Carnaval não oficial reúne mais de 70 blocos e marca início do pré-carnaval no Rio

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Carnaval não oficial ganha as ruas do Rio de Janeiro neste domingo, 4 de janeiro, abrindo a temporada de pré-carnaval com mais de 70 blocos espalhados pelo Centro e por bairros das zonas Sul e Norte.
- O que move o carnaval não oficial carioca
- Programação geral do carnaval não oficial neste domingo
- Blocos parados: diversidade de estilos em pontos fixos
- Blocos com cortejo e a centralidade do Cordão do Boi Tolo
- Infraestrutura, economia e papel do poder público no carnaval não oficial
- Aberturinha: espaço infantil no Aterro do Flamengo
- Como acompanhar o pré-carnaval após a abertura
A expressão “carnaval não oficial” surgiu após 2009, quando um decreto municipal passou a exigir que cada bloco registrasse, com seis meses de antecedência, data, horário, percurso e estimativa de público. Integrantes de coletivos como o Cordão do Boi Tolo consideram que a obrigação criou uma separação inexistente durante mais de dois séculos de folia nas ruas da cidade. Para eles, a festa que não segue o trâmite burocrático mantém o espírito original do carnaval de rua, funcionando como forma de resistência cultural e preservação de tradições.
A Desliga dos Blocos, articuladora da abertura deste domingo, não se vê como liga carnavalesca formal. O movimento afirma apenas alinhar horários e locais entre grupos independentes que aderem voluntariamente. Essa coordenação mínima garante que centenas de músicos, foliões e ambulantes saibam onde concentrar esforços, sem que haja hierarquia ou centralização.
Os primeiros batuques começam às 8h. Blocos com cortejo e blocos parados ocupam ao mesmo tempo praças, ruas históricas e espaços culturais. Durante a manhã e a tarde, a agenda avança em ritmo contínuo até o grande deslocamento coletivo guiado pelo Cordão do Boi Tolo. O trajeto previsto parte do Centro, segue pelo Aterro do Flamengo, alcança Botafogo e encerra-se em Copacabana, unindo dezenas de grupos.
Para quem prefere verificar detalhes de última hora ou mudanças causadas por questões climáticas, as redes sociais da Desliga e dos próprios blocos concentram atualizações, localização de trios, avisos de segurança e recomendações de fantasia.
Blocos parados: diversidade de estilos em pontos fixos
Entre os grupos que permanecem em um único ponto, a variedade de temas se destaca. Logo às 8h, o Love Songs anima a Praça Marechal Âncora. Uma hora depois, espaço ao redor do Armazém Utopia recebe O Baile Todo, Não Monogamia e, às 10h, o Marimbondo Não Respeita. A mesma faixa horária vê o Projeto Girô, na Praça Paris, e o 8&80, no Bar Kamikaze.
Ao fim da manhã, o Armazém Utopia volta a ser palco com o Skabloco, enquanto a Praça XV recebe Toques para Odudua. Outros pontos fixos incluem o Morro do Pinto, onde o Percussaça se apresenta às 11h, e a Candelária, que abriga o Te Devoro ao meio-dia. Até o final da tarde, desfilam ainda Marejada, Calcinhas Bélicas, Lambabloco e Só Toca Bloco, totalizando dezenas de horas ininterruptas de música.
Blocos com cortejo e a centralidade do Cordão do Boi Tolo
Os cortejos adicionam deslocamento à experiência. Às 8h, o Bloco da Frida parte da Pira Olímpica, enquanto, no mesmo horário, foliões atravessam a Baía de Guanabara na barca Niterói–Rio acompanhando o Papagoyaba. A Praça Marechal Âncora volta a atrair público às 9h, desta vez para o Vem Cá Minha Flor. Na sequência, às 10h, a Banheira do Gugu ocupa novamente a Pira Olímpica.
Perto do meio-dia, o Arco do Teles se enche com o Bigode do Leôncio, seguido, às 14h, pelo Surdos e Mundos na Rua Dom Manuel. O ponto alto chega às 17h, quando o Cordão do Boi Tolo inicia o grande percurso, servido de ponto de convergência para os demais blocos. A formação coletiva cria um extenso corredor cultural, unindo tamborins, brass bands, estandartes e foliões de diferentes idades.
O carnaval de rua tornou-se parte do cotidiano carioca ao ponto de influenciar a lógica comercial da cidade. Além do impacto direto em hospedagem e alimentação, a festa gera oportunidades para vendedores ambulantes, costureiras de fantasia, técnicos de som e seguranças particulares. Organizadores defendem que a postura do poder público deve concentrar-se em segurança, limpeza e organização do trânsito, sem interferir nas características espontâneas da manifestação cultural.
A necessidade de ocupação do Centro histórico após a saída de empresas também foi ressaltada pelos responsáveis pela abertura. Destacam que o adensamento residencial em regiões como Lapa, Praça XV e Cinelândia contribui para manter viva a circulação de moradores, potencializando turismo e serviços durante e após o período carnavalesco.
Aberturinha: espaço infantil no Aterro do Flamengo
Pelo segundo ano consecutivo, a programação reserva atenção especial às crianças. A “Aberturinha” ocorre no Aterro do Flamengo, na altura do Belmonte, das 9h ao meio-dia. Entre 9h e 10h30, o Kidmi Brincante comanda oficinas de perna de pau, favorecendo atividades motoras e interação com os pais. Na sequência, das 10h30 às 11h, a Palhaça Claroca apresenta contação de histórias. A Banda Fanfarrinha encerra a manhã, das 11h às 12h, com repertório adaptado ao público infantil.
Espaços sombreados, água gratuita e brinquedos educativos compõem a estrutura destinada aos pequenos. A iniciativa reforça a ideia de carnaval como ambiente familiar e sustentável, ampliando o alcance da festa para além do público adulto.
Os eventos não se encerram neste domingo. Ensaios, rodas de samba e outros cortejos prosseguem ao longo de todo o pré-carnaval. O caminho mais eficaz para acompanhar a agenda é monitorar perfis oficiais dos blocos e páginas especializadas. Ali são divulgadas datas, mapas de deslocamento, campanhas de arrecadação para custos de bateria e orientações para fantasias temáticas.
O próximo destaque da temporada será a continuidade dos ensaios abertos durante a semana e novos encontros aos fins de semana, ampliando gradualmente o número de bairros envolvidos até o início do carnaval oficial em fevereiro.

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