Brasil mantém quase US$ 3 bilhões em comércio com Irã em 2025 e agronegócio lidera operações

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comércio com Irã permanece relevante para o Brasil: em 2025, as transações bilaterais somaram quase US$ 3 bilhões, consolidando Teerã como um dos principais compradores do agronegócio brasileiro no Oriente Médio, mesmo que a parceria represente apenas 0,84% do total exportado pelo país.
- Participação global do comércio com Irã nas vendas brasileiras
- Exportações: agronegócio sustenta comércio com Irã em 2025
- Importações: fertilizantes guiam o sentido inverso do comércio com Irã
- Oscilações históricas no comércio com Irã e tendência recente de recuperação
- Ameaça de tarifas dos EUA pode alterar o comércio com Irã
- Esforços diplomáticos reforçam comércio com Irã e ampliam cooperação
- Perspectivas e próximos passos
Participação global do comércio com Irã nas vendas brasileiras
O fluxo de bens embarcados do Brasil para o Irã atingiu US$ 2,9 bilhões em 2025, de acordo com estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Esse desempenho colocou o destino persa na 31ª posição entre todos os compradores de produtos brasileiros, atrás de mercados tradicionais como Estados Unidos, China e Argentina, mas à frente de economias como Suíça, África do Sul e Rússia.
Dentro do Oriente Médio, a classificação é ainda mais elevada. Apenas Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita superaram o Irã como compradores da produção nacional, o que faz da nação persa o quinto maior parceiro brasileiro na região em 2025.
Exportações: agronegócio sustenta comércio com Irã em 2025
O agronegócio responde amplamente pela receita das exportações. Somados, milho e soja representaram 87,2% do total vendido ao Irã. O milho, isoladamente, alcançou participação de 67,9%, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão. Na sequência, a soja agregou 19,3%, equivalente a aproximadamente US$ 563 milhões.
Outros embarques, embora em proporção menor, completaram a pauta exportadora: açúcares e produtos de confeitaria, farelos de soja destinados à alimentação animal e petróleo figuraram entre os principais itens. A concentração em commodities agrícolas evidencia a dependência mútua entre o setor rural brasileiro e a demanda iraniana por insumos alimentícios.
Apesar da dominância desses dois grãos, há espaço para diversificação. Os volumes de açúcar, farelo e derivados do petróleo indicam iniciativas pontuais de ampliação de portfólio, aspecto que pode ganhar importância diante de eventuais pressões externas, como barreiras tarifárias ou mudanças na logística.
Importações: fertilizantes guiam o sentido inverso do comércio com Irã
No fluxo contrário, o valor foi bastante inferior. O Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em bens originários do Irã em 2025, montante que corresponde a apenas uma fração do que foi exportado. Os dados do Mdic apontam que adubos e fertilizantes responderam por 79% dessas compras, confirmando a relevância dos insumos químicos para a agricultura brasileira.
Frutas, nozes, pistaches e uvas secas completaram a lista, mas com participação modesta. Embora os números não alterem de forma significativa a balança comercial brasileira, a aquisição de fertilizantes iranianos reforça a interdependência do setor agrícola em ambas as direções: enquanto o Irã precisa de grãos, o Brasil busca fontes internacionais de nutrientes para os seus cultivos.
Oscilações históricas no comércio com Irã e tendência recente de recuperação
A relação bilateral apresentou trajetórias distintas desde 2022. Naquele ano, as exportações brasileiras ao Irã alcançaram o pico de US$ 4,2 bilhões, valor que recuou em 2023, subiu novamente em 2024 e atingiu os quase US$ 3 bilhões registrados em 2025. As importações seguiram padrão ainda mais volátil, caindo de forma acentuada em 2023 para depois registrar recuperação no ano passado.
Essas flutuações refletem fatores conjunturais, como disponibilidade de grãos no mercado internacional, variações cambiais e condições internas da economia iraniana. A volatilidade também sugere sensibilidade aos desdobramentos geopolíticos que envolvem o país persa, incluindo sanções econômicas e mudanças no cenário energético.
Ameaça de tarifas dos EUA pode alterar o comércio com Irã
O ambiente de negócios ganhou nova incerteza em janeiro de 2026, quando o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a intenção de aplicar tarifas de 25% sobre países que mantenham relações comerciais com o Irã. Segundo a declaração, a medida valeria para todas as transações desses países com os Estados Unidos e entraria em vigor imediatamente, embora detalhes formais ainda não tenham sido divulgados pela Casa Branca.
Para o Brasil, a sinalização norte-americana representa risco potencial, sobretudo para o agronegócio, setor mais exposto ao comércio com Irã. Caso as tarifas se confirmem, exportadores brasileiros que também dependem do mercado norte-americano podem enfrentar custos adicionais ou barreiras ao acesso, obrigando empresas e governo a reavaliar rotas e contratos.
Em nota preliminar, o governo brasileiro informou que aguardará a publicação da ordem executiva para se manifestar, demonstrando cautela diante de um cenário que pode afetar não apenas as cifras bilionárias com Teerã, mas também mercados consolidados nos Estados Unidos.
Esforços diplomáticos reforçam comércio com Irã e ampliam cooperação
Paralelamente às negociações comerciais, os dois países intensificaram a diplomacia econômica. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou Brasília e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na agenda, ficou acordada a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, instrumento previsto para destravar pautas técnicas, facilitar trâmites sanitários e ampliar o intercâmbio de conhecimento.
Outro ponto de interesse foi a possibilidade de o Irã instalar uma empresa de navegação no Brasil. Caso avance, a iniciativa reduziria custos logísticos e, potencialmente, ampliaria o volume de mercadorias transportadas entre os países, ao otimizar rotas marítimas e oferecer maior previsibilidade de fretes.
Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco composto inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A condição de membro pode favorecer fóruns de diálogo sobre infraestrutura e financiamento, colaborando para sustentar o comércio com Irã mesmo diante de tensões externas.
Perspectivas e próximos passos
A possível tarifação norte-americana ocorre em um contexto de tensões renovadas entre Washington e Teerã, marcado por trocas de ameaças, repressão a protestos internos no Irã e declarações ambíguas sobre a retomada de negociações nucleares. Em meio a esse cenário, exportadores brasileiros aguardam definições para ajustar estratégias de curto prazo.
Sob o ponto de vista governamental, a próxima etapa é a publicação da ordem executiva dos Estados Unidos. Somente após conhecer o instrumento jurídico completo o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços deverão adotar posição oficial, avaliando impactos e alternativas para preservar o fluxo bilateral de quase US$ 3 bilhões mantido em 2025.

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