Atentado em escola no Canadá: estudante descreve bloqueio de duas horas durante ataque que deixou 9 mortos

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Um ataque em escola no Canadá mobilizou forças de segurança, comunidade e autoridades federais após deixar nove pessoas mortas e vinte e cinco feridas na pequena cidade de Tumbler Ridge, na província da Colúmbia Britânica. A ocorrência, registrada por volta das 13h20 da última terça-feira (10), envolveu disparos dentro da Tumbler Ridge Secondary School e em uma residência ligada ao caso, resultando também no óbito da suspeita apontada como autora dos tiros. O episódio, vivido em tempo real por cerca de 160 estudantes e funcionários da instituição, expôs desafios de segurança em áreas rurais do país e desencadeou pronunciamentos de líderes nacionais.
Entenda o ataque em escola no Canadá
O fato central ocorreu em pleno horário de aulas, transformando rotinas escolares em cenário de emergência. Segundo informações das autoridades locais, a agressora disparou inicialmente dentro da Tumbler Ridge Secondary School, onde seis vítimas foram encontradas sem vida. Em seguida, dois outros óbitos foram confirmados em um imóvel residencial que, conforme a investigação preliminar, possuía ligação direta com o atentado. A nona vítima morreu a caminho do hospital regional.
Na cronologia dos acontecimentos, o primeiro indício de perigo veio de um alerta sonoro interno emitido nos corredores da escola pouco depois das 13h20, instruindo o fechamento imediato das portas. O dispositivo anti-invasão foi acionado menos de um minuto após a suspeita entrar no prédio. A Polícia Montada do Canadá (RCMP), responsável pelo patrulhamento da região, divulgou posteriormente que a ofensora correspondia à descrição repassada aos agentes em comunicação de emergência enviada ainda pela manhã: tratava-se de uma pessoa do sexo feminino, trajando vestido e com cabelos castanhos. Até o momento, não foram dados à imprensa detalhes sobre a idade da atiradora nem sobre a identidade das vítimas.
Como a escola reagiu ao ataque em escola no Canadá
Nos instantes subsequentes ao alarme, professores e estudantes implementaram protocolos de confinamento já praticados em exercícios de segurança. Portas foram trancadas, luzes apagadas e carteiras reposicionadas como barreira física. A instituição, que presta ensino médio a turmas reduzidas — o último ano concentra cerca de vinte formandos —, manteve comunicação interna por sistemas de rádio e telefonia celular, orientando ocupantes a permanecer em silêncio e afastados de janelas.
Um comunicado divulgado pela direção informa que, quando as atividades forem retomadas, haverá acompanhamento psicológico em parceria com a RCMP para facilitar a reintegração dos alunos. O texto também destaca a colaboração espontânea da comunidade, que cedeu o centro comunitário a poucos metros do campus como ponto de reunião de familiares e sobreviventes.
Relato de aluno detalha tensão durante o ataque em escola no Canadá
Darian Quist, estudante do último ano, estava chegando à sala de aula no instante em que o sinal de bloqueio soou. Ele e os colegas permaneceram enclausurados por mais de duas horas, tempo durante o qual empilharam mesas contra a porta para reforçar a tranca interna. O aluno acompanhou, pelo próprio telefone, imagens que circulavam fora da sala, reforçando a percepção de perigo iminente. Segundo ele, a sensação era de presenciar algo “só visto anteriormente pela televisão”, tradução de um choque que rompeu a outra barreira: a psicológica.
Do lado de fora da escola, a mãe de Darian acompanhava a progressão do incidente sem desgrudar do celular. Por trabalhar nas imediações, ela conseguia observar viaturas da RCMP, equipes de bombeiros e ambulâncias dispostas ao redor do quarteirão. O estacionamento onde exercia suas funções chegou a servir de abrigo para um agente posicionado com arma em punho, ilustrando a magnitude da operação.
Resposta policial, resgate e investigação
A chegada da Polícia Montada foi apontada pelos sobreviventes como o ponto decisivo para a evacuação segura. Agentes percorreram salas uma a uma, escoltando grupos de estudantes até áreas externas consideradas livres de risco. As vítimas com ferimentos receberam atendimento no local antes de serem transferidas a uma unidade hospitalar da Colúmbia Britânica, cujo nome não foi divulgado. A RCMP informou que a ofensora foi localizada sem vida, sugestão de que tirou a própria vida ou foi neutralizada no confronto; a causa exata da morte, contudo, não foi confirmada.
Em entrevista à imprensa, o superintendente Ken Floyd, responsável pelo Distrito Norte da corporação, descreveu a ocorrência como “rápida e dinâmica”, salientando que a cooperação entre corpo escolar, primeiras respostas e moradores foi determinante para evitar um número ainda maior de vítimas. Paralelamente, peritos buscam entender a motivação do crime e eventuais vínculos entre a suspeita e as pessoas encontradas na residência onde ocorreram dois dos óbitos.
Repercussão política e suporte institucional
Horas depois do incidente, manifestações partiram das mais altas esferas do governo. O primeiro-ministro Mark Carney cancelou participação em agenda internacional para monitorar os desdobramentos. Em nota oficial, expressou condolências às famílias atingidas e reiterou o compromisso de oferecer recursos federais à investigação. A ministra provincial de Segurança Pública, Nina Krieger, relatou ter conversado tanto com o prefeito de Tumbler Ridge quanto com representantes parlamentares, assegurando apoio logístico adicional à RCMP.
A comoção atravessou fronteiras regionais: líderes das províncias vizinhas, como o premiê de Saskatchewan, Scott Moe, e o de Quebec, François Legault, também recorreram a canais oficiais para demonstrar solidariedade. O dirigente do Partido Conservador do Canadá, Pierre Poilievre, classificou o evento como um “ato de violência sem sentido” e direcionou palavras de encorajamento a docentes, socorristas e moradores.
Impacto comunitário e próximos passos
Tumbler Ridge, que reúne pouco mais de dois mil habitantes, enfrenta agora a tarefa de reconstrução emocional após vivenciar um dos episódios mais letais em escolas da Colúmbia Britânica. Para uma localidade de proporções modestas, a perda de nove membros — entre estudantes, profissionais ou residentes — representa abalo social significativo. Igrejas, associações de bairro e o próprio centro comunitário organizam vigílias e grupos de apoio psicológico, medidas que, segundo a diretoria da escola, serão integradas ao plano de retomada das aulas.
Enquanto isso, investigadores da RCMP prosseguem na coleta de depoimentos, análise de câmeras de segurança e levantamento sobre a trajetória da agressora. A polícia admitiu não ter descartado nenhuma hipótese quanto a motivações pessoais, vingança ou influência de conteúdos virtuais. Dados preliminares indicam que todas as linhas telefônicas de emergência registraram picos de chamadas nos primeiros dez minutos, exigindo redirecionamento de equipes de cidades vizinhas para suprir a demanda.
Não há, até o momento, previsão oficial para a reabertura da Tumbler Ridge Secondary School. A administração do distrito escolar informou que essa decisão dependerá da liberação do local pelas autoridades forenses e da conclusão de avaliações estruturais feitas pelos bombeiros. Novas atualizações sobre o ataque em escola no Canadá devem ser divulgadas após a próxima coletiva da RCMP, aguardada para a manhã seguinte ao dia do incidente.

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