Comando Vermelho: cinco lideranças interestaduais presas no Rio de Janeiro em operação de inteligência

Em uma ação que mobilizou diferentes unidades policiais entre os dias 5 e 9 de janeiro, forças de segurança do Rio de Janeiro capturaram cinco integrantes apontados como lideranças do Comando Vermelho em seus respectivos estados de origem. Os presos, oriundos de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas, haviam migrado para o território fluminense com o objetivo de se ocultar das autoridades locais e, à distância, manter o controle sobre as atividades ilícitas em suas regiões.
- Operação integrada mira lideranças do Comando Vermelho
- Cascão: liderança do Comando Vermelho em Goiás capturada no Morro dos Prazeres
- Prisões expõem estratégia do Comando Vermelho de atuar a partir do Rio
- Mandados de vários estados convergem na repressão ao Comando Vermelho
- Próximos passos das investigações e monitoramento do Comando Vermelho
Operação integrada mira lideranças do Comando Vermelho
De acordo com as informações divulgadas, as detenções ocorreram por meio de ações de inteligência que articularam Polícia Militar, Polícia Civil, unidades especializadas como o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e setores de inteligência de estados parceiros. As cinco prisões foram distribuídas em quatro dias distintos, revelando o caráter contínuo da ofensiva policial contra o Comando Vermelho. Os alvos eram suspeitos de crimes que variam de homicídios a tráfico de armas, estupro e roubo, comprovando o alcance multifacetado das acusações.
O planejamento das forças de segurança envolveu monitoramento de deslocamentos, análise de mandados de prisão abertos e troca de dados entre corporações. Ao centralizar a ação no Rio de Janeiro, as autoridades buscaram neutralizar a estratégia, ainda que temporária, de utilização do território fluminense como refúgio para figuras do crime organizado de outras unidades da federação.
Cascão: liderança do Comando Vermelho em Goiás capturada no Morro dos Prazeres
A prisão mais recente ocorreu na manhã de sexta-feira, 9 de janeiro. Cássio Dumont, conhecido como Cascão, foi localizado no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, área central da capital. A operação contou com equipes do Bope e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar. Segundo os dados compartilhados pelas autoridades goianas, Cascão tem antecedentes por homicídio e participou de uma fuga na Penitenciária de Trindade, na região metropolitana de Goiânia. Sua presença no Rio ilustrava a tentativa de permanecer distante do cerco policial em Goiás, mantendo, entretanto, influência sobre atividades do Comando Vermelho em seu estado.
O Morro dos Prazeres foi escolhido pelo foragido possivelmente pela capilaridade de ramificações da facção na região central carioca. A atuação do Bope, já habituado a incursões em áreas de difícil acesso, foi determinante para a localização do suspeito. Com a captura, as forças policiais goianas contam agora com a possibilidade de avançar em processos judiciais e investigações relacionadas aos crimes cometidos por Cascão em seu território de origem.
Prisões expõem estratégia do Comando Vermelho de atuar a partir do Rio
Os dias anteriores à detenção de Cascão já haviam sido marcados por outras capturas relevantes. Na quinta-feira, 8 de janeiro, agentes da 29ª Delegacia Policial, em atuação em São Gonçalo, prenderam um indivíduo identificado como liderança do tráfico na Bahia, associado ao grupo Bonde do Maluco. Contra ele pesam três mandados de prisão por homicídio. O fato de o suspeito ter se estabelecido na Região Metropolitana do Rio indica, segundo os investigadores, um padrão: o uso do espaço fluminense como base de comando para operações interestaduais do Comando Vermelho.
Na quarta-feira, 7 de janeiro, foi a vez da Polícia Militar localizar Rafael Amorim de Brito, o Rafão, considerado o criminoso mais procurado do Mato Grosso. Ele se escondia em Itaboraí e enfrentava quatro mandados de prisão emitidos pela Justiça mato-grossense. As investigações apontam que Rafão responde por estupro, tráfico de drogas e roubo, além de ser suspeito do assassinato de agentes públicos, entre eles um sargento da PM identificado como Odenil, morto em dezembro de 2024. A detenção de Rafão representa a interrupção de uma cadeia de comando violenta que se estendia do Centro-Oeste até o Sudeste.
Dois dias antes, na segunda-feira, 5 de janeiro, ocorreram duas prisões em sequência. A primeira, conduzida por policiais do 6º BPM (Tijuca), levou à captura de um suspeito conhecido como Gordinho, associado a 19 homicídios no Piauí e apontado como integrante do Bonde dos 40. A segunda, realizada por agentes da 59ª Delegacia Policial (Duque de Caxias), resultou na detenção do líder do tráfico de drogas em Campo Alegre, Alagoas, contra quem havia dois mandados de prisão preventiva por tentativa de homicídio qualificado.
Mandados de vários estados convergem na repressão ao Comando Vermelho
Os cinco mandados — três na Bahia, quatro no Mato Grosso, dois em Alagoas e tantos outros no Piauí e Goiás — foram cumpridos em território fluminense graças a uma rede de compartilhamento de dados entre polícias civis e militares. Essa convergência demonstra o grau de articulação necessário para enfrentar organizações com atuação em esfera nacional como o Comando Vermelho.
As ações combinadas ilustram ainda o papel das unidades especializadas, como a Subsecretaria de Inteligência e o Bope, em localizar foragidos que se valem de comunidades densamente povoadas para se esconder. O cruzamento de informações bancárias, registros telefônicos e movimentações em redes sociais fez parte do processo investigativo, embora os detalhes específicos desses métodos não tenham sido revelados pelos órgãos responsáveis.
Apesar de não terem sido divulgadas estimativas oficiais sobre o impacto financeiro da retirada dessas lideranças, analistas de segurança costumam apontar que prisões desse porte provocam redirecionamentos temporários nas facções, obrigando-as a reorganizar hierarquias e rotas de abastecimento. No entanto, qualquer avaliação mais precisa dependerá de relatórios futuros que mensurem mudanças no fluxo de entorpecentes, índices de violência e eventuais represálias internas.
Próximos passos das investigações e monitoramento do Comando Vermelho
Com as capturas efetivadas, os cinco suspeitos deverão ser transferidos aos estados onde respondem pelos processos principais. A fase seguinte envolve a apresentação em audiência de custódia e o cumprimento dos respectivos mandados de prisão. Paralelamente, a Polícia Civil e a Polícia Militar fluminenses permanecem em contato com as corporações de Goiás, Piauí, Mato Grosso, Bahia e Alagoas para atualizar procedimentos, encaminhar provas e alinhar depoimentos.
As forças de segurança do Rio de Janeiro indicaram que manterão o monitoramento de áreas que serviram de abrigo a essas lideranças, com o objetivo de identificar possíveis substitutos nomeados pelo Comando Vermelho. Novas operações podem ocorrer caso a inteligência policial detecte movimentações de outros foragidos. Até o momento, não há divulgação de datas específicas para desdobramentos, mas a cooperação interestadual continua ativa.

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