Criador de Stranger Things detalha quais funções da TV desligar para não arruinar a série

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Ross Duffer, um dos cocriadores de Stranger Things, recorreu às redes sociais para alertar o público de que determinados recursos presentes em televisores modernos podem comprometer a experiência visual da série. Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, o roteirista e diretor listou funções que, segundo ele, devem permanecer desligadas para que a obra seja vista do modo como foi concebida no processo de produção.
- Quem fez o alerta
- O que deve ser desativado
- Por que esses recursos atrapalham
- Como localizar as opções no menu da TV
- Reação do público
- A intenção artística em primeiro plano
- Impacto do contraste exagerado
- Diferenças entre fabricantes de TV
- Passo a passo recomendado
- Feedback sobre a experiência após o ajuste
- Por que o alerta vale para outras produções
Quem fez o alerta
O aviso parte de Ross Duffer, responsável — ao lado do irmão Matt — pela concepção e pela direção de Stranger Things. Ao perceber que muitos espectadores utilizam funções pré-habilitadas em aparelhos de televisão recém-comprados, Duffer decidiu gravar uma mensagem curta explicando a razão pela qual esses ajustes, em vez de melhorar a imagem, acabam distorcendo cores, ritmo e contraste das cenas.
O que deve ser desativado
Na publicação, o criador cita de forma objetiva os recursos que considera prejudiciais:
Suavização de movimentos: conhecida comercialmente em alguns modelos como TruMotion, a função manipula a taxa de quadros, resultando no chamado “efeito novela”.
Modo vívido: qualquer predefinição de imagem que inclua a palavra “vívido” ou variações semelhantes altera a paleta de cores definida na pós-produção.
Filtros de cor: opções projetadas para intensificar ou alterar tonalidades interferem na configuração de gradação usada pela equipe de fotografia.
Tecnologias antiserrilhamento: recursos que tentam suavizar contornos introduzem artefatos que tornam objetos e rostos artificiais.
Superresolução: algoritmos voltados ao upscale podem acrescentar detalhes inexistentes e modificar a nitidez de planos escuros.
Por que esses recursos atrapalham
Duffer afirma que todos os itens citados “não ajudam o público a aproveitar conteúdos com qualidade” porque atuam sobre parâmetros calibrados em estúdio. A suavização de movimentos elimina a sensação cinematográfica de 24 quadros por segundo e transforma sequências de ação em passagens excessivamente fluidas. Já o modo vívido, ao priorizar saturação, substitui cores que foram escolhidas para transmitir a atmosfera dos anos 1980, componente essencial da identidade visual de Stranger Things.
Da mesma forma, filtros de cor e superresolução mexem em contraste e em nitidez, o que pode revelar elementos que deveriam permanecer discretos, como efeitos práticos ou detalhes de cenário pensados para ficarem ocultos na penumbra. A consequência direta é a quebra de imersão, um dos pilares narrativos da série.
O cocriador observa que as funções problemáticas costumam ficar escondidas em submenus avançados. Termos como “Imagem”, “Processamento” ou “Aprimoramentos” são rotas comuns dentro dos sistemas de TV. Dependendo da marca, a suavização de movimentos pode aparecer sob nomes alternativos — MotionFlow, Auto Motion Plus, MEMC ou simplesmente “Intermediário” — exigindo atenção extra do usuário.
Duffer recomenda navegar por cada aba e desativar qualquer tecnologia que prometa “clareza adicional”, “nitidez extrema” ou “contraste dinâmico”. O procedimento pode demandar reinício do aparelho para que as alterações surtam efeito, mas é descrito pelo diretor como passo necessário para preservar a fidelidade do material que chegou à Netflix.
Reação do público
A publicação gerou resposta imediata. Nos comentários, diversos espectadores agradeceram pelas instruções e relataram melhora perceptível nas primeiras cenas após aplicar as mudanças. Alguns revelaram surpresa ao descobrir quantos filtros estavam ligados por padrão em aparelhos recém-saídos da caixa. Em contrapartida, parte da comunidade preferiu encarar o aviso com humor, prometendo maratonar Stranger Things em dispositivos inusitados, como o portátil Nintendo 3DS, com o efeito 3D ativado “para máxima imersão”.
A intenção artística em primeiro plano
Para Duffer, a preocupação não se limita a uma questão técnica; ela toca o cerne da criação audiovisual. O enredo segue intacto independentemente da televisão utilizada, porém a forma como sombras invadem o laboratório de Hawkins ou como as luzes de neon refletem sobre bicicletas à noite depende do equilíbrio de brilho, contraste e cor definido pelos profissionais de fotografia, direção de arte e pós-produção. Qualquer modificação automática desses parâmetros muda o tom emocional das cenas, enfraquecendo sustos, tensões e até mesmo momentos de tranquilidade que pedem iluminação suave.
Impacto do contraste exagerado
Um exemplo citado por Duffer envolve ajustes de contraste extremo. Quando o nível é elevado além do calibrado, áreas originalmente escuras podem se transformar em manchas sólidas, enquanto pontos claros estouram, eliminando gradientes sutis. Com isso, objetos escondidos em segundo plano ficam visíveis antes do momento narrativo adequado ou efeitos de computador perdem a integração com o cenário físico, já que as bordas passam a ser mais nítidas do que o planejado.
Diferenças entre fabricantes de TV
Cada marca apresenta nomenclatura própria para funções de aprimoramento. Entretanto, o princípio é similar: algoritmos internos analisam o sinal recebido e aplicam modificações para que tudo pareça mais nítido, brilhante e suave. Duffer argumenta que essas intervenções fazem sentido em transmissões esportivas ou reality shows gravados com câmeras de alta taxa de quadros, mas conflitam com conteúdo roteirizado cujo ritmo foi cuidadosamente estabelecido na montagem.
Passo a passo recomendado
1. Abra o menu de configurações. Localize a área dedicada a imagem ou vídeo.
2. Desative motion smoothing. Procure nomes como TruMotion, MotionFlow ou MEMC.
3. Selecione modo de imagem neutro. Evite qualquer perfil rotulado como “vívido”, “dinâmico” ou “esportivo”.
4. Desligue filtros adicionais. Remova realce de nitidez, superresolução, redução de ruído e tonalidades artificiais.
5. Salve e teste. Inicie um episódio para verificar se as cores estão mais naturais e se o movimento recuperou aspecto cinematográfico.
Feedback sobre a experiência após o ajuste
Nos relatos colhidos na própria postagem, parte do público notou que cenas anteriormente sobrecarregadas de brilho assumiram aparência mais equilibrada, com negros profundos e luzes suaves. Sequências com o Demogorgon ou com o Mundo Invertido, que dependem de uma atmosfera sombria, recuperaram a tensão quando o excesso de contraste deixou de “lavar” detalhes do cenário. A ausência de motion smoothing também devolveu a sensação de que a câmera está realmente capturando quadros de cinema, não a fluidez típica de programas ao vivo.
Por que o alerta vale para outras produções
Embora direcionada a Stranger Things, a orientação é aplicável a qualquer obra filmada com intenção narrativa específica. Séries dramáticas, filmes de época e animações que buscam textura analógica sofrem do mesmo problema quando expostas a modificações automatizadas. Duffer defende que desligar esses processamentos é o primeiro passo para aproximar o espectador do resultado visto em salas de correção de cor, ambiente onde a equipe define o aspecto final de cada tomada.
Ao emitir o aviso, Ross Duffer coloca em evidência o conflito entre avanços de hardware e escolhas criativas. Enquanto fabricantes competem por recursos que prometem “melhorar tudo”, produtores de conteúdo ressaltam que, em muitos casos, menos é mais. Para quem deseja acompanhar as aventuras de Hawkins do jeito que seus autores imaginaram, o caminho indicado é simples: encontrar as opções escondidas, pressionar “desativar” e permitir que cada quadro fale por si só.

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