Bonito, o primeiro destino de ecoturismo carbono neutro: entenda como a cidade brasileira superou Maldivas e Cancún

Bonito, o primeiro destino de ecoturismo carbono neutro: entenda como a cidade brasileira superou Maldivas e Cancún
Getting your Trinity Audio player ready...

Bonito, município do interior de Mato Grosso do Sul, conquistou um feito inédito no turismo internacional ao tornar-se o primeiro destino de ecoturismo certificado como carbono neutro. O reconhecimento, concedido em 2021, coroou uma trajetória iniciada ainda na década de 1990, quando o poder público local implantou um modelo pioneiro de controle de visitação que hoje alinha desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Índice

Bonito: onde fica e por que o mundo voltou os olhos para a cidade

Localizada a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, capital sul-matogrossense, Bonito situa-se no bioma Cerrado, em uma área de transição que abriga nascentes de águas cristalinas, cavernas calcárias e uma variedade de espécies de fauna e flora. Embora o território municipal seja relativamente pequeno, a região tornou-se vitrine de boas práticas ambientais, chamando atenção de instituições como a Green Destinations, organização holandesa especializada em avaliar sustentabilidade no turismo.

O interesse internacional ampliou-se conforme estudos comprovaram que a qualidade da água dos rios locais se mantinha praticamente intacta mesmo após anos de operação turística. Esse resultado contrariava experiências de outras regiões turísticas, onde o fluxo de visitantes sem controle causou turvação de rios, erosão de trilhas e perda de biodiversidade.

Como Bonito alcançou a certificação de destino carbono neutro

O status de carbono neutro foi obtido por meio do inventário completo das emissões geradas pelo turismo, desde o transporte interno até o funcionamento das atrações. Após quantificar o volume de CO₂ equivalente, o município implementou programas de compensação, entre eles o plantio de espécies nativas e o financiamento de projetos de energia limpa. A auditoria que homologou o selo levou em conta também a baixa emissão per capita, resultado direto do limite diário de visitantes imposto pelo chamado Voucher Único.

A neutralização de carbono soma-se a reduções já consolidadas em outros impactos. As agências, por exemplo, orientam turistas a trocar veículos convencionais por transportes compartilhados, diminuindo a frota circulante em trilhas de acesso. Além disso, a coleta seletiva é obrigatória nos atrativos, e os resíduos orgânicos são compostados em unidades existentes dentro do perímetro municipal, reduzindo a necessidade de transporte até aterros.

Voucher Único: o mecanismo que controla o turismo em Bonito

Criado em 1995, o Voucher Único funciona como ingresso digital emitido exclusivamente por agências credenciadas. Cada atração — seja um rio, uma caverna ou um mirante — possui capacidade de carga diária definida por estudos técnicos. Quando o limite se esgota, o sistema bloqueia novas reservas, impedindo a superlotação que comprometeria a qualidade da experiência e o equilíbrio ecológico.

O controle eletrônico permite rastrear o número real de visitantes, evitando evasão fiscal e garantindo que parte da receita retorne à prefeitura em forma de impostos. Esses recursos financiam projetos de infraestrutura, saneamento básico e fiscalização. Dessa forma, o turista sabe que a própria estadia contribui para a conservação dos ambientes que motivaram sua viagem.

Além do aspecto quantitativo, o voucher armazena dados de cada participante, o que facilita o contato em caso de necessidade de educação ambiental ou acompanhamento de impactos sanitários. Essa integração tecnológica tornou-se referência para destinos que enfrentam pressão turística, inclusive fora do Brasil.

Prêmios internacionais consolidam Bonito como referência em ecoturismo

Antes mesmo da certificação de carbono neutro, Bonito já exibira reconhecimento global relevante. Em 2013, o município recebeu o prêmio de Melhor Destino de Turismo Responsável do Mundo durante a World Travel Market, feira realizada anualmente em Londres. O júri considerou não apenas a qualidade natural dos atrativos, mas também o envolvimento da comunidade local na tomada de decisões e na repartição de benefícios econômicos.

Relatórios subsequentes da Green Destinations reforçaram essa reputação. Nos documentos, a cidade é citada como exemplo de formulação de políticas públicas que integram setor privado, moradores e poder público em metas mensuráveis de conservação. A visibilidade internacional resultante atraiu turistas de mercados exigentes, interessados em destinos que comprovem responsabilidade ambiental.

Regras de visitação em Bonito preservam rios, cavernas e aves

Cada atrativo opera sob protocolo próprio. No Rio da Prata, por exemplo, é proibido tocar o leito, ato que poderia ressuspender sedimentos e comprometer a transparência da água. Na Gruta do Lago Azul, capacetes são obrigatórios para evitar acidentes e proteger formações calcárias milenares. Já no Buraco das Araras, a observação de aves requer silêncio absoluto e distanciamento físico, reduzindo estresse e interferência no comportamento reprodutivo.

Outro regulamento emblemático trata da restrição ao uso de protetor solar e repelentes nos pontos de flutuação. Essas substâncias contêm compostos que se acumulam em organismos aquáticos, oferecendo risco toxicológico. Ao orientar visitantes a adotar roupas de proteção física, operadores minimizam a introdução de contaminantes nos ecossistemas.

As mesmas diretrizes abrangem espeleoturismo. Nas cavernas secas, o grupo é limitado e caminhadas ocorrem sobre passarelas suspensas, eliminando contato direto com o solo e diminuindo a emissão de CO₂ no ambiente confinado. Tais cuidados reforçam o compromisso de manter intactos aspectos geológicos, hídricos e biológicos que fizeram de Bonito um laboratório vivo de boas práticas.

Quando visitar Bonito: diferenças entre estação seca e chuvosa

A escolha da data depende do interesse do visitante. Entre maio e setembro, durante a estação seca, a visibilidade subaquática atinge seu ápice, com nitidez que permite observar cardumes a vários metros de distância. Esse cenário favorece atividades de mergulho autônomo e flutuação guiada em rios como Sucuri, Formoso e Prata.

No período chuvoso, de dezembro a março, a paisagem muda. As cachoeiras ganham volume, criando quedas d’água mais imponentes e vegetação intensamente verde. Embora a transparência diminua em alguns pontos, esse é o momento ideal para quem valoriza fotografia de natureza exuberante e quer vivenciar a potência hidrológica da região.

Independentemente da estação, o planejamento antecipado é essencial. Os limites diários de visitantes podem ser alcançados semanas antes, sobretudo em feriados nacionais e períodos de férias escolares. Reservas feitas com antecedência asseguram disponibilidade de atrativos e acomodação dentro dos padrões de sustentabilidade exigidos pelo município.

Participação comunitária e perspectivas futuras para Bonito

O sucesso do modelo implementado deve-se, em grande parte, à participação direta de empresários locais e moradores na formulação das regras. Proprietários de fazendas cederam áreas para implantação de trilhas e pontos de mergulho, recebendo em troca parte da receita e orientações sobre manejo ambiental. Guias turísticos, obrigatoriamente credenciados, atuam como multiplicadores de informações sobre conservação, contribuindo para a educação dos visitantes.

A prefeitura tem investido em treinamento contínuo e na revisão dos estudos de capacidade de carga, assegurando que o sistema permaneça atualizado frente a mudanças climáticas ou aumento de demanda. Projetos em andamento incluem a expansão de ciclovias para reduzir o uso de veículos motorizados e a instalação de estações de recarga para carros elétricos, reforçando a meta de manter o balanço de emissões em patamar neutro.

Com esses investimentos e monitoramento constante, Bonito consolida-se como laboratório brasileiro de turismo sustentável, oferecendo roteiro prático para destinos que buscam equilibrar uso econômico e conservação de recursos naturais.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK