Brasileiros deixam Venezuela após ataque dos EUA contra a Venezuela, confirma Itamaraty

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O ataque dos EUA contra a Venezuela desencadeou o retorno imediato de 100 turistas brasileiros que estavam em território venezuelano e cruzaram a fronteira para Roraima no sábado, 3 de janeiro de 2026. O Ministério das Relações Exteriores informou que, até o momento, não há registro de brasileiros feridos e que todas as representações diplomáticas permanecem em alerta para novos desdobramentos.
- Turistas retornam após ataque dos EUA contra a Venezuela
- Itamaraty acompanha comunidade brasileira e mantém contato permanente
- Fronteira segue aberta apesar do ataque dos EUA contra a Venezuela
- Autoridades brasileiras coordenam resposta ao ataque dos EUA contra a Venezuela
- Cenário internacional e antecedentes da agressão
- Brasil define interlocução com governo venezuelano
- Próximas agendas diplomáticas
- Repercussões econômicas e estratégicas
- Estado de prontidão e linhas de apoio aos brasileiros
- Próximo marco: reuniões da Celac e do Conselho de Segurança
Turistas retornam após ataque dos EUA contra a Venezuela
De acordo com dados divulgados pelo governo brasileiro, o grupo de 100 cidadãos estava em viagem de turismo quando as forças norte-americanas deram início a uma ofensiva militar em solo venezuelano. O deslocamento ocorreu pela fronteira terrestre em Roraima, ponto de passagem tradicional entre os dois países. A saída foi descrita como organizada e sem ocorrência de incidentes, corroborando as declarações oficiais de que a região fronteiriça se mantém relativamente calma.
O fluxo de entrada desses viajantes foi acompanhado por autoridades de imigração brasileiras e monitorado em tempo real pelo Itamaraty. Apesar da gravidade do panorama internacional, todos os retornados passaram pelos trâmites habituais de controle de fronteira e receberam orientação acerca de possíveis desenvolvimentos futuros.
Itamaraty acompanha comunidade brasileira e mantém contato permanente
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, detalhou que a Embaixada do Brasil em Caracas e o Vice-Consulado seguem coletando informações sobre a segurança de residentes e viajantes brasileiros no país vizinho. Segundo a chanceler em exercício, não existe, até o presente, qualquer registro de vítimas entre os nacionais.
Maria Laura da Rocha substitui temporariamente o ministro Mauro Vieira, que interrompeu férias para retornar a Brasília e participar dos esforços de coordenação. A pasta também destacou que linhas de comunicação de emergência foram reforçadas para atender eventuais solicitações de auxílio consular.
Fronteira segue aberta apesar do ataque dos EUA contra a Venezuela
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que não há impedimentos ao trânsito entre Venezuela e Brasil. Ele reforçou que cidadãos que desejarem deixar o território venezuelano devem contatar a Embaixada ou o Vice-Consulado brasileiros. De acordo com o ministro, as Forças Armadas permanecem em “estado de prontidão” apenas para acompanhar possíveis mudanças no status da fronteira.
Essa orientação também foi estendida aos brasileiros que ainda residem ou viajam em outras regiões da Venezuela. As missões diplomáticas mantêm cadastros atualizados de seus nacionais, prática que facilita acionamentos urgentes e repasses de informações oficiais.
Autoridades brasileiras coordenam resposta ao ataque dos EUA contra a Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conduziu duas reuniões emergenciais no Palácio do Planalto no sábado. Estiveram presentes os titulares da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; da Defesa, José Múcio; da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira; e representantes de pastas estratégicas, como Casa Civil e Relações Institucionais. Participou por videoconferência a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira.
O foco desses encontros foi a análise de cenários a curto e médio prazos, envolvendo tanto a atuação consular quanto as repercussões diplomáticas. O governo reiterou posição histórica de defesa da soberania nacional e da integridade territorial dos Estados, fundamentos do direito internacional que, segundo o Planalto, foram violados pela ação militar norte-americana.
Cenário internacional e antecedentes da agressão
A ofensiva marca o primeiro episódio de intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina desde 1989, quando tropas norte-americanas invadiram o Panamá e capturaram Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico. No caso atual, Washington alega que o presidente venezuelano Nicolás Maduro lideraria um suposto “Cartel de Los Soles”, tese questionada por especialistas em tráfico de drogas citados em análises do governo brasileiro.
O Departamento de Estado dos EUA oferecia recompensa de até US$ 50 milhões por informações que resultassem na prisão de Maduro, elevando a tensão diplomática entre Caracas e Washington e contribuindo para o fechamento de canais formais de diálogo antes da operação militar.
Brasil define interlocução com governo venezuelano
Questionada sobre a autoridade legítima em Caracas, a ministra interina das Relações Exteriores indicou que o Brasil reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado em exercício, em virtude da ausência de Maduro. A chanceler destacou que essa definição atende ao protocolo constitucional venezuelano e facilita a comunicação bilateral durante a crise.
Com essa interlocução, Brasília espera garantir a segurança da comunidade brasileira e promover soluções pacíficas no âmbito regional. O posicionamento também reforça o princípio de não intervenção, ponto central da diplomacia do país.
Próximas agendas diplomáticas
O Brasil participará de duas reuniões multilaterais para discutir o ataque dos EUA contra a Venezuela. A primeira ocorre na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), neste domingo, 4 de janeiro, reunindo chanceleres da região. A segunda está marcada para segunda-feira, 5 de janeiro, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
Em ambas as instâncias, a delegação brasileira deve reiterar posição contrária a intervenções militares e defender a retomada de canais diplomáticos entre Estados Unidos e Venezuela. As discussões poderão refletir diretamente em eventuais resoluções ou sanções, além de influenciar a estabilidade fronteiriça sul-americana.
Repercussões econômicas e estratégicas
Críticos da ação de Washington argumentam que, além de denúncias de narcotráfico, há interesse geopolítico em afastar a Venezuela de parceiros como China e Rússia e assegurar maior controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta. Embora o governo brasileiro não tenha emitido avaliação sobre tais motivações, analistas consultados em documentos internos mencionados pela chancelaria classificam os fatores energéticos como relevantes na equação estratégica.
Para o Itamaraty, qualquer discussão sobre recursos naturais ou alinhamentos internacionais deve ocorrer sob a égide do multilateralismo, sem uso da força. Nesse sentido, a participação nas sessões da Celac e do Conselho de Segurança se tornará espaço para consolidar a defesa da legalidade internacional.
Estado de prontidão e linhas de apoio aos brasileiros
Enquanto aguarda o desenrolar das negociações diplomáticas, o governo brasileiro manteve equipes de plantão em Roraima e ativou canais de atendimento emergencial. Orientações incluem:
• Registro junto à Embaixada ou Vice-Consulado;
• Atualização de contatos para recebimento de alertas;
• Respeito às instruções locais de segurança;
• Consulta periódica aos comunicados oficiais do MRE.
A Defesa destacou que as Forças Armadas brasileiras continuam monitorando a faixa de fronteira, mas não há, até agora, movimentação militar incomum em território nacional.
Próximo marco: reuniões da Celac e do Conselho de Segurança
O próximo ponto de atenção será a reunião ministerial da Celac neste domingo, 4 de janeiro, seguida pelo debate no Conselho de Segurança da ONU agendado para segunda-feira, 5 de janeiro, ocasiões em que a agressão dos EUA contra a Venezuela deverá dominar a pauta regional e global.

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