BRB apresenta plano de capital ao Banco Central para cobrir rombo de R$ 5 bi e garantir liquidez

BRB apresenta plano de capital ao Banco Central para cobrir rombo de R$ 5 bi e garantir liquidez
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BRB entregou ao Banco Central um Plano de Capital que pretende restabelecer o equilíbrio patrimonial da instituição num prazo máximo de 180 dias, após perdas estimadas em R$ 5 bilhões decorrentes de operações com o Banco Master.

Índice

Entrega do plano de capital do BRB ao Banco Central

O documento foi apresentado presencialmente pelo presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Gilneu Vivan. A reunião, realizada na própria sede do órgão regulador, contou ainda com a participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, indicando o interesse direto do controlador na solução do problema de capitalização da instituição financeira distrital.

Na prática, o encontro oficializa o início de um cronograma que deve culminar, em até seis meses, na recomposição dos índices prudenciais exigidos pelo regulador. O Plano de Capital não teve valores divulgados, mas foi descrito pelo banco como um conjunto de medidas preventivas destinadas a preservar a sustentabilidade das operações, reforçar a liquidez e oferecer transparência a clientes, investidores e parceiros.

Perdas com Banco Master explicam a urgência do BRB

A necessidade de capitalização ganhou corpo depois que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal que transações com o Banco Master causaram um impacto negativo de aproximadamente R$ 5 bilhões no balanço do Banco de Brasília. As investigações apuram a aquisição, pelo BRB, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Master, parte delas supostamente superfaturada ou até mesmo inexistente.

Segundo o BRB, aproximadamente R$ 10 bilhões desse montante já foram substituídos ou liquidados, mas o passivo remanescente ainda pressiona os indicadores de capital. Ao mesmo tempo, a instituição nega bloqueios de bens e reitera que todas as providências necessárias para a continuidade das atividades estão em curso.

Estratégias listadas para a recomposição de capital do BRB

Apesar de não detalhar as ações no comunicado oficial, o Banco de Brasília trabalha com cinco alternativas formais para restaurar seus níveis de capital e liquidez:

1. Empréstimos de outras instituições financeiras: a captação pode envolver desde bancos privados até o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), aumentando rapidamente o caixa da instituição.

2. Venda de ativos: a alienação de carteiras imobiliárias e de créditos concedidos a estados e municípios aparece como opção para gerar receita sem recorrer a injeção de recursos públicos imediata.

3. Criação de fundo imobiliário com ativos do GDF: terrenos e imóveis do governo distrital poderiam ser transferidos para composição de um fundo, cujo patrimônio serviria como lastro para atrair investidores privados.

4. Aportes diretos do Tesouro do Distrito Federal: o Governo do Distrito Federal, controlador do banco, pode injetar recursos próprios, solução sujeita aos limites fiscais da administração local.

5. Empréstimo do GDF junto ao FGC, com posterior repasse ao banco: esse mecanismo permitiria ao governo captar recursos em condições de mercado e repassá-los ao BRB para reforço de capital.

Qualquer medida que envolva recursos do erário distrital exigirá autorização da Câmara Legislativa do DF. O conjunto de alternativas foi estruturado para injetar liquidez, reduzir o porte da instituição — via venda de ativos — e, consequentemente, diminuir a necessidade de aportes adicionais em um contexto de restrições orçamentárias.

Dependência do Governo do Distrito Federal e trâmites legislativos

A participação do secretário de Economia na apresentação do plano evidencia a interdependência entre o banco e seu acionista majoritário, o Governo do Distrito Federal. Intervenções que impliquem uso de recursos públicos estão condicionadas ao aval legislativo, questão delicada em meio a um cenário de limitações fiscais locais.

Além da aprovação do parlamento distrital, qualquer aporte precisará ser compatibilizado com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece metas de resultado e limites para endividamento. Por essa razão, o Plano de Capital desenha possibilidades complementares de mercado, como venda de carteiras e obtenção de crédito junto a terceiros, para mitigar o peso sobre o Tesouro distrital.

Venda de ativos e ajustes no balanço já em andamento

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, citada pelo mercado financeiro, deu conta de que o BRB se antecipou à homologação do plano e já alienou cerca de R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade. Entre eles estariam operações de crédito consignado e antecipação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), utilizadas para conter a fuga de capitais após a liquidação do Banco Master.

Ainda segundo o periódico, a instituição negocia a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de crédito com garantia do Tesouro Nacional, operação que pode render aproximadamente R$ 730 milhões em valor presente. O banco também estuda se desfazer de fundos de investimento adquiridos do próprio Banco Master, o que ajudaria a reduzir a exposição ao grupo atualmente sob investigação.

Prazos das investigações e próximos marcos regulatórios

O Plano de Capital estabelece um horizonte de 180 dias para recompor os índices exigidos pelo Banco Central. Contudo, parte das ações está vinculada à conclusão das investigações que apuram eventuais irregularidades nas transações anteriormente fechadas com o Banco Master. Caso seja comprovada a necessidade de reforço de capital pelo controlador, o Governo do Distrito Federal terá de articular as votações necessárias e escolher a fonte de recursos mais viável, dentro das alternativas listadas.

Durante esse período, o Banco Central seguirá monitorando indicadores de liquidez, de solvência e de qualidade de ativos do BRB. A autoridade supervisora costuma exigir relatórios periódicos detalhando a execução das etapas e a eficácia das medidas adotadas. O banco, por sua vez, comprometeu-se a divulgar informações de forma transparente a clientes, investidores e parceiros, de modo a reduzir incertezas enquanto o plano avança.

Até a conclusão do prazo regulamentar de 180 dias, a instituição pretende concluir as vendas de carteiras de crédito em negociação, avaliar a constituição do fundo imobiliário com ativos do GDF e, se necessário, solicitar a tramitação de um projeto de lei distrital que autorize eventuais aportes diretos do Tesouro. Esse cronograma, alinhado ao Banco Central, representa o próximo ponto de verificação para o mercado e para os órgãos de controle envolvidos no processo.

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