Caso Rodrigo Castanheira: homenagens, investigação e o que ainda se espera sobre a morte do adolescente

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No Distrito Federal, o velório e o enterro de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos que morreu após 16 dias de internação, mobilizaram parentes, amigos e autoridades neste domingo (8). A despedida ocorreu na Igreja Batista Capital, no Setor de Clubes Sul, e o sepultamento no Cemitério Campo da Esperança, ambos em Brasília. A morte é consequência direta de uma agressão sofrida em Vicente Pires, em 23 de janeiro, que resultou em traumatismo craniano irreversível.
- Despedida a Rodrigo Castanheira reúne familiares e amigos
- Cronologia dos fatos que culminaram na morte de Rodrigo Castanheira
- Estado de saúde e tratamento no Hospital Brasília Águas Claras
- Situação do agressor Pedro Turra e medidas judiciais
- Investigações paralelas e outras denúncias contra o piloto
- Próximos passos no caso Rodrigo Castanheira
Despedida a Rodrigo Castanheira reúne familiares e amigos
O cortejo fúnebre, conduzido pelo Corpo de Bombeiros, percorreu o trajeto entre a igreja e o cemitério em clima de consternação. Presentes no local relataram longos aplausos, mensagens de fé e gestos de solidariedade aos pais do jovem. O rito de passagem, baseado em cerimônia batista, incluiu orações coletivas e cânticos tradicionais. A escolha do templo reflete o vínculo da família com a denominação, destacado pelos organizadores como forma de amparo espiritual neste momento de perda.
Segundo amigos, Rodrigo era conhecido por praticar esportes e participar de atividades escolares extracurriculares. Apesar da dor, os parentes optaram por uma celebração que ressaltasse características positivas do adolescente, reforçando memórias de convivência. Por decisão familiar, nenhuma manifestação pública foi permitida durante o sepultamento, preservando o caráter íntimo da despedida.
Cronologia dos fatos que culminaram na morte de Rodrigo Castanheira
A agressão que resultou na morte de Rodrigo Castanheira teve início em uma confraternização entre jovens, em Vicente Pires, na madrugada de 23 de janeiro. De acordo com o inquérito, o piloto Pedro Arthur Turra Bassos, de 19 anos, teria arremessado um chiclete mascado em direção a outra pessoa, gerando discussão. O desentendimento evoluiu rapidamente para violência física. Testemunhas relatam que Rodrigo recebeu sequência de socos, caiu e bateu a cabeça na porta de um veículo estacionado nas proximidades.
Após o impacto, o adolescente entrou em parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Equipe de atendimento pré-hospitalar restabeleceu os sinais vitais e encaminhou a vítima a um hospital particular em Águas Claras. Lá, foi submetido a coma induzido e acompanhamento neurológico intensivo. Mesmo com intervenções médicas, exames constataram a progressão para morte encefálica em 7 de fevereiro.
Estado de saúde e tratamento no Hospital Brasília Águas Claras
A unidade de saúde onde Rodrigo Castanheira foi internado divulgou nota oficial confirmando a perda completa e irreversível das funções cerebrais. O protocolo do Conselho Federal de Medicina, que exige avaliação clínica e exames complementares em tempos distintos, foi seguido antes da declaração de óbito. Durante os 16 dias de internação, o adolescente recebeu suporte ventilatório, manejo de pressão intracraniana e monitoramento contínuo. Profissionais de fisioterapia e enfermagem atuaram para reduzir complicações secundárias típicas de quadros prolongados de coma.
Familiares foram atualizados diariamente pela equipe médica, mas o prognóstico se manteve reservado. Tentativas de reduzir o edema cerebral não produziram resposta significativa. Ao final, a assistência concentrou-se em cuidados paliativos e no suporte emocional aos pais, que estavam presentes em tempo integral.
Situação do agressor Pedro Turra e medidas judiciais
Pedro Turra foi preso em flagrante logo após a ocorrência, mas liberado mediante pagamento de fiança de R$ 24,3 mil. A repercussão do caso levou o Judiciário a converter a prisão em preventiva dias depois. Ele encontra-se no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, em cela individual, após relatar ameaças dentro da unidade. O Superior Tribunal de Justiça negou habeas corpus impetrado pela defesa, mantendo a custódia cautelar.
Na esfera esportiva, Turra foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, categoria escola na qual atuava. Advogados informaram que o jovem demonstra abatimento e teria expressado arrependimento. Ainda segundo a defesa, o detento recebeu uma Bíblia e o livro “Luz nas Grades”, de autoria de seu próprio advogado, como ferramentas de reflexão.
Investigações paralelas e outras denúncias contra o piloto
Além da morte de Rodrigo Castanheira, a Polícia Civil investiga três ocorrências de agressão e um episódio de possível fornecimento de bebida alcoólica a menor de idade, atribuídos a Pedro Turra. As denúncias, duas delas anteriores a janeiro, vieram à tona após a divulgação da briga em Vicente Pires, ampliando o escopo do inquérito.
Os registros incluem:
• Confronto em praça de Águas Claras, em junho de 2025;
• Relato de adolescente de que o piloto a incentivou a ingerir álcool quando ainda era menor;
• Agressão a homem de 49 anos durante discussão de trânsito.
Todos os casos estão em análise na mesma delegacia para eventual conexão processual. Dependendo dos resultados, novas medidas cautelares podem ser solicitadas pelo Ministério Público.
Próximos passos no caso Rodrigo Castanheira
Com a morte confirmada, o enquadramento jurídico tende a migrar de lesão corporal gravíssima para homicídio qualificado. O delegado responsável aguarda laudo definitivo do Instituto Médico-Legal, que detalhará o mecanismo exato do traumatismo e servirá de base para o indiciamento. Paralelamente, o Ministério Público poderá oferecer denúncia em até dez dias após o recebimento do inquérito concluído.
Além da esfera penal, a família de Rodrigo deve avaliar a propositura de ação cível por danos morais e materiais. Nesse campo, poderão ser solicitadas indenizações relativas a despesas médicas, funerárias e à perda afetiva. Enquanto isso, organizações de direitos humanos acompanham o processo, indicando preocupação com a escalada de violência entre jovens em contextos urbanos.
As autoridades preveem novas oitivas de testemunhas ainda nesta semana, focadas em esclarecer detalhes da dinâmica da agressão. Também estão em análise imagens de câmeras nas proximidades para delimitar o raio de atuação dos envolvidos. Finalizados esses procedimentos, o caso Rodrigo Castanheira seguirá para decisão judicial, sem data definida até o momento.

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