Brasil celebra cinco anos da primeira aplicação da vacina contra a covid-19

Brasil celebra cinco anos da primeira aplicação da vacina contra a covid-19
Getting your Trinity Audio player ready...

Em 17 de janeiro de 2021, o Brasil registrou o início de uma nova etapa no enfrentamento da pandemia ao aplicar a primeira vacina contra a covid-19 em território nacional. O procedimento tornou-se um marco sanitário, científico e logístico, abrindo caminho para uma campanha que, ao longo dos doze meses seguintes, alcançaria a maior parte da população adulta e evitaria centenas de milhares de internações e óbitos.

Índice

Primeira aplicação da vacina contra a covid-19 marca virada histórica

A primeira dose foi administrada na cidade de São Paulo logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovar, em caráter emergencial, dois imunizantes. A beneficiária foi uma enfermeira que havia participado dos ensaios clínicos da CoronaVac no fim de 2020, experiência que comprovou a segurança do produto. Funcionária de um hospital de referência em doenças infectocontagiosas, a profissional atuava em plantão quando recebeu a comunicação de que seria imunizada. O gesto simbolizou a esperança para trabalhadores de saúde que, desde o início da crise, atendiam pacientes em situação crítica.

A escolha da enfermeira obedeceu a critérios técnicos: participação prévia em estudo clínico, exposição direta ao vírus e vínculo ativo com a linha de frente em hospital especializado. Naquele momento, o país ainda vivenciava o avanço da variante Gama, caracterizada por maior transmissibilidade e letalidade, o que realçava a urgência da vacinação.

Logística inicial da campanha nacional de vacina contra a covid-19

Menos de 24 horas após a primeira aplicação, a imunização foi estendida a todo o território nacional. O lote inaugural — seis milhões de doses da CoronaVac produzidas na China e importadas pelo Instituto Butantan — foi distribuído a estados e municípios. A partir da chegada de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) fornecido pela empresa Sinovac, o Butantan iniciou o processamento local, aumentando gradualmente a autonomia de produção.

Em 23 de janeiro de 2021, a campanha recebeu reforço de dois milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz. A Fiocruz também internalizou a tecnologia de fabricação, o que permitiu a expansão da oferta nos meses seguintes. O Programa Nacional de Imunizações definiu público-alvo prioritário: trabalhadores de saúde da linha de frente, idosos e pessoas com deficiência institucionalizadas e populações indígenas. A distribuição observou proporcionalidade populacional, mas o contingente limitado de vacinas impôs ritmo inicial lento.

Cidades de grande porte sentiram esse impacto. Na capital fluminense, por exemplo, somente entre março e abril idosos de 60 a 70 anos começaram a receber a injeção. A limitação de doses refletia a capacidade de importação e de processamento local nos primeiros meses, antes da ampliação industrial.

Efeitos imediatos: redução de hospitalizações e mortes

Mesmo com restrições de quantidade, os resultados tornaram-se perceptíveis rapidamente. Informações compiladas pelo Observatório Covid-19 Brasil indicam queda acentuada em hospitalizações e óbitos entre idosos já em abril de 2021. O estudo calcula que, nos primeiros sete meses da campanha, foram evitadas aproximadamente 165 mil internações e 58 mil mortes nesse grupo etário.

À medida que novas remessas foram entregues, a cobertura avançou para outros segmentos populacionais. No primeiro ano, somando CoronaVac, AstraZeneca e imunizantes adquiridos de empresas privadas, o Brasil aplicou 339 milhões de doses, alcançando 84 % da população. Estimativas de especialistas apontam redução de 74 % nos casos graves e de 82 % nas mortes que seriam esperadas sem vacinação, o que representa mais de 300 mil vidas preservadas.

Produção nacional e expansão da cobertura vacinal

Depois da fase inicial de importação, Butantan e Fiocruz passaram a finalizar, envasar e distribuir vacinas produzidas em território nacional. Esse ganho de escala permitiu acelerar calendários municipais e estaduais. Paralelamente, o Brasil firmou contratos adicionais com outros fornecedores internacionais, diversificando o portfólio de imunizantes.

A indústria brasileira mobilizou infraestrutura de biotecnologia, adequando linhas de produção para garantir qualidade e volume. Com essa evolução, o país consolidou a capacidade de fornecer doses suficientes para esquemas primários e, posteriormente, para reforços recomendados em razão de novas variantes.

Impacto dos atrasos na disponibilidade da vacina contra a covid-19

Apesar dos avanços, análises acadêmicas identificam que o cronograma poderia ter sido antecipado. O mesmo estudo do Observatório Covid-19 Brasil estima que 104 mil hospitalizações adicionais entre idosos ocorreram devido ao intervalo entre a aprovação regulatória e o início da aplicação. No mesmo recorte etário, cerca de 47 mil mortes teriam sido evitadas se as doses estivessem disponíveis mais cedo.

Pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Minas Gerais projetou cenários alternativos. Segundo os pesquisadores, iniciar a campanha 40 dias antes — na mesma data em que o Reino Unido começou a imunizar —, com volume maior de vacinas e manutenção de medidas não farmacológicas, poderia ter prevenido aproximadamente 400 mil mortes em todo o país. Esse total corresponde a mais da metade das quase 700 mil vítimas registradas desde o início da pandemia.

Relatos de familiares de vítimas ilustram as estatísticas. Organizações de apoio a enlutados apontam que muitos falecimentos ocorreram semanas antes de grupos etários serem convocados. Para essas famílias, a distância de poucos dias entre a perda e a ampliação do calendário gera a percepção de que atrasos foram decisivos.

Conclusões de estudos e investigações parlamentares

Em 2021, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, instaurada no Senado, avaliou a política federal de aquisição de imunizantes. O relatório final apontou que propostas apresentadas por farmacêuticas, entre elas a Pfizer, em agosto de 2020, não receberam resposta tempestiva, resultando em oferta reduzida de doses no primeiro trimestre de 2021. O documento concluiu que a escassez favoreceu a disseminação de variantes e o aumento de casos.

A CPI sugeriu o indiciamento de 68 pessoas, incluindo autoridades do Executivo à época, sob a alegação de falha deliberada na proteção da saúde pública. Embora o Ministério Público Federal tenha arquivado a recomendação em julho de 2022, o Supremo Tribunal Federal determinou, no ano seguinte, a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar os fatos denunciados.

Com a investigação em andamento e a vacinação de reforço já incorporada ao calendário nacional, o Brasil mantém atenção permanente à evolução do SARS-CoV-2 e à necessidade de atualização de vacinas adaptadas a novas variantes.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK