BYD supera Tesla e assume liderança global em vendas de veículos elétricos

BYD supera Tesla pela primeira vez em um ano-calendário e encerra 2025 como a maior vendedora de veículos elétricos do mundo, depois de registrar 2,26 milhões de unidades entregues, quase 28 % acima do volume do ano anterior, enquanto a norte-americana Tesla totalizou 1,64 milhão de carros, número que representa retração anual de cerca de 8 %.
- Cenário competitivo: como BYD supera Tesla no mercado de elétricos
- BYD supera Tesla em números: detalhamento das vendas de 2025
- Impacto da queda nas entregas da Tesla
- Recordes e turbulências: o ano de 2025 para a Tesla
- Da desconfiança à superação: lembrança do comentário de 2011
- O que muda depois que BYD supera Tesla e quais são os próximos passos
Cenário competitivo: como BYD supera Tesla no mercado de elétricos
O fato central envolve duas empresas que simbolizam a transição global para a mobilidade livre de emissões. A chinesa BYD, fundada em 1995 e com foco inicial em baterias recarregáveis, viu seu portfólio automotivo crescer rapidamente na última década, oferecendo desde compactos urbanos até utilitários robustos. Do outro lado, a Tesla, criada em 2003 no Vale do Silício e liderada por Elon Musk, popularizou o conceito de carro elétrico premium e passou a referência obrigatória do setor. Em 2025, no entanto, a dinâmica mudou: a BYD ampliou a produção local, diversificou modelos e alcançou escala internacional suficiente para superar a concorrente norte-americana em unidades vendidas.
BYD supera Tesla em números: detalhamento das vendas de 2025
O salto da BYD se evidencia em dados objetivos. As vendas de veículos totalmente elétricos (BEVs) da empresa chinesa atingiram 2,26 milhões de unidades no ano, avanço de quase 28 % em relação ao período anterior. Esse desempenho coloca a montadora mais de 620 000 veículos à frente da Tesla, cujo total ficou em 1,64 milhão. O resultado revela uma virada histórica, porque até 2024 a norte-americana mantinha a liderança global, com 1,8 milhão de entregas naquele exercício.
Além do volume anual, chama atenção a curva ascendente da BYD em contraste com a trajetória de queda da rival. Enquanto a Tesla registrou retração de cerca de 8 % em relação a 2024 — segundo recuo consecutivo —, a fabricante chinesa sustentou ritmo de crescimento acelerado. A capacidade de adicionar mais de meio milhão de veículos em doze meses foi determinante para a troca de posições no ranking mundial.
Impacto da queda nas entregas da Tesla
O declínio da Tesla torna-se ainda mais evidente quando se analisam os dados trimestrais. No quarto trimestre de 2025, as entregas somaram aproximadamente 416 000 unidades, 16 % abaixo do mesmo intervalo de 2024, quando a empresa havia alcançado 495 570 veículos. Esse recuo, em meio a uma concorrência cada vez mais agressiva de fabricantes chineses, contribuiu de forma decisiva para a perda da liderança global.
O desempenho trimestral fraco foi influenciado por fatores como um portfólio concentrado em modelos já maduros, ajustes na linha de produção e pressão de preço exercida por montadoras asiáticas. Com ofertas de veículos elétricos que combinam tecnologia avançada e valores mais acessíveis, concorrentes instalaram desafios de escala e margem que a Tesla precisou enfrentar durante todo o ano.
Recordes e turbulências: o ano de 2025 para a Tesla
Apesar das dificuldades nas vendas, 2025 trouxe momentos de euforia para os acionistas da Tesla. Após forte queda nas cotações no primeiro trimestre, impulsionada pela competição intensificada e pela repercussão negativa de declarações políticas de Elon Musk, os papéis se recuperaram. No mês anterior ao fechamento do ano, as ações atingiram recorde histórico de US$ 489,88, sustentadas pelo anúncio de testes de veículos autônomos em Austin, no Texas, sem ocupantes a bordo. O projeto começou quase seis meses depois do lançamento de um programa piloto conduzido com motoristas de segurança.
Essa oscilação nos mercados financeiros mostra que, embora a Tesla tenha cedido a liderança em volume, ainda preserva apelo tecnológico junto a investidores que apostam na condução autônoma como próximo salto de inovação. Entretanto, o contraste entre a valorização bursátil e o encolhimento no número de entregas coloca pressão adicional sobre a direção da companhia para reconquistar terreno comercial.
Da desconfiança à superação: lembrança do comentário de 2011
A inversão de papéis ganha contornos simbólicos quando se resgata um episódio de 2011. Naquele ano, em entrevista à Bloomberg TV, Elon Musk foi questionado sobre a então incipiente BYD. O executivo reagiu com risos e afirmou não enxergar a empresa chinesa como concorrente, minimizando a qualidade de seus produtos. Passados quatorze anos, o cenário é oposto: a BYD lidera em vendas globais, enquanto a Tesla precisa lidar com dois anos seguidos de retração.
O contraste ajuda a ilustrar quão rapidamente o mercado pode mudar, especialmente na indústria automotiva elétrica, em que avanços em baterias, linhas de montagem e cadeias de suprimento podem redefinir posições em pouco tempo. A jornada da BYD, de alvo de descrença a líder mundial, reflete uma combinação de investimentos em pesquisa e estratégia de preços agressiva.
O que muda depois que BYD supera Tesla e quais são os próximos passos
O novo ranking de 2025 estabelece parâmetros inéditos para 2026. A BYD inicia o ano-base com vantagem numérica considerável, suportada por oferta diversificada de carros compactos, sedãs, SUVs e comerciais leves, todos alinhados à demanda interna chinesa e aos planos de expansão em mercados estrangeiros. A empresa indicou manter a estratégia de alta produção, embora não tenha divulgado metas específicas no comunicado que revelou suas vendas anuais.
Já a Tesla, que consolidou a produção global em 1,64 milhão de unidades, apontou para metas de 1,6 milhão em sua própria estimativa consolidada, mantida para 2025. Como o volume efetivo ficou dentro desse intervalo, a companhia de Elon Musk adotará agora medidas para retomar o crescimento. As iniciativas públicas conhecidas envolvem acelerar o desenvolvimento de software de direção autônoma, otimizar custos de fabricação e avaliar ajustes de preço conforme a concorrência.
Nos meses seguintes, o setor acompanhará de perto os resultados dos testes de veículos autônomos sem motorista em Austin. Caso obtenham aprovação regulatória, esses experimentos poderão influenciar novos modelos de negócio, como o serviço de robotáxis, citado pela empresa em diferentes ocasiões. A repercussão desses avanços provavelmente se refletirá tanto nas vendas quanto na percepção de mercado.
Enquanto isso, fabricantes asiáticos permanecem no centro das atenções. A BYD, com 2,26 milhões de elétricos entregues em 2025, estabeleceu um novo balizador de escala. A continuidade desse crescimento será determinante para definir se a empresa consolidará a primeira posição ou se haverá espaço para uma retomada da Tesla. O próximo grande evento do calendário é a divulgação dos resultados de produção do primeiro trimestre de 2026, quando o mercado terá uma fotografia inicial do rumo de ambas as companhias após a virada histórica.

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