativo de composições e o impacto do serviço militar. Somam-se relatos sobre saúde mental, ressaltando episódios de depressão e superação, alinhados à mensagem de encorajamento presente nas letras.

Para fãs veteranos, o filme oferece material inédito sobre a disputa judicial e sobre o backstage do Coachella. Para novos espectadores, funciona como porta de entrada para entender por que um grupo fora do modelo de coreografias milimétricas conseguiu furar a bolha do k-pop e atrair plateias em diferentes continentes.

“The Rose: Come Back to Me” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (14), com 97 minutos de duração e classificação indicativa de 12 anos.

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