Conselho paulista alerta para avanço da esporotricose animal e reforça riscos para gatos e humanos

Conselho paulista alerta para avanço da esporotricose animal e reforça riscos para gatos e humanos

esporotricose animal volta a chamar atenção em São Paulo após novo levantamento do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado apontar crescimento expressivo dos registros e destacar o impacto para saúde pública.

Índice

Panorama da esporotricose animal em São Paulo

O fato central divulgado pelo órgão de classe é o aumento de 2.417 para 3.309 diagnósticos confirmados entre 2022 e 2023, um salto de 37 % em apenas doze meses. A expansão não se restringe à capital: municípios da Região Metropolitana e do litoral vêm relatando ocorrências, configurando um avanço contínuo desde 2011. Embora presente em todas as regiões do país, a doença demonstra maior concentração nos estados das regiões Sul e Sudeste, onde a densidade populacional de felinos e a urbanização favorecem a cadeia de transmissão.

No contexto da saúde pública, o conselho classifica a esporotricose como um dos principais desafios sanitários urbanos ligados a zoonoses no Brasil. Esse enquadramento decorre da facilidade de disseminação entre gatos e do potencial de infecção humana, estimado em cerca de mil casos ao ano no território nacional.

Como ocorre a transmissão da esporotricose animal

A infecção é provocada por fungos do gênero Sporothrix, micro-organismos que encontram nos gatos o hospedeiro mais favorável graças à temperatura corporal da espécie. Nos felinos, a inoculação costuma acontecer de forma traumática. Entre os mecanismos descritos estão:

• Contato com solo, espinhos, lascas de madeira ou matéria orgânica contaminados durante escavação ou brincadeiras.
• Brigas, arranhões e mordeduras envolvendo animais já infectados.
• Exposição direta a secreções de lesões cutâneas, considerada a rota de contágio mais comum.

Essas vias explicam por que gatos que circulam livremente pelas ruas representam elo decisivo na manutenção e na ampliação da epizootia. A mobilidade desses animais cria pontos de contato com ambientes contaminados e com outros felinos doentes, acelerando a disseminação do fungo.

Além dos animais domésticos, há registros de transmissão envolvendo espécies silvestres, o que amplia a abrangência ecológica do patógeno. No entanto, o volume de dados sobre a participação da fauna silvestre ainda é limitado quando comparado ao conhecimento acumulado em gatos urbanos.

Sintomas da esporotricose animal em gatos e em humanos

Nos felinos, manifestações clínicas variam conforme a carga fúngica e o estado imunológico, sendo frequentes nódulos cutâneos que evoluem para ulcerações, especialmente na cabeça, focinho e membros. Se não houver intervenção, as feridas podem aumentar de tamanho, liberar secreções e comprometer o bem-estar do animal.

Em seres humanos, o período de incubação oscila de alguns dias a três meses. A forma inicial tende a ser um pequeno nódulo indolor na pele, seguido de crescimento gradual e possível abertura da lesão. Dois quadros principais são descritos:

• Forma cutânea: atinge pele, tecido subcutâneo e sistema linfático, evoluindo com multiplicação de nódulos ao longo dos vasos linfáticos.
• Forma extracutânea: caracteriza-se pela disseminação para órgãos internos, como pulmões, ossos e articulações, cenário mais frequente em pessoas imunossuprimidas.

O conselho reforça que a busca por atendimento médico ou veterinário deve acontecer ao primeiro sinal de lesão suspeita. O diagnóstico laboratorial precoce permite tratamento antifúngico adequado e reduz complicações graves.

Notificação da esporotricose animal e propostas legislativas

Apesar do crescimento de casos, a notificação da doença em animais não é obrigatória na maior parte do território paulista. Essa lacuna impede conhecer a real magnitude do problema e dificulta a elaboração de estratégias de controle baseadas em dados abrangentes. Em contrapartida, a variante humana passou a integrar a lista de notificações compulsórias a partir do primeiro semestre de 2025, permitindo um acompanhamento mais rigoroso dos casos em pessoas.

Para harmonizar as exigências entre espécies e reforçar a vigilância, tramita na Assembleia Legislativa de São Paulo o Projeto de Lei 707/2025. A proposta determina que suspeitas e confirmações de esporotricose em humanos e animais sejam registradas obrigatoriamente nos serviços de vigilância epidemiológica do estado. Caso aprovada, a medida criará um banco de dados integrado e poderá subsidiar campanhas de prevenção, protocolos de tratamento e ações educativas direcionadas à população.

Medidas de prevenção, tratamento e controle

Controlar a esporotricose demanda atuação simultânea em vários pontos da cadeia de transmissão:

1. Atenção ao animal doente
Gatos com feridas ou nódulos suspeitos precisam ser avaliados por profissional veterinário. O diagnóstico definitivo depende de exames laboratoriais que identificam o fungo. O tratamento, baseado em antifúngicos sistêmicos, é prolongado e deve ser mantido até a completa cicatrização das lesões.

2. Evitar abandono
A permanência dos animais nas ruas aumenta a probabilidade de contato com focos ambientais e favorece a propagação para outros felinos. O conselho recomenda que tutores mantenham os gatos em ambientes seguros e assegurem o tratamento até a cura clínica.

3. Higienização de ambientes
Locais onde gatos infectados circulam devem ser limpos com frequência. Materiais contaminados, como lascas de madeira e restos orgânicos, precisam ser descartados de forma adequada para impedir a sobrevivência dos fungos.

4. Equipamentos de proteção
Pessoas envolvidas no manejo de animais doentes ou na limpeza de áreas contaminadas devem usar luvas e, quando necessário, máscaras, reduzindo o risco de inoculação acidental.

5. Educação da comunidade
Campanhas informativas sobre sinais clínicos, formas de contágio e importância da notificação são consideradas fundamentais para quebrar a cadeia de transmissão e evitar que a doença continue avançando.

Impacto na saúde pública e próximos passos

O cenário paulista reflete um problema nacional que combina fatores como crescimento da população felina, manejo inadequado de gatos errantes e falta de registro padronizado de casos em animais. O resultado é a permanência de focos urbanos que geram novos episódios de infecção, inclusive em humanos.

A tramitação do PL 707/2025 representa o próximo marco a ser observado por profissionais de saúde e tutores de animais. Caso seja aprovado, todos os casos de esporotricose — suspeitos ou confirmados — deverão ser comunicados às autoridades epidemiológicas, potencializando a vigilância e a resposta às ocorrências em todo o estado.

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