Brasileiras estreiam em resultados opostos no WTA de Adelaide e Brasil projeta participação no Aberto da Austrália

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WTA de Adelaide abriu a temporada 2026 para as principais tenistas brasileiras com resultados contrastantes: Beatriz Haddad Maia se despediu logo na primeira rodada de simples, enquanto Luisa Stefani, atuando ao lado da tcheca Marie Bouzkova, avançou às quartas de final nas duplas. O torneio australiano funciona como teste derradeiro antes do Aberto da Austrália, previsto para começar em 18 de janeiro, e serve de termômetro para outras figuras nacionais que buscam espaço no primeiro Grand Slam do ano.
- Bia Haddad estreia com revés no WTA de Adelaide
- Dupla Stefani e Bouzkova avança às quartas no WTA de Adelaide
- Parceria emergencial após lesão e retrospecto no circuito
- Agenda brasileira em Adelaide: simples e duplas no masculino
- Panorama brasileiro rumo ao Aberto da Austrália
- O que vem a seguir no calendário
Bia Haddad estreia com revés no WTA de Adelaide
A paulistana Beatriz Haddad Maia entrou em quadra na madrugada de segunda-feira (horário local) para encarar a canadense Victoria Mboko, uma das revelações do circuito. O confronto, válido pela primeira rodada da chave de simples do WTA 500, estendeu-se por três sets. Haddad largou na frente ao vencer a parcial inicial por 7/5, mas perdeu consistência nos games de serviço e cedeu a virada com parciais de 3/6 e 2/6. O resultado eliminou a número 39 do ranking mundial logo na estreia e encerrou sua participação no evento preparatório.
O revés marca o retorno de Haddad às competições depois de ter antecipado o fim da temporada anterior em setembro para dedicar-se à saúde mental. A interrupção prolongada provocou queda no ranking e explica a ausência de cabeça de chave, fator que a expôs a adversárias ranqueadas em fases iniciais. Ainda assim, a brasileira tem vaga direta na chave principal do Aberto da Austrália e tentará recuperar ritmo até sua estreia em Melbourne.
Dupla Stefani e Bouzkova avança às quartas no WTA de Adelaide
Se a jornada de Haddad terminou de forma precoce, o dia foi positivo para Luisa Stefani. A paulista, 13.ª no ranking de duplas, formou parceria provisória com a tcheca Marie Bouzkova devido a uma lesão da habitual companheira Gabriela Dabrowski. Na primeira rodada, o novo duo derrotou sem sustos a estoniana Ingrid Neel e a norueguesa Ulrikke Eikeri: 6/3 e 6/0 em menos de uma hora de jogo. Com o êxito, Stefani e Bouzkova garantiram presença nas quartas de final.
O próximo compromisso está agendado para a noite de terça ou a madrugada de quarta, ainda no Adelaide International Tennis Centre. As adversárias serão a cazaque Anna Danilina e a sérvia Aleksandra Krunic, cabeças de chave número 4 do torneio. O duelo medirá a solidez do entrosamento recém-formado e dará pistas sobre o potencial da dupla na reta final de preparação para Melbourne.
Parceria emergencial após lesão e retrospecto no circuito
A opção por Bouzkova surgiu quando Dabrowski, parceira original de Stefani, sentiu problema físico e foi retirada da competição. A brasileira e a canadense haviam retomado a sociedade para 2026 depois de um intervalo de duas temporadas. Entre 2020 e 2023, o par formou uma das equipes mais competitivas do circuito feminino, conquistando título no WTA 1000 de Montreal e alcançando vice-campeonatos em Cincinnati e San Jose.
Mesmo sem tempo de quadra juntas, Stefani e Bouzkova mostraram combinação de estilos complementares. Enquanto a brasileira exibe potência no saque e agressividade na rede, a tcheca apresenta consistência no fundo de quadra. O desempenho dominante na estreia reforça a possibilidade de continuidade até, pelo menos, o fim da campanha em Adelaide.
Agenda brasileira em Adelaide: simples e duplas no masculino
Além do quadro feminino, o WTA de Adelaide — que ocorre em paralelo ao torneio ATP 250 — envolve outros nomes do país. No masculino, a parceria gaúcha formada por Rafael Matos e Orlando Luz estreia na noite de segunda-feira contra os favoritos Austin Krajicek, dos Estados Unidos, e Nicola Mektic, da Croácia. O confronto, previsto para as 21h30 (Brasília), serve de aquecimento final para a dupla antes do Grand Slam.
Embora não componha o evento feminino, o calendário integrado na cidade australiana oferece oportunidade para que atletas de ambos os gêneros ajustem detalhes técnicos em condições climáticas semelhantes às de Melbourne, conhecidas por altas temperaturas e quadras rápidas.
Panorama brasileiro rumo ao Aberto da Austrália
Fora do WTA de Adelaide, mas de olho em Melbourne, o carioca João Fonseca deu passo importante para o tênis brasileiro. Atual 30.º na lista da ATP, o atleta de 19 anos será cabeça de chave em um Grand Slam pela primeira vez. A posição se tornou viável após desistências do britânico Jack Draper e do dinamarquês Holger Rune, permitindo que Fonseca figure como cabeça 28. O feito interrompe jejum de 11 anos; o último brasileiro a receber tal status fora Thomaz Bellucci, no US Open de 2015.
Fonseca chegou a sentir dores lombares e, por precaução, abdicou dos primeiros torneios da temporada — Brisbane e Adelaide. O descanso adicional visa deixá-lo em plena forma para encarar partidas ao melhor de cinco sets, exigência característica dos Majors.
Entre os que ainda batalham por espaço na chave principal, o paranaense Thiago Wild iniciou a fase qualificatória nesta segunda contra o equatoriano Álvaro Guillen Meza. A caminhada até o quadro principal requer três vitórias. Wild ocupa atualmente a 216.ª colocação, enquanto seu oponente é o 193.º no ranking.
No domingo, o paulista Gustavo Heide superou o britânico Jay Clarke com duplo 6/3 e avançou à segunda rodada do quali. Na sequência, encara o croata Dino Prizmic, número 127 do mundo. Já João Lucas Reis e Laura Pigossi foram eliminados em seus compromissos inaugurais.
O que vem a seguir no calendário
O cronograma imediato do tênis brasileiro reserva três pontos de atenção. Primeiramente, o duelo entre Stefani/Bouzkova e Danilina/Krunic definirá uma vaga nas semifinais de duplas do WTA 500 de Adelaide. Em seguida, observa-se a continuidade do quali masculino, decisivo para Wild e Heide. Por fim, todas as atenções se voltam ao domingo, 18 de janeiro, quando o Aberto da Austrália inicia suas disputas de simples e duplas em Melbourne Park, definindo o primeiro grande capítulo da temporada 2026.

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