Criaturas marinhas no Chile: expedição revela espécies inéditas nas montanhas submarinas do Pacífico

Criaturas marinhas no Chile: expedição revela espécies inéditas nas montanhas submarinas do Pacífico
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Uma expedição científica liderada pelo Schmidt Ocean Institute documentou criaturas marinhas no Chile que nunca haviam sido vistas, revelando um ecossistema isolado nas profundezas do oceano Pacífico. A missão alcançou montanhas submersas situadas em águas internacionais próximas à costa chilena, onde foram catalogadas mais de cem espécies potencialmente novas para a ciência. O trabalho, realizado com veículos robóticos capazes de mergulhar a milhares de metros, mapeou 52 000 quilômetros quadrados de relevo submarino com precisão sem precedentes.

Índice

Montanhas isoladas abrigam criaturas marinhas no Chile

O ponto central da descoberta está em quatro montanhas submarinas localizadas fora do território costeiro chileno, mas dentro de uma área de influência ecossistêmica direta do país. Esses relevos funcionam como ilhas de biodiversidade em meio ao mar profundo, suprindo abrigo, alimento e rotas de dispersão para organismos que não sobreviveriam no ambiente aberto adjacente. O isolamento geográfico favoreceu processos evolutivos próprios, levando ao aparecimento de morfologias que até então não haviam sido registradas em outros oceanos.

Nesse cenário, exemplares de moluscos, crustáceos e cnidários desenvolveram traços singulares. Em alguns casos, a bioluminescência serve tanto para comunicação quanto para camuflagem, estratégia essencial na escuridão permanente do abismo. A incidência de cores vibrantes, membros alongados e tecidos transparentes também se relaciona com a necessidade de maximizar a captura de nutrientes num ambiente de recursos escassos.

Mapeamento de 52 mil km² detalha distribuição das criaturas marinhas no Chile

A caracterização topográfica coube ao navio de pesquisa Falkor (too), que lançou pulsos de sonar de alta resolução para desenhar o contorno do leito marinho. O mapeamento, cobrindo uma área equivalente a mais de 34 vezes a cidade de Santiago, permitiu identificar encostas, planaltos e vales submarinos onde a vida se concentra. Ao reconhecer pontos de maior complexidade geomorfológica, a equipe direcionou os veículos operados remotamente (ROVs) para registrar imagens e coletar amostras biológicas com um nível de detalhe inédito.

Os dados batimétricos gerados servem agora como base para a análise da distribuição espacial das populações encontradas. Essa abordagem ilumina como as correntes profundas transportam larvas, detritos e nutrientes entre montanhas distantes, criando um sistema conectado que sustenta muitas das criaturas marinhas no Chile recém-descritas.

Tecnologia subaquática facilita o estudo das criaturas marinhas no Chile

A principal ferramenta de investigação foi um robô subaquático equipado com braços articulados, sensores de atmosfera dissolvida e câmeras 4K. Capaz de suportar pressões extremas, o veículo operou a profundidades nas quais a luz solar não penetra, garantindo que as amostras fossem recolhidas sem dano ao frágil ecossistema. O controle remoto, efetuado a partir do convés do Falkor (too), transmitiu vídeo em tempo real para centros de pesquisa em diferentes continentes, permitindo que especialistas de várias áreas acompanhassem cada etapa da missão.

Esse fluxo imediato de informações elimina atrasos históricos entre coleta de material e análise laboratorial, acelerando a classificação taxonômica. Graças a essa infraestrutura, mais de cem organismos foram identificados como potenciais novos integrantes da biodiversidade global. Entre eles, destacam-se porcos do mar de tonalidade rosada, corais espiralados de grande porte, lagostas agachadas com pinças alongadas e esponjas de vidro que erguem verdadeiros jardins de sílica no fundo oceânico.

Principais grupos identificados e características adaptativas

Os cnidários formam um dos conjuntos mais representativos do levantamento. Corais milenares brilham naturalmente, indicando a pureza da água e servindo de abrigo para pequenos peixes. Equinodermos, como novas variações de estrelas-do-mar, exibem cores intensas que, mesmo na ausência de luz visível, podem refletir comprimentos de onda emitidos por outras espécies bioluminescentes. Nos crustáceos, sensores distribuídos ao longo das antenas e carapaças permitem detectar vibrações mínimas, facilitando a navegação entre fendas rochosas.

Outro fator de interesse envolve a presença de moluscos com apêndices tubulares, popularesmente chamados de porcos do mar. Esses organismos fazem contato direto com o sedimento para filtrar partículas orgânicas, transformando o fundo em um tapete vivo que recicla nutrientes. Já as esponjas de vidro constroem estruturas de sílica que podem atingir grande extensão, proporcionando substrato para inúmeras formas de vida secundária.

Relevância ecológica e medidas de conservação

A identificação de criaturas marinhas no Chile em ambientes isolados reforça a importância de proteger montanhas submarinas contra impactos da mineração de fundos oceânicos e da pesca industrial. As formações estudadas funcionam como pontos de reabastecimento ecológico, onde predadores e presas mantêm ciclos vitais que influenciam cadeias alimentares em escalas regionais. Além disso, a saúde desses ecossistemas exerce papel indireto na regulação climática, pois muitos dos organismos encontrados participam da fixação de carbono em camadas profundas.

Os dados reunidos pela expedição já são utilizados como argumento para a criação de áreas marinhas protegidas em nível internacional. A cooperação entre países torna-se essencial, porque os relevos analisados localizam-se em águas internacionais, fora de qualquer zona econômica exclusiva. Iniciativas de legislação voltadas à limitação de atividades extrativistas ganham força com o respaldo científico oferecido pelo Schmidt Ocean Institute e por pesquisadores associados.

Processo de catalogação e próximos passos

Após o retorno das amostras aos laboratórios, especialistas prosseguem com análises genéticas, morfológicas e de comportamento. O objetivo é confirmar o status de novidade das espécies observadas e, em seguida, publicar descrições formais em periódicos científicos. Esse procedimento inclui fotografias de alta resolução, medições precisas e comparação com espécimes já presentes em museus de história natural.

Os organismos que exibem bioluminescência serão avaliados quanto aos compostos químicos responsáveis pela emissão de luz. Tais substâncias tendem a despertar interesse nas áreas de biotecnologia e medicina, sempre sob o princípio de manejo sustentável. Paralelamente, o mapeamento físico do leito oceânico permanece em expansão, com planos de estender a metodologia a outras cadeias montanhosas do Pacífico para investigar possíveis corredores de migração.

Impacto científico global

A missão demonstra como a aplicação de robótica avançada e sensoriamento remoto acelera a revisão do conhecimento sobre a vida marinha. Até poucas décadas atrás, camadas oceânicas a milhares de metros eram consideradas inacessíveis. Com a operação integrada do Falkor (too) e a expertise do Schmidt Ocean Institute, foi possível registrar de maneira não invasiva um conjunto riquíssimo de espécies que agora amplia o catálogo da biodiversidade planetária.

Os resultados contribuem para atualizar modelos de dispersão biológica, evidenciar a importância de montanhas submarinas como refúgios ecológicos e reforçar a necessidade de políticas internacionais de conservação. Esse conjunto de informações pavimenta o caminho para programas de monitoramento contínuo, assegurando que futuras gerações tenham acesso a um oceano saudável e capaz de sustentar a dinâmica climática da Terra.

As análises laboratoriais das amostras coletadas serão divulgadas em relatórios subsequentes, etapa essencial para confirmar oficialmente cada nova espécie encontrada durante a expedição.

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