Caixa Glauber Rocha: Cosac relança obras essenciais e coordena tributo pelos 45 anos do cineasta

Caixa Glauber Rocha: Cosac relança obras essenciais e coordena tributo pelos 45 anos do cineasta
Getting your Trinity Audio player ready...

A Caixa Glauber Rocha, preparada pela editora Cosac, reúne novas edições de três livros fundamentais do cineasta baiano e integra as homenagens pelos 45 anos de sua morte, que ainda incluem o restauro de longas e curtas produzidos durante seu exílio. O conjunto literário ganha prefácios inéditos, 50 fotografias nunca publicadas e reforça a relevância histórica do diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.

Índice

Caixa Glauber Rocha celebra 45 anos da morte do diretor

O ponto central das comemorações é o lançamento da Caixa Glauber Rocha, iniciativa que recupera três títulos escritos pelo cineasta e pensador que redefiniu o cinema brasileiro na década de 1960. A publicação acontece exatamente no ano em que se assinalam quatro décadas e meia de sua morte, ampliando o acesso a textos que se tornaram referência para pesquisadores, críticos e cineastas.

A Cosac concebeu a caixa como item de colecionador: cada volume recebe projeto gráfico renovado, prefácio assinado por especialistas contemporâneos e um caderno iconográfico com 50 imagens retiradas do acervo da família Rocha. A tiragem, direcionada ao mercado de livrarias e instituições de ensino, pretende alcançar tanto leitores iniciantes quanto estudiosos do cinema novo.

Conteúdo da Caixa Glauber Rocha: três livros referência

O primeiro livro, “Revisão crítica do cinema brasileiro”, foi escrito quando Glauber Rocha tinha pouco mais de vinte anos. Nesta obra ele examina a produção audiovisual nacional até o início dos anos 1960, apontando fragilidades estruturais na relação entre autores e produtores. A nova versão traz apresentação da pesquisadora Ivana Bentes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reconhecida por reflexões sobre cinema e cultura digital. No texto de abertura, Bentes contextualiza a influência do autor ao questionar o modelo dos estúdios Vera Cruz e defender um cinema militante de baixo orçamento.

O segundo volume, “Revolução do Cinema Novo”, foi originalmente lançado pela Embrafilme. Nele, Glauber reúne ensaios decisivos como “O processo cinema”, “O Cinema Novo” e “Tricontinental”, que consolidam seus princípios estéticos após o impacto internacional de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967). A reedição, agora incluída na Caixa Glauber Rocha, recebe prefácio de Adilson Mendes, pesquisador dedicado a políticas públicas de audiovisual. O material destaca o papel de Carlos Augusto Calil, então diretor de operações não-comerciais da Embrafilme e hoje dirigente da Cinemateca Brasileira, na primeira circulação do livro.

Encerrando a coleção, “O Século do Cinema” apresenta a visão do autor sobre as cinematografias norte-americana, italiana e francesa. O texto percorre gêneros, movimentos e autores como Jean Renoir e Michelangelo Antonioni, ambos conhecidos pessoalmente por Glauber durante festivais europeus. O jornalista Claudio Leal assina o novo prefácio e afirma que a reedição oferece um panorama amplo de manifestos e intervenções que continuam a influenciar cineastas brasileiros contemporâneos. Todos os volumes preservam ainda os prefácios originais do professor da USP Ismail Xavier, um dos principais teóricos do cinema no país.

Restauro de filmes reforça tributo além da Caixa Glauber Rocha

As homenagens literárias são acompanhadas por ações no campo audiovisual. O Fundo Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinará R$ 2 milhões ao restauro de três obras filmadas durante o exílio do diretor: o longa “História do Brasil” (1974) e os curtas “Amazonas, Amazonas” (1966) e “Di Glauber” (1977). A iniciativa inclui digitalização em alta resolução, correção de cor e recuperação de trilha sonora, etapas que devolvem às cópias seu estado original de exibição.

Após o processo técnico, os filmes serão apresentados em circuitos de festivais dedicados a preservação de patrimônio audiovisual e integrarão a Mostra BNDES Glauber Rocha, programada para ocorrer até o fim do ano na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A curadoria prevê sessões comentadas, mesas de debate e oficinas sobre restauração fílmica, ampliando o alcance educativo do projeto.

Glauber Rocha: trajetória e impacto internacional

Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, em 1939, Glauber Rocha ingressou no movimento que ficaria conhecido como Cinema Novo propondo filmes de forte crítica social e linguagem ousada. A carreira ganhou projeção com “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, exibido em Cannes, e se consolidou com “Terra em Transe”, premiado em diversos festivais europeus. Durante esse período ele travou diálogo criativo com nomes como Jean-Luc Godard e Pier Paolo Pasolini, reafirmando a relevância global do cinema latino-americano.

Paralelamente à filmografia, Glauber produziu textos teóricos nos quais discutia estética revolucionária, modos de produção independentes e o papel político do cineasta no Terceiro Mundo. O conjunto desses escritos, agora reunido na Caixa Glauber Rocha, revela as bases conceituais de uma obra que rompeu fronteiras e influenciou gerações posteriores, de Nelson Pereira dos Santos a Kleber Mendonça Filho. Mesmo quatro décadas após sua morte, o diretor permanece referência para debates sobre identidade nacional e representatividade nas telas.

Outras publicações em destaque no mercado editorial

Além da Caixa Glauber Rocha, o mercado editorial brasileiro anuncia títulos que abordam diferentes realidades culturais. “Sombras”, lançamento de março pela ÔZé Editora, propõe discutir o garimpo ilegal e seus impactos socioambientais no formato de poema visual inspirado na tradição do teatro de sombras. A obra é assinada por Luise Weiss, Felipe Valério, Fabio Brazil e Wanda Gomes, equipe responsável pelo premiado livro “Oikoá”. Ao final, um posfácio reúne dados sobre a expansão da extração clandestina, especialmente na Amazônia.

Já “A nova literatura chinesa: Lume”, publicado pelo selo Cultura Acadêmica da Fundação Editora da Unesp, oferece ao leitor brasileiro uma antologia com textos de dez autores contemporâneos da China. O projeto nasce em parceria com a revista Renmin Wenxue (Literatura do Povo) e organiza seus contos em torno do tema “Vida”, permitindo contato com diferentes vozes, de nomes consagrados a estreantes. A iniciativa amplia a circulação da produção chinesa no país, impulsionada após o Prêmio Nobel de Mo Yan em 2012.

A combinação de relançamentos históricos, investimentos em preservação de filmes e novos livros que tratam de temas urgentes confirma a vitalidade do setor cultural neste início de ano. O próximo marco do calendário é a abertura da Mostra BNDES Glauber Rocha, previsto para ocorrer até dezembro, quando o público poderá conferir as cópias restauradas de “História do Brasil”, “Amazonas, Amazonas” e “Di Glauber”.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK