Custos da liquidação do banco Master: entenda o impacto real para a sociedade

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O banco Master foi liquidado pelo Banco Central no fim de 2025. Desde então, o setor financeiro passou a discutir quem arcará com a reposição dos recursos utilizados para cobrir passivos da instituição. Em entrevista concedida à Folha, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a recompra do valor sacado do fundo de garantia do sistema terá reflexos em toda a economia, elevando o custo de captação para novos empréstimos e influenciando o preço dos investimentos. As declarações reacenderam o debate sobre a distribuição dos prejuízos e o papel regulador do Estado.
- O colapso do banco Master: fatos essenciais
- Principais pontos da entrevista sobre o banco Master
- Como funciona o fundo que cobriu a quebra do banco Master
- Transmissão de custos: empréstimos mais caros e investimentos reajustados
- Lucros expressivos e a discussão sobre concentração de ganhos
- Participação de outras entidades nos papéis do banco Master
- O papel do Banco Central e as cobranças por fiscalização efetiva
- Revisão de normas e próximos passos após a quebra
O colapso do banco Master: fatos essenciais
De acordo com as informações tornadas públicas, a liquidação do banco Master ocorreu no encerramento de 2025. A medida extrema adotada pelo Banco Central implicou o encerramento imediato das operações da instituição e a utilização de recursos do fundo de garantia do sistema financeiro para honrar compromissos com credores e depositantes. Apesar da dimensão do episódio, boa parte da população só tomou conhecimento do caso quando os efeitos do colapso chegaram à imprensa. Antes do anúncio oficial, o nome do banco era desconhecido para a maioria dos brasileiros, incluindo parcelas que historicamente não têm contato direto com investimentos ou aplicações complexas.
Principais pontos da entrevista sobre o banco Master
Na conversa com o jornal, Milton Maluhy Filho descreveu as consequências financeiras do resgate feito no fundo de garantia. Segundo o executivo, o valor despendido “não desaparece” do sistema; ele precisa ser recuperado, e isso tende a ocorrer por meio da elevação dos preços de instrumentos financeiros. Em outras palavras, linhas de crédito poderão ficar mais caras, assim como aplicações em renda fixa ou outros produtos de investimento. O dirigente bancário defende que esse movimento é decorrência natural de um evento de grandeza rara e que, “no final do dia”, a sociedade como um todo será responsável por reequilibrar a conta.
Como funciona o fundo que cobriu a quebra do banco Master
O fundo de garantia citado na entrevista – financiado pelas próprias instituições financeiras – existe para mitigar riscos sistêmicos, permitindo que recursos sejam usados em casos de insolvência bancária. Quando uma instituição entra em liquidação, os valores necessários para preservar depósitos e compromissos prioritários são retirados desse mecanismo coletivo. Posteriormente, as entidades participantes precisam recompor o montante utilizado. Esse processo de reposição, de acordo com a fala de Maluhy Filho, resulta em repasse de custos, pois as instituições ajustam suas estruturas de preço para recuperar a parcela adicional que terão de aportar.
A lógica de socialização do risco entre os bancos foi concebida para proteger correntistas de pequenos e médios portes. No entanto, conforme observam críticos, ela também pode levar a um efeito cascata: uma vez usado o fundo, todos os integrantes do sistema devem participar da recomposição, independentemente do grau de exposição que mantinham ao ativo problemático.
Transmissão de custos: empréstimos mais caros e investimentos reajustados
O CEO do Itaú argumenta que a necessidade de repor a reserva afeta variáveis fundamentais do mercado de crédito e de capitais. Na prática, as taxas cobradas em financiamentos ao consumo, capital de giro ou hipotecas tendem a refletir o aumento do custo de captação. Da mesma forma, emissões de títulos privados podem oferecer rendimentos menores aos investidores ou prazos mais curtos, pois as instituições buscam compensar o desembolso feito para reabastecer o fundo.
Para o público em geral, esse encarecimento se manifesta em prestações mais altas ou em menor facilidade para obtenção de crédito. Investidores institucionais, como fundos de previdência, também sentem o impacto por meio da remuneração de seus portfólios. A combinação desses fatores reforça a percepção de que a fatura se espalha por toda a sociedade, inclusive entre quem não possuía qualquer relação direta com o banco Master.
Lucros expressivos e a discussão sobre concentração de ganhos
O Itaú Unibanco – maior banco brasileiro em ativos – reportou lucro próximo de R$ 46 bilhões no último ano. O dado aparece como contraponto frequente no debate: se as instituições financeiras alcançam resultados bilionários em períodos normais, por que os prejuízos decorrentes de operações arriscadas recairiam sobre o público em geral? Essa pergunta norteia críticas que veem uma assimetria entre a concentração dos ganhos e a difusão das perdas.
As vozes dissonantes lembram que, enquanto o setor comemora margens robustas, boa parte da população enfrenta renda em queda real, juros elevados no crédito rotativo e dificuldades para equilibrar despesas básicas. O contraste aprofunda o questionamento sobre a legitimidade de repassar custos sistêmicos a um coletivo amplo que inclui trabalhadores informais, beneficiários de programas de transferência de renda e famílias sem patrimônio financeiro.
Participação de outras entidades nos papéis do banco Master
Além dos bancos que integram o fundo, empresas de investimento venderam títulos vinculados ao banco Master a diferentes perfis de clientes e, conforme indicado no debate público, receberam comissões por essa intermediação. À medida que a insolvência se confirmou, carteiras administradas por fundos de pensão e parte dos recursos de aposentados ficaram expostos ao risco de perda. Embora não haja detalhes adicionais no material original, o dado reforça a presença de efeitos indiretos sobre segmentos que buscam rendimento de longo prazo para garantir sua subsistência.
O papel do Banco Central e as cobranças por fiscalização efetiva
A liquidação do banco Master coloca em evidência a atuação do Banco Central como supervisor do sistema financeiro. Entre suas atribuições formais estão a análise de balanços, a checagem da solidez patrimonial das instituições e, se necessário, a intervenção para prevenir colapsos. O episódio acende a discussão sobre a eficácia dessas ferramentas regulatórias: alertas prévios teriam sido ignorados? Havia espaço para medidas corretivas antes do agravamento da situação?
Também ganha força o conceito de autonomia operacional do regulador. Defensores de uma supervisão mais rigorosa afirmam que a autarquia precisa unir independência técnica a poder de intervenção, aplicando medidas preventivas sempre que indícios de desequilíbrio estrutural surgirem. Por outro lado, integrantes do mercado costumam ponderar que regras muito rígidas podem inibir a concessão de crédito, reduzindo o dinamismo econômico. A forma de equilibrar estabilidade e crescimento se mantém no centro da pauta.
Revisão de normas e próximos passos após a quebra
Desde o anúncio da liquidação, autoridades e entidades representativas discutem ajustes na regulamentação para evitar repetição de casos semelhantes. Entre os temas na mesa estão: aumento do nível de capital exigido para operações de maior risco, critérios mais estritos para cálculo de provisionamentos e expansão dos mecanismos de transparência na distribuição de títulos bancários. Segundo fontes do debate, a combinação dessas medidas busca reduzir a probabilidade de novas intervenções que pressionem o fundo de garantia.
Enquanto as mudanças não se concretizam, o processo de recomposição do fundo prossegue. Cada banco participante deverá aportar valores proporcionais à sua participação de mercado, conforme metodologia já estabelecida pelo regulador. Esse cronograma impactará gradualmente o custo das operações que chegam ao consumidor final. Assim, nos próximos meses, o público deverá acompanhar com atenção os reajustes nas taxas de empréstimo, indicadores de captação em renda fixa e as pautas de reuniões técnicas no Banco Central que tratam de solvência e governança.
Até o momento, não há previsão oficial de data para a conclusão da recomposição nem anúncio de novas audiências públicas sobre o tema. O desfecho, portanto, dependerá da velocidade com que o sistema financeiro absorver o impacto e da amplitude das mudanças regulatórias em discussão.

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