Brasil capta US$ 4,5 bilhões em títulos internacionais e bate recorde no Global 2036

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No mais recente acesso ao mercado externo de capitais, Brasil capta US$ 4,5 bilhões por meio da emissão de dois títulos soberanos, consolidando-se como emissor relevante e reforçando o volume das reservas internacionais. A operação, conduzida nos Estados Unidos e anunciada pelo Tesouro Nacional, englobou o lançamento do Global 2036, com vencimento em 22 de maio de 2036, e a reabertura do Global 2056, que expira em 12 de janeiro de 2056.
- Por dentro da operação: Brasil capta US$ 4,5 bilhões e fortalece reservas
- Detalhes do Global 2036: parâmetros do título de dez anos
- Global 2056 e o alongamento do perfil: Brasil capta US$ 4,5 bilhões também com prazo de 30 anos
- Demanda dos investidores: números que sustentam a emissão
- Instituições coordenadoras e destino dos recursos: Brasil capta US$ 4,5 bilhões com apoio de quatro bancos
- Evolução recente das captações e sinais para o mercado
Por dentro da operação: Brasil capta US$ 4,5 bilhões e fortalece reservas
A emissão marca a primeira incursão do governo brasileiro no mercado internacional em 2026 e foi estruturada em duas etapas. O novo título de dez anos, o Global 2036, respondeu pela maior parcela, levantando US$ 3,5 bilhões. Já a reabertura do papel de 30 anos, o Global 2056, agregou US$ 1 bilhão. Os recursos serão incorporados às reservas internacionais em 19 de fevereiro, aumentando o colchão de liquidez externa do país.
Coordenada pelos bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo, a transação obteve um livro de ordens aproximado de US$ 12 bilhões, volume que representa demanda 2,7 vezes superior à oferta efetivamente colocada. Segundo o Tesouro, o conjunto de alta procura, spreads contidos e volumes elevados sinaliza confiança dos investidores na dívida soberana brasileira.
Detalhes do Global 2036: parâmetros do título de dez anos
O Global 2036 foi emitido com taxa de retorno para o investidor de 6,4% ao ano e spread de 220 pontos-base sobre o título do Tesouro dos Estados Unidos de prazo equivalente. O cupom semestral foi fixado em 6,25% ao ano, pago em maio e em novembro. O montante de US$ 3,5 bilhões representa o maior volume já alocado em um título brasileiro de dez anos desde que o país passou a acessar o mercado externo.
Em comparação com a emissão anterior de um título de dez anos, realizada em novembro, o custo financeiro subiu: naquela ocasião, a taxa de retorno ficou em 6,2% ao ano e o spread em 210,9 pontos-base. Mesmo assim, o Tesouro considera os níveis atuais compatíveis com o cenário global, reforçando que spreads mais baixos indicam menor percepção de risco de calote da dívida externa.
Global 2056 e o alongamento do perfil: Brasil capta US$ 4,5 bilhões também com prazo de 30 anos
No segmento de longo prazo, o Tesouro reabriu o Global 2056, conseguindo US$ 1 bilhão. Esse papel pagará juros de 7,3% ao ano, com cupom de 7,25% e spread de 245 pontos-base sobre o título norte-americano de 30 anos. O spread é o mais baixo para um título brasileiro desse prazo desde julho de 2014, quando havia ficado em 187,5 pontos-base.
Em relação à emissão anterior do mesmo Global 2056, realizada em setembro do ano passado, houve recuo tanto na taxa de retorno (antes 7,5% ao ano) quanto no spread (antes 252,7 pontos). A redução indica que, neste prazo mais longo, a percepção de risco do mercado em relação ao Brasil se acomodou.
Demanda dos investidores: números que sustentam a emissão
A robusta procura pelos papéis brasileiros traduziu-se em um livro de ordens de aproximadamente US$ 12 bilhões. Na prática, foram registradas intenções de compra equivalentes a 2,7 vezes o montante efetivamente ofertado. Esse comportamento sugere disposição dos investidores em absorver risco de crédito brasileiro, mesmo com o patamar de juros definido para os papéis.
O Tesouro Nacional enfatiza que a combinação de alta demanda e spreads relativamente baixos demonstra “percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país”. Em termos práticos, a forte busca criou espaço para o governo estabelecer volume recorde no prazo de dez anos e ainda alongar a curva com o papel de 30 anos sem pressão adicional relevante sobre a taxa.
Instituições coordenadoras e destino dos recursos: Brasil capta US$ 4,5 bilhões com apoio de quatro bancos
Quatro instituições financeiras globais foram mandatadas para estruturar a oferta: HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo. O envolvimento de bancos com alcance internacional robustece a distribuição dos títulos entre bases de investidores diversificadas, o que tende a ampliar liquidez secundária.
Conforme informado pelo Tesouro, os recursos líquidos captados integrarão as reservas internacionais em 19 de fevereiro. A prática é comum em operações soberanas brasileiras e reforça a posição externa do país, servindo de proteção em cenários de volatilidade global.
Evolução recente das captações e sinais para o mercado
Embora esta seja a primeira emissão no exterior em 2026, o Tesouro já vinha monitorando custos e oportunidades desde o fim de 2025. No histórico recente, ressalta-se a emissão de dez anos em novembro passado, que saiu a 6,2% de yield e spread de 210,9 pontos, e a abertura original do Global 2056 em setembro, a 7,5% de yield.
A comparação com essas referências mostra que, apesar das taxas ligeiramente mais altas no segmento de dez anos, o spread de 30 anos atingiu o menor nível em quase 12 anos, sublinhando melhora relativa da percepção de risco no prazo estendido. Ainda assim, o Tesouro mantém atenção a oscilações de mercado, observando que spreads funcionam como indicador direto de risco-país.
Para o investidor estrangeiro, títulos soberanos brasileiros oferecem cupom elevado frente a economias centrais, aspecto que, aliado a fundamentos domésticos acompanhados com cautela, pode sustentar interesse contínuo. Do ponto de vista do governo, as emissões externas de 2026 começam com aporte relevante às reservas e alongamento do perfil da dívida, fatores que contribuem para a gestão de passivos.
A próxima data vinculada à operação ocorre em 19 de fevereiro, quando os recursos captados serão efetivamente creditados nas reservas internacionais, concluindo o ciclo financeiro iniciado com a emissão dos papéis.

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