Banco Pleno: guia definitivo para acionar o FGC e recuperar investimentos após a liquidação

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No epicentro da decisão do Banco Central, o Banco Pleno e a corretora Pleno DTVM tiveram a liquidação extrajudicial decretada em 18 de fevereiro de 2026. A medida, motivada pela deterioração financeira da instituição, mobiliza cerca de 160 mil investidores que agora precisam acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para resgatar aproximadamente R$ 4,9 bilhões aplicados em CDBs e outros títulos.
- Por que o Banco Central liquidou o Banco Pleno
- Quem está protegido pelo FGC após a falência do Banco Pleno
- Passo a passo para acionar o FGC e recuperar dinheiro no Banco Pleno
- Limites, exceções e obrigações de quem investiu no Banco Pleno
- Linha do tempo: da criação do Indusval ao encerramento do Banco Pleno
- O papel das entidades envolvidas na liquidação do Banco Pleno
- Como acompanhar prazos e atualizações sobre o Banco Pleno
Por que o Banco Central liquidou o Banco Pleno
O Banco Central, órgão responsável pela estabilidade do sistema financeiro, concluiu que a situação de liquidez do Banco Pleno se tornou insustentável. Segundo o comunicado oficial, houve descumprimento de normas prudenciais e incapacidade de honrar compromissos com depositantes e investidores. Esse quadro se agravou poucos meses após a instituição ter se separado juridicamente do conglomerado Banco Master, o que já vinha impondo pressão sobre o capital do Pleno.
A liquidação extrajudicial representa o fechamento imediato das operações bancárias, o bloqueio dos bens dos administradores e a nomeação de um liquidante, no caso José Eduardo Victória, encarregado de apurar o ativo e o passivo, vender bens e encaminhar a lista de credores ao FGC.
Quem está protegido pelo FGC após a falência do Banco Pleno
O Fundo Garantidor de Crédito confirmou que todos os clientes com aplicações até R$ 250 mil por CPF e por instituição poderão ser ressarcidos. Esse teto inclui a soma de depósitos e títulos elegíveis, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Pleno. Valores que ultrapassam esse limite só serão devolvidos se, ao final da liquidação, houver recursos remanescentes após a venda dos ativos da instituição.
É importante considerar a regra de conglomerado. Caso o investidor já tenha recebido indenização do FGC em qualquer empresa ligada aos antigos controladores — Banco Master, Letsbank ou Will Bank — e tenha alcançado o limite de R$ 250 mil, não haverá novo pagamento nesta liquidação.
Passo a passo para acionar o FGC e recuperar dinheiro no Banco Pleno
Todo o processo de solicitação da garantia é digital e ocorre exclusivamente no aplicativo oficial do FGC, disponível para smartphones Android e iOS. Abaixo, as etapas obrigatórias:
1. Baixar o aplicativo oficial
Localize o app “FGC” na loja do seu dispositivo e instale.
2. Criar a conta de acesso
Ao abrir o aplicativo, informe CPF, e-mail e telefone.
3. Validar identidade
Envie foto do RG ou CNH e faça uma selfie para comprovar que você é o titular.
4. Indicar a conta de recebimento
Selecione uma conta-corrente ou poupança em seu nome, registrada no mesmo CPF, em outro banco comercial. O FGC fará a transferência diretamente para essa conta.
Não há prazo legal fixo para o início dos pagamentos, porém a média histórica é de 30 dias após a consolidação da lista de credores pelo liquidante. Os investidores podem acompanhar cada etapa pelo próprio aplicativo.
Limites, exceções e obrigações de quem investiu no Banco Pleno
O limite de R$ 250 mil é individual, por CPF, e abrange o total de recursos em todos os produtos cobertos na mesma instituição. Se o cliente mantinha R$ 280 mil em CDBs do Banco Pleno, receberá até R$ 250 mil via FGC; os R$ 30 mil excedentes dependem da existência de ativos suficientes ao final do processo de liquidação.
Outro ponto essencial diz respeito às dívidas. A liquidação encerra saques e novas operações, mas não elimina obrigações assumidas pelos clientes. Boletos de cartão de crédito, parcelas de financiamentos e descontos em folhas de pagamento — como os referentes ao produto Credcesta — permanecem válidos e devem ser quitados dentro dos vencimentos originais.
Linha do tempo: da criação do Indusval ao encerramento do Banco Pleno
A trajetória do banco ajuda a compreender como fatores estruturais culminaram na liquidação:
1991 – Banco Indusval
A instituição nasce com foco em crédito corporativo e agronegócio, posicionando-se como banco médio tradicional.
2019 – Reestruturação e aporte
Após anos de prejuízo, recebe quase R$ 400 milhões e passa a se chamar Banco Voiter, com estratégia voltada a soluções digitais.
Fevereiro de 2024 – Entrada do Grupo Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, compra o Voiter, planejando integrá-lo a um conglomerado em expansão.
Maio de 2024 – Saída de Augusto Lima
Augusto Ferreira Lima se desliga do Grupo Master, leva alguns ativos e a operação do Credcesta para atuar de forma independente.
Julho de 2025 – Nascimento do Banco Pleno
Com autorização do Banco Central, Lima assume o antigo Voiter e renomeia a instituição para Banco Pleno, adotando taxas agressivas de CDBs para captar recursos e concentrando-se em crédito consignado.
Novembro de 2025 – Crise no Banco Master
O Banco Master entra em liquidação. O Pleno, separado juridicamente três meses antes, evita impactos diretos, mas o ambiente de confiança se abala.
18 de fevereiro de 2026 – Liquidação do Banco Pleno
Falta de liquidez, descumprimento de normas e deterioração financeira levam o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do banco e da Pleno DTVM.
O papel das entidades envolvidas na liquidação do Banco Pleno
Alguns agentes são fundamentais para o desfecho do processo:
Banco Central – Autor da intervenção, tem poder legal para decretar liquidação e nomear o liquidante.
Fundo Garantidor de Crédito – Responsável pelo ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF, receberá a lista de credores e executará os pagamentos.
José Eduardo Victória – Liquidante nomeado, consolida o passivo, vende ativos e encaminha dados ao FGC.
Augusto Ferreira Lima – Ex-controlador do Banco Pleno, teve bens bloqueados e fica sujeito à apuração de responsabilidades.
Grupo Master, Letsbank e Will Bank – Instituições do mesmo conglomerado que já passaram por liquidação ou receberam intervenção, influenciando o limite agregado de garantia para investidores.
Como acompanhar prazos e atualizações sobre o Banco Pleno
Os credores devem monitorar duas fontes oficiais:
E-mail do liquidante – Dúvidas devem ser encaminhadas a [email protected], único canal reconhecido.
Site do Banco Pleno – O endereço www.bancopleno.com.br publicará comunicados, inclusive a data em que a lista de credores será concluída.
A partir desse ponto, o FGC tende a iniciar pagamentos em prazo médio de 30 dias, respeitando o limite individual de R$ 250 mil e as regras já descritas.

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