Complicações após cirurgia estética com dentista: entenda o caso que colocou procedimentos irregulares sob investigação

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Complicações após cirurgia estética com dentista mobilizam autoridades de saúde, Conselho de Odontologia e polícia desde setembro do ano passado, quando os primeiros relatos de pacientes atendidas pela cirurgiã-dentista Fernanda Borges da Silva, em Ribeirão Preto (SP), começaram a chegar às delegacias. Desde então, pelo menos cinco mulheres formalizaram queixas por dores intensas, infecções, sangramentos e até paralisação parcial do rosto depois de se submeterem a procedimentos estéticos na clínica da profissional, interditada administrativamente.
- Relatos de complicações após cirurgia estética com dentista se multiplicam
- Quem é a dentista no centro das acusações
- Limites legais para cirurgiões-dentistas e a prática da cirurgia estética com dentista
- Efeitos físicos e emocionais nas pacientes atingidas
- Investigações sobre complicações após cirurgia estética com dentista mobilizam autoridades
- Esfera judicial: direitos e possíveis indenizações
- Status da clínica e próximos desdobramentos sobre complicações após cirurgia estética com dentista
Relatos de complicações após cirurgia estética com dentista se multiplicam
A sucessão de denúncias começou em setembro de 2023, quando uma secretária de 63 anos precisou de cirurgia de emergência menos de 24 horas após realizar um lifting facial e uma cervicoplastia. Segundo o boletim médico, o sangramento no pescoço evoluiu rapidamente, exigindo intubação e dez dias de internação em unidade de terapia intensiva.
Logo depois, a dona de casa Natali Bonarelli, moradora de Guaíra (SP), procurou as autoridades para narrar forte inchaço, dores e secreção nos pontos cirúrgicos do pescoço. No mesmo período, novas pacientes passaram a relatar episódios semelhantes em procedimentos de botox, bichectomia e endolaser. Até o início de fevereiro deste ano, cinco boletins de ocorrência haviam sido registrados.
Entre os casos mais recentes está o de uma professora aposentada de 67 anos, de Passos (MG), que adquiriu um pacote de R$ 13 mil para rejuvenescer rosto e pescoço. Trinta dias após lifting facial e cervicoplastia, ela informou à polícia dores persistentes, cicatrizes e risco de necrose.
Quem é a dentista no centro das acusações
Fernanda Borges da Silva é cirurgiã-dentista com 113 mil seguidores em rede social, onde divulga resultados de harmonização orofacial. Na biografia digital, ela se apresentava como membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Buco Maxilo Facial (SOBRACIBU); a entidade, porém, comunicou que a profissional nunca concluiu o processo de filiação.
Além da presença on-line, Fernanda mantinha clínica na zona sul de Ribeirão Preto, no bairro Alto da Boa Vista. Em 24 de setembro de 2023, a Vigilância Sanitária municipal interditou o estabelecimento por ausência de licença para serviços de estética, falta de autorização para policlínica odontológica e descumprimento de normas de controle de infecção.
A defesa da dentista sustenta que todos os procedimentos foram realizados com respaldo jurídico e que nenhuma paciente passou por perícia que confirme nexo causal entre a intervenção realizada e as complicações descritas. A defesa também alega tentativa de “destacar pejorativamente” a profissional para reaver valores pagos.
Limites legais para cirurgiões-dentistas e a prática da cirurgia estética com dentista
Dois atos normativos concentram as regras que balizam a atuação do cirurgião-dentista em harmonização orofacial. A Resolução 198 do Conselho Federal de Odontologia (CFO) reconhece a especialidade e autoriza técnicas como bichectomia, lip lifting e lipo de papada. Já a Resolução 230 lista os procedimentos vedados, entre eles o lifting facial — exatamente a cirurgia mais citada nas queixas.
Embora toxina botulínica e preenchimento facial façam parte do escopo autorizado, o CFO exige capacitação específica e cumprimento de protocolos de biossegurança. O descumprimento dessas diretrizes configura infração ética e pode resultar em penalidades que variam de advertência à cassação do registro profissional.
No caso em análise, a presidente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, Karina Ferrão, informou que o lifting facial está fora do rol permitido, o que agrava a situação da cirurgiã-dentista. O processo disciplinar corre em sigilo, mas eventual condenação pode implicar suspensão temporária ou definitiva do exercício da odontologia.
Efeitos físicos e emocionais nas pacientes atingidas
Os relatos colhidos pelos investigadores descrevem um espectro amplo de complicações. Dores latejantes, inchaço prolongado e secreção purulenta nos pontos cirúrgicos foram frequentes entre as reclamantes. Uma das pacientes detalhou marcas permanentes na região abdominal depois de um endolaser que, segundo ela, “piorou” a área tratada. Outra mulher mencionou paralisia facial decorrente de aplicação de toxina botulínica indicada originalmente para controle de bruxismo.
Em termos emocionais, duas pacientes apontaram quadros de ansiedade e depressão após deformidades percebidas no espelho. Uma delas afirmou ter evitado atos sociais por receio de comentários sobre as cicatrizes. O abalo psicológico figura entre os danos passíveis de indenização, conforme explicam juristas especializados em responsabilidade civil na área da saúde.
A severidade dos episódios fez com que algumas vítimas buscassem hospitais públicos e particulares fora de Ribeirão Preto. Em uma ocorrência, o atendimento de urgência evitou que uma infecção se disseminasse pela corrente sanguínea, risco apontado pelos médicos que a avaliaram.
Investigações sobre complicações após cirurgia estética com dentista mobilizam autoridades
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirma a abertura de inquéritos na Delegacia de Defesa da Mulher e em unidades do 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto. As equipes coletam laudos, prontuários e depoimentos de vítimas, além de reunir material fotográfico apresentado pelas denunciantes. O procedimento corre em paralelo à análise ética conduzida pelo Conselho Federal de Odontologia.
Com a clínica interditada, agentes da Vigilância Sanitária monitoram eventuais tentativas de funcionamento clandestino. O órgão também avalia se equipamentos esterilizáveis e descartáveis estavam dentro dos padrões exigidos. Caso confirmadas irregularidades sanitárias, as multas podem ultrapassar R$ 1,5 milhão, além de responsabilização criminal.
Esfera judicial: direitos e possíveis indenizações
Advogados que atuam em direito médico recordam que a legislação brasileira permite pleitear indenização por danos morais, danos estéticos permanentes e reembolso de despesas médicas. A cirurgiã-dentista, se condenada, também pode ser compelida a pagar pensão mensal caso a sequela impeça a continuidade plena das atividades laborais da paciente.
A inexistência de habilitação para determinado procedimento — cenário apontado no lifting facial — costuma fortalecer o argumento dos autores. Perícia técnica será essencial para estabelecer nexo causal entre cada ato cirúrgico e o prejuízo alegado. Mesmo sem laudo preliminar, a fase investigativa já inclui requisição a hospitais para anexar exames de imagem e relatórios de evolução clínica.
Tramita ainda a possibilidade de ação coletiva, caso o número de denunciantes aumente. A via conjunta facilita a produção de prova e reduz custos processuais, mas não impede que cada paciente ingresse individualmente, buscando valores proporcionais ao dano específico.
Status da clínica e próximos desdobramentos sobre complicações após cirurgia estética com dentista
Desde 24 de setembro de 2023, o estabelecimento no Alto da Boa Vista permanece lacrado, sem autorização de atendimento. Qualquer reabertura depende da eliminação das falhas sanitárias e da liberação pelo município, o que não pode ocorrer enquanto a parte profissional estiver sob investigação do Conselho de Odontologia.
Os processos — administrativo e criminal — não têm prazo máximo legal, mas, segundo fontes da Polícia Civil, a fase de coleta de provas deve ser concluída nos próximos meses. Encerrada a instrução, o Ministério Público decide se oferece denúncia por exercício ilegal de função, lesão corporal ou até tentativa de homicídio, a depender da gravidade do caso concreto.
No âmbito ético, o Conselho Federal de Odontologia pode convocar audiência de instrução em data ainda não divulgada. Se confirmada a realização de procedimentos vedados, a penalidade máxima é a cassação do registro, impedindo o exercício da odontologia em todo o território nacional.
Enquanto isso, novas testemunhas continuam a ser ouvidas, e autoridades reforçam o pedido para que eventuais vítimas procurem delegacias ou o Conselho Regional de Odontologia, apresentando exames e registros fotográficos que comprovem complicações após cirurgia estética com dentista.

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