Comunicação pública terá expansão histórica em 2026 com mais de 30 novas estações de rádio e TV

Comunicação pública no Brasil ganhará um impulso sem precedentes em 2026. No primeiro semestre, a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) planeja ativar mais de 30 novas estações de rádio e televisão em diferentes regiões do país, ação integrante do programa Brasil Digital, coordenado pelo Ministério das Comunicações (MCom) e operacionalizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
- Comunicação pública: quem conduz a expansão nacional
- Comunicação pública: o que será instalado em 2026
- Comunicação pública: onde os novos sinais chegarão
- Comunicação pública: como o Brasil Digital viabiliza a infraestrutura
- Comunicação pública: por que a ampliação é considerada histórica
- Próximos passos e marcos de 2026
Comunicação pública: quem conduz a expansão nacional
Três instituições formam o núcleo decisório do projeto: o MCom estabelece as diretrizes, a Anatel executa a parte técnica da implantação e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) atua como rede de conteúdo e como articuladora com emissoras parceiras. Nessa divisão de responsabilidades, o ministério define metas, a agência reguladora cuida do licenciamento e do espectro de frequência, enquanto a EBC acompanha desde a escolha dos municípios até a integração das grades de programação.
A RNCP, criada por força de lei e gerida pela EBC, reúne emissoras públicas federais, estaduais, municipais e universitárias. Ao longo dos últimos anos, a rede tem assumido protagonismo no fluxo de informações de interesse público, ofertando produções jornalísticas, educativas, culturais e de entretenimento em sinal aberto, gratuito e digital.
Comunicação pública: o que será instalado em 2026
O cronograma de 2026 prevê a instalação física e a operação inicial de mais de 30 estações, divididas entre transmissores de TV digital terrestre e emissoras de rádio em frequência modulada (FM). Cada novo ponto de transmissão recebe um pacote completo de infraestrutura, composto por:
• Transmissores compatíveis com padrão digital terrestre para televisão ou rádio FM;
• Antenas de alto ganho projetadas para cobrir a área urbana e o entorno rural dos municípios;
• Sistemas de recepção via satélite para captação do sinal matriz da EBC;
• Nobreaks e racks que garantem estabilidade elétrica e organização dos equipamentos;
• Soluções de climatização que mantêm temperatura ideal nas salas técnicas;
• Plataformas de telesupervisão que permitem monitorar remotamente desempenho, potência e eventuais falhas.
Todos os equipamentos são adquiridos com recursos federais. As instituições locais – universidades, fundações ou órgãos públicos – assumem a gestão predial, providenciam equipes de operação e asseguram cumprimento de exigências ambientais e de segurança.
Comunicação pública: onde os novos sinais chegarão
A lista de municípios que receberão as próximas estações será divulgada gradualmente, mas a meta é alcançar localidades atualmente sem cobertura pública. O plano leva em conta dimensões socioeconômicas, densidade populacional e inexistência de retransmissoras da EBC ou da Câmara dos Deputados.
A experiência de 2025 ilustra a abrangência territorial desejada. Naquele ano, 14 estações entraram em operação, contemplando capitais, cidades médias e regiões de interior. Exemplos incluem a ativação da TV Nova Aldeia em Rio Branco (AC) na Região Norte, da Pref TV em Caruaru (PE) no Nordeste e da TV Educativa IFPR em Jacarezinho (PR) no Sul. O mesmo padrão de distribuição interestadual – cobrindo Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul – será replicado agora em escala maior.
Os resultados de 2025 oferecem um parâmetro de impacto. Após a expansão, a sinal da TV Brasil passou a alcançar 120 milhões de brasileiros, equivalentes a 63 % da população. No rádio, emissoras vinculadas à Rádio Nacional ou à Rádio MEC somaram alcance potencial de 59 milhões de ouvintes, cerca de 30 % dos habitantes. A expectativa é que a inclusão de mais 30 estações eleve sensivelmente essas porcentagens em 2026.
Comunicação pública: como o Brasil Digital viabiliza a infraestrutura
O Brasil Digital funciona como estrutura guarda-chuva de políticas públicas de radiodifusão. O programa prevê a modernização tecnológica, a expansão geográfica e a migração para plataformas digitais. O processo segue etapas padronizadas:
- Seleção do município: equipes técnicas do MCom e da Anatel analisam solicitações e identificam espaços sem cobertura.
- Convênio com instituição local: universidades federais, institutos de educação, fundações culturais ou prefeituras assumem responsabilidade sobre o local de instalação.
- Aquisição e entrega: a EBC dispara licitações, compra equipamentos e organiza o transporte.
- Montagem e testes: técnicos constroem torres, instalam antenas, fazem ajustes de frequência e realizam medições de campo.
- Integração à rede: finalizados os testes, o sinal passa a transmitir programação da TV Brasil, da Rádio Nacional ou de emissoras públicas estaduais, conforme o caso.
O investimento federal cobre integralmente equipamentos e serviços especializados. A contrapartida das entidades locais, por sua vez, compreende cessão de espaço físico, mão de obra operacional e eventuais obras civis. Essa combinação de recursos nacionais e regionais otimiza custos e permite acelerar a chegada do conteúdo público a comunidades distantes dos grandes centros.
Comunicação pública: por que a ampliação é considerada histórica
O caráter histórico da expansão se explica tanto pelo volume de estações previstas quanto pela velocidade de implantação. Nunca antes a RNCP havia programado mais de 30 ativações simultâneas em um semestre. Além disso, o projeto ocorre em um contexto de demanda elevada por informações confiáveis, sobretudo em ano de grandes debates públicos e de intensificação do consumo de mídia digital.
Os benefícios esperados envolvem:
• Garantia do direito constitucional à informação em sinal aberto e gratuito;
• Diversidade de fontes, favorecida pelo modelo editorial da EBC, que prioriza pluralidade regional;
• Contribuição para a educação, já que a programação inclui teleaulas, audiolivros e conteúdos educativos;
• Fortalecimento da cultura local, por meio de janelas para produções independentes e festivais regionais;
• Interiorização da tecnologia digital, estimulando polos de serviços técnicos especializados.
A ampliação também cumpre a meta de elevar a capilaridade da TV Brasil e das rádios públicas antes da conclusão do ciclo de desligamento do sinal analógico, previsto para ocorrer de forma escalonada nos próximos anos. Quanto maior a disponibilidade de estações digitais, menor será o risco de apagões informativos durante a transição definitiva.
Próximos passos e marcos de 2026
A agenda do primeiro semestre inclui a finalização de convênios, o transporte de equipamentos e os trabalhos de infraestrutura civil. A partir daí, cada estação passará por fase de testes com duração média de 30 dias. A expectativa do MCom e da Anatel é anunciar a primeira leva de ativações ainda no período que antecede o inverno, o que coloca junho como referência para o início das transmissões.
Após a conclusão dessas 30 novas unidades, técnicos federais iniciarão estudos para a segunda etapa de expansão, a ser divulgada no segundo semestre. O objetivo é manter o ritmo de crescimento da comunicação pública e aproximar a cobertura total de rádio e TV públicas da marca de dois terços da população até o final de 2026.

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