Relatório indica que contas premium do X podem driblar sanções dos EUA ao Irã

Relatório indica que contas premium do X podem driblar sanções dos EUA ao Irã
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contas premium do X estão no centro de um novo debate sobre a observância das sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã. Um relatório do Tech Transparency Project (TTP) indica que a plataforma, controlada por Elon Musk, forneceu o selo azul – atrelado a assinaturas pagas do serviço X Premium – a mais de 20 perfis ligados ao governo iraniano, a agências estatais e a veículos de comunicação oficiais. O documento, obtido pela revista WIRED, sugere que tais transações podem contrariar as restrições impostas por Washington a Teerã.

Índice

Contas premium do X: como o relatório identifica possível violação de sanções

O TTP mapeou perfis que, além de contarem com o cobiçado selo azul, utilizaram ferramentas adicionais ofertadas apenas aos assinantes pagos. Esses recursos incluem maior alcance para postagens, possibilidade de veiculação de anúncios e posicionamento privilegiado no algoritmo da plataforma. Ao aceitar pagamentos de autoridades iranianas para liberar tais funcionalidades, a empresa de Elon Musk estaria, segundo a organização, “minando” a política de sanções do Departamento do Tesouro norte-americano.

As sanções em vigor bloqueiam transações financeiras com figuras do regime iraniano classificadas na lista de nacionais especialmente designados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Embora exista uma exceção que garante o acesso público e gratuito a serviços de comunicações, o relatório sustenta que a cobrança pela assinatura premium ultrapassa o escopo permitido, transformando a interação em uma transação comercial proibida.

Quem são as figuras iranianas que mantinham contas premium do X

Entre os perfis identificados pelo TTP, destacam-se Ali Larijani, Ali Akbar Velayati e Ali Ahmadnia. Cada um deles ocupa, ou ocupou, cargos de relevância no círculo de poder do Irã:

Ali Larijani – Ex-presidente do Parlamento iraniano e atualmente assessor sênior do Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei. Acusado pelo Tesouro dos EUA de atuar na repressão a protestos pacíficos, Larijani mantém mais de 120 mil seguidores na plataforma.

Ali Akbar Velayati – Ex-ministro das Relações Exteriores, conselheiro de política externa de Khamenei e sancionado em 2019 por supostamente oferecer apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad. Também é alvo de mandado de captura da Justiça argentina por suspeita de ligação com o atentado a um centro comunitário judaico em 1994, que deixou 85 mortos.

Ali Ahmadnia – Responsável pelas comunicações do presidente iraniano, utilizava a conta para publicar um link de doação em bitcoins, funcionalidade disponível apenas a quem paga pelo pacote premium.

A presença do selo azul nessas contas sinaliza, de acordo com o X, que o perfil possui “assinatura ativa” e está em conformidade com critérios de elegibilidade definidos pela própria rede. Por ser um serviço pago, tal status implica transferência de recursos, algo sensível quando se lida com indivíduos sancionados.

Cronologia dos protestos no Irã e a atuação do X Premium

Os acontecimentos se intensificaram no fim de dezembro, quando a moeda local, o rial, sofreu forte desvalorização frente ao dólar, desencadeando manifestações contra a grave crise econômica. Os protestos rapidamente ganharam tom político, com pedidos de mudança de regime e críticas diretas ao aiatolá Ali Khamenei, que está no poder há 37 anos.

Durante a repressão estatal, milhares de manifestantes teriam sido presos ou mortos. Nesse contexto, Elon Musk usou o X para qualificar Khamenei como “delirante” e oferecer o serviço de banda larga via satélite Starlink gratuitamente a qualquer pessoa que possuísse o terminal. Naquele momento, o governo de Teerã mantinha bloqueio quase total ao acesso convencional à internet.

Paralelamente, personagens vinculados ao governo iraniano – alguns deles com o selo azul pago – utilizavam a plataforma para divulgar mensagens oficiais e, em certos casos, ameaças. O chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, chegou a declarar na rede que “não mostraria misericórdia” aos manifestantes, antes de ter a verificação removida após contato da imprensa.

O TTP ressalta que a possibilidade de impulsionamento de conteúdo e anúncios patrocinados por meio das contas premium do X poderia ter ampliado artificialmente o alcance da propaganda estatal, enquanto a população comum encontrava barreiras para se conectar à rede.

Entenda as sanções dos EUA e as exceções para serviços digitais

As sanções norte-americanas contra o Irã visam restringir o financiamento de atividades consideradas ilícitas, limitar a cooperação militar e pressionar o regime em questões de direitos humanos. Dentro desse arcabouço, o OFAC mantém uma lista de indivíduos e organizações cujos bens e transações ficam bloqueados.

Em 2022, uma licença geral foi emitida permitindo que empresas de tecnologia fornecessem, de forma aberta e gratuita, plataformas de comunicação para usuários no Irã. O objetivo declarado era facilitar o fluxo de informação entre cidadãos iranianos e o restante do mundo, contornando censuras internas.

O ponto de debate levantado pelo TTP reside justamente na natureza paga do X Premium. Se as contas estatais pagaram pelo selo azul, estariam envolvidas em uma “exportação de serviços” não contemplada pela licença. Especialistas ouvidos pelo relatório, como os advogados Kian Meshkat e Oliver Krischik, afirmam que, sem detalhes contratuais, não se pode cravar a violação, mas que a venda de vantagens exclusivas tende a fugir do escopo autorizado.

Reações de Elon Musk, do X e das autoridades norte-americanas

Até o momento da publicação original consultada pelo TTP, o X não respondeu publicamente de forma detalhada às acusações. Entretanto, poucas horas depois que a revista WIRED comunicou a empresa sobre perfis governamentais iranianos, vários selos azuis foram removidos. As contas que não constavam na lista enviada à plataforma, porém, permaneciam verificadas.

Do lado norte-americano, a Casa Branca, por meio do Departamento do Tesouro, declarou que “leva a sério” qualquer alegação de conduta passível de sanção, mas não comentou casos específicos. Parlamentares que já acompanhavam o tema, como a senadora Elizabeth Warren, voltaram a criticar o histórico da empresa. Em 2025, Warren havia enviado carta ao Tesouro questionando a venda de selos a indivíduos rotulados como terroristas.

Para Katie Paul, diretora do TTP, a situação ilustra uma “deterioração” da conformidade legal da plataforma após as demissões em massa que se seguiram à compra do antigo Twitter por Elon Musk. Ela aponta que a redução de equipes de moderação e de compliance teria deixado brechas para que entidades sancionadas obtenham benefícios pagos.

Histórico de acusações envolvendo contas premium do X e serviços de Elon Musk

Esta não é a primeira vez que empresas ligadas ao bilionário sul-africano se veem associadas a supostas violações de sanções. O TTP já havia denunciado em 2024 a presença de selos pagos em perfis considerados terroristas por Washington. Além disso, a disponibilização do Starlink em regiões sob embargo – ainda que por razões humanitárias – costuma atrair escrutínio regulatório.

No caso específico das contas premium do X, a polêmica envolve não apenas a origem dos pagamentos, mas também o potencial lucro dos próprios usuários sancionados. Recursos como “gorjetas” em criptomoedas ou divisão de receita de anúncios podem traduzir-se em ganhos diretos, o que ampliaria o risco de descumprimento das restrições financeiras.

O relatório do TTP encerra apontando que diversas contas ligadas ao governo iraniano continuam ativas na plataforma, algumas ainda com o selo azul. O estudo pede maior transparência do X sobre políticas de verificação e sobre eventuais contratos com usuários sujeitos a sanções. Por ora, a única mudança observável foi a remoção pontual de selos após a notificação da imprensa, sem posicionamento detalhado da empresa ou das autoridades norte-americanas acerca dos próximos passos.

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