Crítica no El País chama “O Agente Secreto” de longo e pouco estimulante; veja por que o filme premiado divide opiniões

Crítica no El País chama “O Agente Secreto” de longo e pouco estimulante; veja por que o filme premiado divide opiniões

O Agente Secreto, longa brasileiro dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, estreou na Espanha sob holofotes contraditórios: enquanto acumula prêmios internacionais e quatro indicações ao Oscar, recebeu no jornal El País uma avaliação severa que o classificou como “longo e pouco estimulante”.

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Estreia espanhola de O Agente Secreto marcada por reprovação contundente

A primeira exibição comercial de O Agente Secreto em salas espanholas ocorreu na quinta-feira, 20, e foi acompanhada pela crítica publicada por Carlos Boyero, um dos mais conhecidos e discutidos analistas de cinema daquele país. No texto, o jornalista relata que entrou na sessão esperando um suspense tenso, motivado pela narrativa situada no período da ditadura militar brasileira e pela presença de um assassino profissional na trama. Ao sair, porém, confessou tédio e frustração, resumindo a experiência como um filme em que “não há nada que perturbe ou distraia”.

Boyero manifestou também dificuldade em compreender o enredo, afirmando que seria necessário algum espectador empenhado para “explicar” a história. Para ele, a combinação de longa duração com o que chamou de “pretensões estilísticas vazias” impede que a obra ofereça clareza sobre suas intenções ou empatia suficiente para envolver o público.

Quem é Carlos Boyero e por que sua opinião repercute

Carlos Boyero consolidou-se como figura de referência na crítica cinematográfica espanhola pelas análises diretas e pelo tom frequentemente controverso. Seu espaço no El País, um dos maiores jornais de língua espanhola, garante ampla visibilidade e gera repercussão imediata, sobretudo quando o alvo é um título que chega às telas já consagrado em festivais e premiações. Ao descrever O Agente Secreto como “pouco estimulante”, Boyero instaura contraste direto com a recepção majoritariamente positiva que o filme havia acumulado no Brasil, nos Estados Unidos e em outros circuitos.

A crítica negativa também destacou a interpretação de Wagner Moura. Segundo Boyero, o ator demonstra “presença” e “sobriedade gestual”, mas não produz impacto suficiente para alterar sua avaliação global da obra. Assim, mesmo admitindo qualidades pontuais, o texto conclui que o conjunto não atinge valor artístico significativo.

Enredo de O Agente Secreto: fuga, ditadura e identidade trocada

No centro da narrativa, O Agente Secreto acompanha um professor universitário que, após desentender-se com um empresário em São Paulo, decide fugir para manter-se a salvo. A volta à cidade natal, Recife, marca o início de uma vida clandestina: sob nome falso, ele busca esconder-se enquanto se adapta à constante sensação de ameaça. O pano de fundo da ditadura militar permeia a trama e afeta diretamente o protagonista, descrito por Boyero como “um cara muito normal encurralado por aquela duradoura barbaridade”.

O elemento de um assassino profissional, citado pelo crítico espanhol, acrescenta expectativa de tensão típica de thrillers políticos. Entretanto, na leitura negativa publicada no El País, essa promessa de suspense não se concretiza de forma satisfatória. O resultado, segundo o artigo, seria uma longa metragem que não consegue conciliar reflexão histórica com ritmo narrativo envolvente.

Contraste entre a crítica no El País e o reconhecimento internacional de O Agente Secreto

A reação de Carlos Boyero destoa do panorama até então favorável ao título. No Brasil, O Agente Secreto integrou listas de melhores filmes do ano, enquanto veículos norte-americanos de referência, como The New York Times e The New Yorker, registraram elogios. Lançado comercialmente no circuito brasileiro em novembro, o longa consolidou-se como destaque da temporada de prêmios.

O histórico recente inclui a vitória no Globo de Ouro nas categorias de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator. Em seguida, somou o Critics Choice Award de melhor filme estrangeiro e o Spirit Awards de melhor filme internacional. Antes disso, a estreia mundial em maio, no Festival de Cannes, rendeu troféus de melhor ator para Wagner Moura e de melhor diretor para Kleber Mendonça Filho. Esses reconhecimentos reforçam a percepção de que a obra possui relevância artística e impacto cultural, mesmo que parte da crítica europeia, representada pela voz de Boyero, discorde desse consenso.

Durabilidade, estilo e transparência: pontos centrais das críticas a O Agente Secreto

A avaliação do El País concentra-se em três eixos principais. O primeiro é a duração: Boyero aponta que o tempo de projeção lhe parece excessivo em relação ao ritmo do roteiro. O segundo é o que descreve como “pretensões estilísticas vazias”, sugerindo que escolhas formais não seriam acompanhadas por conteúdo narrativo capaz de justificá-las. O terceiro, a “transparência falha”, refere-se à dificuldade de decifrar o que o filme efetivamente pretende comunicar.

Esses elementos conflitam frontalmente com as opiniões positivas encontradas em outras publicações, nas quais a mesma estrutura formal foi interpretada como construção atmosférica deliberada e o prolongamento da narrativa como recurso para evidenciar a opressão do período histórico retratado. O debate evidencia a divisão crítica comum a obras que mesclam política e suspense, sobretudo quando trazem pontos de vista locais para plateias internacionais.

Próximos passos de O Agente Secreto rumo ao Bafta e ao Oscar

Apesar do dissenso provocado pela crítica espanhola, O Agente Secreto segue firme na temporada de premiações. No domingo, 22, o filme disputa dois troféus no Bafta, maior premiação britânica dedicada ao cinema, concorrendo a melhor filme em língua não inglesa e melhor roteiro original. Poucas semanas depois, em 15 de março, a produção estará na cerimônia do Oscar, onde figura em quatro categorias: melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor direção de elenco.

A permanência de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho nas principais listas de indicados reforça a atenção global sobre a obra. A forma como jurados britânicos e norte-americanos reagirão poderá confirmar a tendência favorável ou indicar que a visão expressa por parte da crítica europeia encontra eco em outros segmentos da indústria. De todo modo, o desfecho desse percurso de premiações fornecerá novo termômetro para medir a recepção de um dos títulos mais comentados da filmografia brasileira recente.

Próxima data importante: 22 de fevereiro, quando serão revelados os vencedores do Bafta nas categorias em que O Agente Secreto está indicado.

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