Crítica ao Daje Roma detalha falhas em pratos clássicos e ambiente que remete a trattoria turística

Crítica ao Daje Roma detalha falhas em pratos clássicos e ambiente que remete a trattoria turística
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O restaurante Daje Roma, instalado na rua Mateus Grou, 19, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, foi submetido a uma análise gastronômica que revelou inconsistências em preparações centrais da culinária italiana. A casa, que se promove como “o ponto mais próximo do Coliseu na cidade”, oferece decoração temática e atendimento caloroso, mas, segundo o levantamento, deixa lacunas elementares na execução de massas, carnes e molhos. O relato a seguir destrincha cada aspecto observado, dos primeiros minutos no salão até a sobremesa, reforçando os pontos onde a cozinha mostrou fragilidades e onde conseguiu algum acerto.

Índice

Daje Roma e a promessa de “Roma em São Paulo”

A comunicação oficial do Daje Roma sustenta que o cliente deve se sentir transportado para a capital italiana. Esse conceito é reforçado por afrescos de paisagens romanas aplicados às paredes, louças estampadas com tomates e um cardápio composto por receitas tradicionais — espaguete ao pomodoro, lasanha, tagliata di manzo e tiramisu, entre outras. Durante a visita realizada em um sábado, o salão apresentava poucos assentos e elementos decorativos desalinhados, como quadros tortos e baldes de gelo vazios distribuídos sem razão aparente pelo espaço. Apesar do cenário pouco organizado, o atendimento foi descrito como atencioso e animado, sugerindo que a equipe de salão busca compensar, no contato direto com o público, eventuais falhas de infraestrutura.

Ambientação e primeiros impactos no Daje Roma

Os detalhes do ambiente exerceram papel relevante na experiência inicial. A desatenção a pontos básicos de ordem — quadros fora do prumo e utensílios dispersos — indicou falta de zelo na apresentação, fator que, para observadores de prática profissional de cozinha, pode soar como sinal de descuido em etapas internas. Mesmo assim, a disposição das mesas e a temática visual cumpriram o propósito de criar referência imediata a Roma. O serviço, citado como cortês e entusiasmado, manteve ritmo constante na recepção de pedidos, oferecendo sugestões espontâneas, como a recomendação da lasanha feita a uma cliente durante a refeição.

Daje Roma: espaguete ao pomodoro revela problemas de base

O primeiro prato avaliado foi o espaguete ao pomodoro, tarifado em R$ 69. A montagem chegou à mesa em louça funda decorada com tomates, coroada por folhas frescas de manjericão e pedaços de muçarela de búfala. Apesar da apresentação simpática, a preparação apresentou deficiências: a massa não alcançou textura ou sabor marcantes, enquanto o molho foi descrito com aparência, aroma e paladar similares aos de uma passata industrializada. A acidez pronunciada sugeriu que o cozimento do tomate foi abreviado, privando o molho do tempo necessário para desenvolver doçura e corpo. Como resultado, o prato que deveria representar um dos pilares da cozinha romana terminou sem brilho culinário.

Recomendação da casa: lasanha não confirma expectativa

A lasanha, apontada pelo garçom como “muito boa”, custa R$ 80 e foi solicitada na sequência. Ao chegar, exibiu camadas bem posicionadas e porção robusta. Contudo, os problemas identificados no espaguete repetiram-se: o mesmo molho de tomate de perfil industrial foi utilizado na base do prato, comprometendo a coerência de sabor. Entre as folhas de massa, o ragu apareceu seco, distante da suculência esperada para um recheio lentamente cozido. A ausência perceptível de molho branco — componente clássico que confere umidade e cremosidade — reduziu ainda mais o equilíbrio da receita. A temperatura morna e a aparência pálida denunciaram pressa no processo de gratinar, reforçando a impressão de que as etapas finais de aquecimento não receberam a devida atenção.

Tagliata di manzo: equívocos de ponto comprometem prato principal do Daje Roma

Para avaliar a seção de carnes, foi escolhida a tagliata di manzo, listada a R$ 112. Tradicionalmente, essa preparação consiste em fatias finas de carne selada, mantendo miolo rosado e suculento. O prato, porém, chegou à mesa com quatro peças em níveis distintos de cocção, variando de malpassado a bem-passado, impossibilitando uniformidade de experiência. Como acompanhamento, foi servido risoto de parmesão finalizado com fios de redução de balsâmico. Embora o arroz apresentasse cremosidade satisfatória, os grãos estavam além do ponto al dente ideal, preservando dureza excessiva. Ainda assim, o risoto figurou entre os itens menos problemáticos, mostrando que a cozinha consegue algum acerto pontual, mas falha em manter consistência no componente principal da refeição.

Sobremesa e o momento mais positivo da avaliação

Na etapa final, a escolha recaiu sobre o tiramisu, oferecido ao lado de musse de chocolate e affogato pelo mesmo valor de R$ 39. O doce surgiu como o elemento de maior aprovação no levantamento. As camadas de biscoito champanhe estavam umedecidas de maneira equilibrada em café e marsala, resultado que evitou textura encharcada. O creme também foi elogiado, pois mantinha leveza e se desfazia facilmente na boca. Além disso, o tamanho da porção permite partilha entre dois comensais. Dentro de uma sequência marcada por erros técnicos, a sobremesa demonstrou que o estabelecimento possui capacidade de executar receitas com correção quando há atenção ao processo.

Resumo técnico da visita ao Daje Roma

A análise detalha um contraste evidente entre a proposta do Daje Roma e a entrega final. De um lado, o restaurante sustenta conceito de trattoria romana, investe em ambientação temática e conta com equipe de salão engajada. De outro, falha em fundamentos culinários, como controle de ponto de cottura de massas e carnes, balanceamento de molhos e temperatura de serviço. Os preços — R$ 69 no espaguete, R$ 80 na lasanha, R$ 112 na tagliata e R$ 39 nas sobremesas — posicionam o local em faixa intermediária a alta, e, nesse contexto, a consistência técnica torna-se requisito ainda mais relevante.

A diversidade de problemas, relatada ao longo do serviço de almoço, permite concluir que o restaurante precisa rever processos de mise-en-place, tempo de cocção e finalização de pratos para alinhar a experiência oferecida com o discurso de transportar clientes à Itália. O único evento futuro mencionado durante a refeição foi o convite do garçom para o retorno dos frequentadores, reforçando a intenção da casa de fidelizar público mesmo diante das críticas recebidas.

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