Desaparecidos em Pernambuco: quase oito sumiços por dia em 2025 revelam retrato alarmante

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O drama dos desaparecidos em Pernambuco ganhou novos contornos em 2025. Dados consolidados pelo painel de indicadores estatísticos do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 2.745 registros no período, marca que coloca o estado na nona posição nacional e estabelece uma média de quase oito pessoas sumidas a cada 24 horas.
- Escalada dos desaparecidos em Pernambuco: panorama geral
- Perfil dos desaparecidos em Pernambuco: gênero e estatísticas
- Crianças e adolescentes desaparecidos em Pernambuco: impacto familiar
- Banco Nacional de Perfis Genéticos: ferramenta para localizar desaparecidos em Pernambuco
- Procedimentos de registro: como acionar a polícia em casos de desaparecidos em Pernambuco
- A importância da mobilização social nos casos de desaparecidos em Pernambuco
- Próximos passos na política de desaparecidos em Pernambuco
Escalada dos desaparecidos em Pernambuco: panorama geral
O ranking federal mostra que, entre as 27 unidades da federação, Pernambuco figura entre aquelas com volume mais elevado de ocorrências. Embora a estatística bruta de 2.745 casos represente apenas parte do quadro nacional, ela evidencia um crescimento que preocupa autoridades e famílias. Em números absolutos, somente 271 dos desaparecidos localizaram-se no próprio ano, o que equivale a pouco menos de 10% de solução. A proporção ressalta o desafio logístico e investigativo enfrentado pela Polícia Civil de Pernambuco, pela Secretaria de Defesa Social (SDS) e pelos demais órgãos envolvidos na identificação de paradeiros.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela consolidação dos dados, utiliza informações enviadas pelas polícias civis de todo o país. Esse banco estatístico alimenta políticas públicas focadas em prevenção, busca e localização, além de nortear investimentos em tecnologia, treinamento e expansão de unidades especializadas.
Perfil dos desaparecidos em Pernambuco: gênero e estatísticas
Entre os 2.745 registros de 2025, o recorte etário e de gênero ilumina tendências específicas. Homens correspondem a 1.674 ocorrências, ou 61% do total. O predomínio masculino pode estar ligado a fatores que variam de migração em busca de trabalho até exposição a situações de risco urbano; no entanto, qualquer interpretação além do dado cru exigiria pesquisas que não constam no levantamento oficial. O que se confirma no painel é o impacto que a ausência de um membro do sexo masculino provoca na rede familiar — muitas vezes o provedor financeiro ou figura de referência.
Embora mulheres representem participação menor no total anual, as consequências do desaparecimento feminino são igualmente sensíveis. Crianças que perdem contato com a figura materna, por exemplo, podem ser direcionadas a abrigos estatais até que uma solução seja encontrada. Ainda dentro do cenário de 2025, independentemente do gênero, cada registro recebe tratamento singular pela Delegacia de Desaparecidos e de Proteção à Pessoa (DDPP), vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na capital.
Crianças e adolescentes desaparecidos em Pernambuco: impacto familiar
O indicador que mais chama atenção é o de menores de idade. Foram 695 desaparecimentos envolvendo pessoas entre zero e 17 anos — média de duas ocorrências diárias. A cifra concentra angústias particulares, pois envolve indivíduos em fase de dependência ou desenvolvimento. A cada caso, a família se torna protagonista das buscas, utilizando redes sociais, cartazes e denúncias anônimas para complementar o trabalho policial.
Duas histórias simbolizam esse cenário: o menino que sumiu aos oito anos, em 2015, enquanto brincava em frente à residência familiar, e o garoto de 13 anos desaparecido em 2025 após atravessar a rua para visitar a avó. Os relatos maternos incluem percursos imediatos de busca no bairro, ausência de pistas concretas e a permanência da incerteza por meses ou anos. Esses episódios reforçam a necessidade de protocolos rápidos, uma vez que o tempo de resposta nas primeiras 48 horas é considerado vital pela DDPP.
Banco Nacional de Perfis Genéticos: ferramenta para localizar desaparecidos em Pernambuco
Uma das estratégias mais robustas disponíveis é o Banco Nacional de Perfis Genéticos, coordenado pelo Ministério da Justiça e composto por amostras de DNA de pessoas desaparecidas, não identificadas ou vítimas de morte violenta. O método opera em duas frentes: coleta de vestígios biológicos de indivíduos sem documentos e inserção de amostras fornecidas por parentes que procuram entes sumidos.
Em Pernambuco, a perícia oficial — sob a liderança de peritos criminais como Camila Reis — mantém dez unidades aptas a receber familiares para coleta de material genético. Além da capital, os postos funcionam em Afogados da Ingazeira, Arcoverde, Caruaru, Garanhuns, Nazaré da Mata, Ouricuri, Palmares, Petrolina e Salgueiro. O procedimento é gratuito e recomendado a parentes de primeiro grau, pois quanto maior o grau de proximidade biológica, maiores as chances de correspondência.
Desde a implementação da base de dados, 726 identificações foram confirmadas no país; Pernambuco contribuiu com 146 delas. O resultado coloca o estado entre aqueles com melhor desempenho relativo, o que tem relação direta com a mobilização familiar para coleta de amostras e com a interlocução consistente entre peritos e delegados. Quando o sistema detecta compatibilidade, a delegacia responsável é notificada e comunica a família, seja para confirmar a localização de uma pessoa viva ou a identificação de um corpo sem documentos.
Procedimentos de registro: como acionar a polícia em casos de desaparecidos em Pernambuco
Para registrar oficialmente um desaparecimento no estado, basta dirigir-se a qualquer delegacia, independentemente da área de residência. No Recife, a Delegacia de Desaparecidos e de Proteção à Pessoa, chefiada pela delegada Tereza Nogueira, concentra esforços especializados. A unidade está situada no bairro do Cordeiro e recebe ocorrências sem exigência de prazo mínimo após o sumiço.
A orientação da chefia policial baseia-se no princípio da razoabilidade: se a rotina da pessoa é regrada e contatos foram tentados sem sucesso, a comunicação pode e deve ser imediata. Logo que o BO é registrado, a equipe inicia diligências, coleta imagens de câmeras próximas, entrevista vizinhos e alimenta sistemas internos. A investigação permanece aberta sempre que surgirem novos indícios, mesmo anos depois. Casos antigos de localização de restos mortais e prisão de suspeitos ilustram essa continuidade.
Outra recomendação da Polícia Civil é reunir, no momento do registro, itens que facilitem a identificação: fotografias atuais, roupas com traços distintos e objetos pessoais com DNA — informações que podem ser integradas ao Banco Nacional de Perfis Genéticos, multiplicando as frentes de procura.
Além do aparato estatal, a participação social desempenha papel determinante. Grupos de apoio, redes de vizinhança e canais de denúncias anônimas complementam o trabalho policial. Famílias impactadas reportam que publicações em redes sociais frequentemente geram pistas, estimulando pessoas que viram o desaparecido a fornecer informações à polícia. Em muitas ocasiões, essas pistas são cruzadas com registros oficiais, encurtando o tempo de localização.
A Delegacia de Desaparecidos também mantém contato com instituições hospitalares, conselhos tutelares e unidades do Instituto Médico Legal (IML) para ampliar o raio de busca. Quando há notícia de ingresso de paciente sem identificação ou de corpo não reclamado, o setor verifica correspondência com BOs registrados. O intercâmbio constante entre órgãos reforça a chance de sucesso, sobretudo em cenários de alta rotatividade de pacientes em grandes centros urbanos.
Próximos passos na política de desaparecidos em Pernambuco
A ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos segue como uma das prioridades do Ministério da Justiça e dos órgãos estaduais. Quanto maior o número de amostras, maior a capacidade de localizar pessoas em situação de desaparecimento ou de identificar vítimas não reconhecidas. Paralelamente, a SDS planeja expandir campanhas informativas sobre o procedimento de coleta, incentivando familiares de desaparecidos em Pernambuco a comparecer aos núcleos de Polícia Científica espalhados pelo interior.
A Delegacia de Desaparecidos deve continuar estimulando registros imediatos, reforçando que não existe carência de prazo e que toda hora conta. Enquanto isso, familiares de casos pendentes aguardam qualquer informação que possa surgir dos cruzamentos de DNA já em andamento ou de novas pistas obtidas em diligências futuras.

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