Caneta emagrecedora: geriatras destacam riscos e orientações essenciais para idosos

A utilização da caneta emagrecedora por pessoas com 60 anos ou mais ganhou um alerta de especialistas em geriatria nesta terça-feira (6). Segundo representantes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o medicamento, embora eficaz para tratar obesidade, diabetes tipo 2 e apneia do sono, pode acelerar o declínio funcional do idoso quando empregado sem orientação adequada. Entre os efeitos descritos estão náuseas, vômitos, desidratação, perda de massa muscular e precipitação de síndromes como sarcopenia e fragilidade física.
- Por que a caneta emagrecedora demanda vigilância na terceira idade
- Efeitos adversos imediatos da caneta emagrecedora em pessoas com 60 anos ou mais
- Perda de massa muscular: o impacto oculto da caneta emagrecedora
- Indicação correta: tratamento de obesidade, diabetes e apneia
- Acompanhamento multidisciplinar garante uso seguro
- Risco adicional das versões falsificadas no mercado paralelo
- Conscientização sobre envelhecimento e metas de saúde
Por que a caneta emagrecedora demanda vigilância na terceira idade
O primeiro ponto ressaltado pelos geriatras é que o organismo envelhecido reage de forma distinta às mesmas substâncias empregadas em adultos jovens. Alterações na composição corporal, na taxa de filtração renal e na absorção de nutrientes tornam o idoso mais suscetível a eventos adversos. Portanto, mesmo um fármaco aprovado para controle de peso precisa de avaliação individual. Ao longo do envelhecimento, a reserva fisiológica diminui; quando o medicamento reduz o apetite ou causa desconforto gastrointestinal, uma margem pequena de hidratação e nutrição pode rapidamente tornar-se insuficiente, abrindo caminho para complicações graves.
Efeitos adversos imediatos da caneta emagrecedora em pessoas com 60 anos ou mais
Entre as reações de curto prazo descritas pelos especialistas constam náuseas intensas, episódios de vômito e maior dificuldade para ingerir alimentos e líquidos. Nos idosos, tais manifestações podem desencadear desidratação e distúrbios eletrolíticos, quadro capaz de comprometer funcionamento cardíaco, cognitivo e renal. A simples redução da ingestão hídrica pode ser suficiente para precipitar quedas de pressão, tontura e desmaios, aumentando o risco de quedas, fraturas e internações.
Além disso, a recusa alimentar que acompanha o mal-estar gástrico facilita a instalação de desnutrição. Deficiências de vitaminas e minerais interferem na cicatrização, na imunidade e na manutenção da massa óssea, elementos cruciais para a autonomia do idoso.
Perda de massa muscular: o impacto oculto da caneta emagrecedora
Os geriatras alertam que aproximadamente um terço do peso eliminado com o medicamento corresponde a músculo, não a gordura. Na prática, isso significa que, ao mesmo tempo em que o paciente emagrece, também sacrifica tecido magro responsável pela força, pelo equilíbrio e pela estabilidade articular. Em indivíduos mais velhos, cada quilo de músculo perdido pode representar dificuldade para levantar-se da cadeira, subir escadas ou carregar compras, repercutindo diretamente na independência funcional.
A perda muscular, chamada de sarcopenia quando progressiva e generalizada, associa-se a maior mortalidade, hospitalizações frequentes e pior qualidade de vida. A recuperação dessa massa após emagrecimento rápido nem sempre é possível, sobretudo se a pessoa não pratica exercícios de resistência nem adequa a ingestão proteica.
Indicação correta: tratamento de obesidade, diabetes e apneia
A SBGG enfatiza que a caneta emagrecedora foi desenvolvida para condições clínicas específicas. Obesidade é uma doença crônica, multifatorial e de manejo complexo. Quando bem indicada, a medicação auxilia no controle glicêmico, reduz marcadores inflamatórios e contribui para prevenir complicações cardiovasculares e renais. O mesmo raciocínio vale para diabetes tipo 2 e apneia do sono, situações em que a perda de peso comprovadamente melhora o prognóstico.
Por outro lado, utilizar o fármaco apenas para eliminar poucos quilos ou gordura localizada, com finalidade estética, foge das recomendações médicas descritas pelos especialistas. O risco-benefício nessa população não compensa, sobretudo quando o paciente tem 60 anos ou mais, pois os perigos de desnutrição e perda funcional superam os ganhos cosméticos.
Acompanhamento multidisciplinar garante uso seguro
Caso o idoso possua diagnóstico de obesidade ou outra condição contemplada pela bula, o tratamento deve envolver equipe multidisciplinar. O plano terapêutico inclui:
1. Avaliação médica: checagem de funções hepática e renal, revisão de medicamentos em uso e definição da dose adequada.
2. Monitoramento nutricional: adequação calórica e proteica para preservar músculo, além de suplementação vitamínica quando necessária.
3. Exercício supervisionado: sessões regulares de musculação ou fisioterapia específicas para força e equilíbrio, reduzindo o percentual de massa magra perdido.
4. Seguimento psicológico: apoio para lidar com restrição calórica e ajustes de hábitos sem comprometer saúde emocional.
Outra recomendação é evitar metas de emagrecimento agressivas. Quanto mais acelerada a redução de peso, maior a proporção de músculo sacrificada. Um ritmo gradual facilita a adaptação metabólica, mantém a ingesta nutricional adequada e reduz a probabilidade de efeitos colaterais intensos.
Risco adicional das versões falsificadas no mercado paralelo
Os geriatras também alertam para a circulação de produtos sem procedência, vendidos fora das farmácias legalizadas. Falsificações podem conter substâncias desconhecidas, concentração incorreta do princípio ativo ou contaminação por bactérias e fungos. Como a aplicação é injetável, falhas de assepsia elevam o risco de infecções cutâneas e sistêmicas. A ausência de controle de qualidade elimina qualquer garantia sobre eficácia e segurança.
Além disso, a lei brasileira exige apresentação de receita médica para adquirir a caneta emagrecedora. A prescrição serve para confirmar que o paciente passou por avaliação clínica completa. Obter o medicamento por vias informais, seja emprestando receituário ou comprando online sem registro, desvirtua essa etapa e amplia as chances de uso inadequado.
Conscientização sobre envelhecimento e metas de saúde
Os especialistas lembram que o acúmulo gradual de gordura faz parte da história evolutiva humana: estocar energia favorecia a sobrevivência quando o acesso a alimento era incerto. Contudo, em cenário de oferta calórica constante, essa predisposição torna-se fator de risco. Por isso, a luta contra o sobrepeso na velhice deve priorizar qualidade de vida e não apenas o número exibido pela balança.
Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regular e cuidar da saúde mental formam o tripé para resultados sustentáveis. Mesmo dentro de uma estratégia com medicação, esses pilares permanecem indispensáveis. Respeitar a velocidade segura de perda de peso, garantir consumo de vitaminas e minerais e incluir exercícios de força são condutas que preservam autonomia e reduzem complicações.
Segundo a SBGG, novas consultas médicas devem ser agendadas sempre que surgirem sintomas como enjoo persistente, desidratação ou perda de força muscular durante o tratamento. Essa vigilância precoce permite ajustar doses ou suspender o fármaco antes que o quadro se agrave.
Assim, o uso da caneta emagrecedora em idosos permanece uma opção terapêutica válida, porém condicionada à indicação correta, supervisão especializada e aquisição em estabelecimentos autorizados. A próxima etapa recomendada pelos geriatras é avaliar periodicamente composição corporal e função física para garantir que a perda de peso não se traduza em perda de independência.

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