Casas de apostas excluirão beneficiários em 72 horas

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Casas de apostas online terão, em breve, apenas 72 horas para encerrar contas mantidas por usuários que recebam recursos do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A exigência faz parte das regras divulgadas pelo Ministério da Fazenda e publicadas no Diário Oficial da União na última quinta-feira (2), atendendo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O texto determina que as plataformas implementem um sistema de consulta a bases públicas para detectar, no momento do cadastro e no primeiro login, se o apostador é beneficiário de programas sociais. Caso a verificação seja positiva, a conta deverá ser bloqueada e, posteriormente, encerrada em até três dias corridos.
Casas de apostas excluirão beneficiários em 72 horas
De acordo com a normativa, o sistema de checagem precisa estar operacional em, no máximo, 30 dias. Depois disso, as casas de apostas deverão realizar varreduras quinzenais em toda a base de usuários para identificar quem tenha passado a receber auxílio governamental. Se o usuário deixar de receber o benefício, ele poderá reabrir seu cadastro normalmente.
Quando um beneficiário for localizado, a plataforma terá de informá-lo sobre a proibição, indicar o procedimento para saque dos valores disponíveis e cumprir o prazo de 72 horas para encerrar a conta. Saldo não retirado em até 180 dias será destinado a programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A medida busca impedir que recursos destinados à compra de itens essenciais sejam direcionados ao jogo on-line. Estudo citado pela Fazenda aponta que, apenas em 2024, beneficiários do Bolsa Família teriam gasto mais de R$ 3 bilhões em apostas, valor que coincide com o aumento do endividamento observado no segmento.
Atualmente, o Bolsa Família atende cerca de 19 milhões de famílias, e o BPC presta assistência a 3,7 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao reforçar o uso exclusivo desses valores para despesas básicas, o governo espera reduzir a exposição financeira de grupos de baixa renda.
A adoção de filtros automáticos já era recomendada pelo Supremo Tribunal Federal, que julgou inconstitucional o emprego de benefícios sociais em jogos de azar. Com a publicação das regras, o setor de apostas terá de adequar seus sistemas de verificação para cumprir o prazo legal.
No médio prazo, o Ministério da Fazenda promete monitorar o impacto da nova política e poderá aplicar sanções às plataformas que descumprirem a lei, incluindo multas milionárias e até a suspensão da licença de operação.
O fechamento rápido de contas de beneficiários evidencia a crescente regulamentação das casas de apostas no Brasil, tendência que deve se intensificar diante da expansão do mercado e das preocupações com a proteção do consumidor.
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Crédito da imagem: Davizro/Getty Images

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