Crime organizado: mais de R$ 900 milhões foram bloqueados no Rio em 2025

Crime organizado: mais de R$ 900 milhões foram bloqueados no Rio em 2025

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encerrou 2025 com um balanço inédito no combate ao crime organizado que atua no estado: o bloqueio judicial de R$ 906.265.077,21 em valores associados a indivíduos e grupos criminosos. A cifra foi alcançada por meio do trabalho do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que concentrou esforços em investigações patrimoniais, confisco de bens e articulações interinstitucionais durante todo o ano.

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Bloqueio recorde contra o crime organizado no Rio de Janeiro

Os mais de R$ 900 milhões bloqueados representam um marco na asfixia financeira de organizações ilícitas que atuam em território fluminense. Segundo o Gaeco, o congelamento de ativos é considerado ferramenta estratégica para minar a estrutura econômica desses grupos, impedindo que recursos ilícitos sejam reinvestidos em novas atividades criminosas ou lavados no circuito formal.

Ao longo de 2025, o grupo especializado concentrou-se em acompanhar, rastrear e representar ao Judiciário pela indisponibilidade de contas bancárias, imóveis, veículos e participações societárias associadas a facções, milícias, contraventores e esquemas de corrupção. O valor final reflete decisões judiciais favoráveis, requeridas a partir de provas obtidas em ações de busca e apreensão, quebras de sigilo e cooperação com órgãos públicos de alcance nacional e transnacional.

Estratégias de investigação patrimonial e cooperação institucional

Para chegar ao resultado numérico, o Gaeco aprimorou metodologias de investigação patrimonial e multiplicou parcerias com outras instituições de segurança. Uma das iniciativas de maior repercussão foi o Acordo de Cooperação Técnica firmado em março de 2025 entre o MPRJ e a Polícia Civil do estado. O instrumento formalizou o intercâmbio de dados sobre crimes financeiros, ampliou o acesso a bases cadastrais e instituiu protocolos para aplicação do confisco de bens nas investigações patrimoniais.

O modelo adotado incluiu a utilização de análises contábeis detalhadas, cruzamento de dados bancários e verificação de transações suspeitas em tempo real. Esse conjunto de práticas também possibilitou identificar movimentações internacionais, alinhando os esforços locais com iniciativas de combate a crimes transnacionais.

Denúncias e operações judiciais contra o crime organizado

Além do bloqueio de valores, o Gaeco protocolou 70 denúncias criminais que alcançaram 767 réus em 2025. Entre os denunciados, 120 eram agentes públicos, indicativo de que práticas de corrupção e peculato continuam alimentando a atuação de facções e milícias. Essas denúncias forneceram base para 39 operações executadas ao longo do ano, nas quais foram expedidos e cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão.

As ordens judiciais permitiram recolher documentos, apreender equipamentos eletrônicos e capturar integrantes de diversos núcleos criminosos. Cada operação baseou-se em investigações prévias que associaram delitos patrimoniais aos responsáveis, fortalecendo o entendimento de que interromper o fluxo financeiro é determinante para desarticular estruturas ilícitas.

Casos emblemáticos que marcaram o ano

Diversas ações ganharam destaque pela relevância dos alvos e pela complexidade dos delitos. Entre elas, o cumprimento de mandados relacionados ao homicídio do advogado Rodrigo Crespo evidenciou a articulação do Gaeco em casos de crimes contra a vida com motivação ligada a disputas criminosas.

Outro episódio de grande alcance foi a operação contra uma quadrilha que furtava petróleo bruto de dutos da Transpetro nos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Essa investigação, de caráter interestadual, demonstrou o potencial de lucro milionário dessas práticas e justificou o confisco alargado para ressarcir o erário e compensar danos ambientais.

Também merece menção a participação em iniciativas conjuntas com outros ministérios públicos, como a Operação Carbono Oculto, deflagrada em São Paulo contra um esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis. A integração permitiu que provas e valores rastreados em diferentes unidades da federação fossem compartilhados, ampliando o impacto financeiro sobre o crime organizado.

Medidas cautelares e manutenção de líderes do crime organizado em presídios federais

Durante 2025, o MPRJ obteve decisões cautelares que garantiram a permanência de líderes criminosos em presídios federais de segurança máxima. Entre as determinações confirmadas estão a manutenção do contraventor Rogério de Andrade em Campo Grande (MS) e do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, em Brasília (DF). Tais decisões visam reduzir a influência desses chefes sobre subordinados em liberdade, além de evitar que ordenem novos crimes a partir de unidades prisionais estaduais.

Em outra frente, o Tribunal de Justiça manteve, em segunda instância, a sentença de pronúncia que levará a julgamento o bicheiro Bernardo Bello e Wagner Dantas Alegre pelo homicídio do contraventor Alcebíades Paes Garcia, o Bid. A manutenção das cautelares reforça o foco do Gaeco em evitar que figuras de liderança retomem o controle financeiro das organizações enquanto respondem a processos.

Avanço no ambiente digital: criação do CyberGaeco

Atento à migração de práticas ilícitas para espaços virtuais, o MPRJ instituiu o CyberGaeco, estrutura interna voltada a crimes que envolvem tecnologia, criptomoedas e lavagem de dinheiro por meios digitais. A iniciativa reflete a necessidade de acompanhar a sofisticação dos grupos criminosos, que utilizam plataformas online, transferências internacionais e ativos digitais para ocultar patrimônio.

O núcleo especializado passa a atuar de forma integrada com as equipes tradicionais do Gaeco, agregando conhecimentos em rastreamento de criptoativos, análise forense de dispositivos e monitoramento de redes sociais. A expectativa é que a especialização contribua para ampliar o montante de valores bloqueados em 2026, dado que parcelas relevantes do lucro ilícito já circulam em carteiras digitais ou empresas de fachada hospedadas em servidores estrangeiros.

Os resultados de 2025 — R$ 906 milhões bloqueados, 70 denúncias formalizadas e 39 operações deflagradas — consolidam a estratégia de sufocar financeiramente o crime organizado no estado. A criação do CyberGaeco e a manutenção de parcerias com forças policiais e outros ministérios públicos sinalizam continuidade dessas ações no ano que se inicia.

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