Artemis 2: teste final confirma integração de SLS e Orion e abre caminho para lançamento histórico à Lua

Artemis 2: teste final confirma integração de SLS e Orion e abre caminho para lançamento histórico à Lua
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Artemis 2 é a peça central do programa que pretende levar astronautas novamente à órbita lunar após mais de meio século. Na quinta-feira (19), a NASA executou o segundo e decisivo ensaio geral molhado, etapa que simulou quase todos os passos de um lançamento real — do abastecimento à contagem regressiva — mas sem ligar os motores. O êxito desse procedimento integra foguete Space Launch System (SLS), cápsula Orion e sistemas de solo, abrindo oficialmente a janela de lançamento que começa em 6 de março.

Índice

Artemis 2: o que foi verificado no segundo ensaio geral molhado

O foco primordial do teste foi comprovar que todos os subsistemas trabalham de forma coordenada e segura. Durante aproximadamente quatro horas, as equipes carregaram o SLS com 3,18 milhões de litros de oxigênio e hidrogênio líquidos — propelentes que exigem temperaturas extremamente baixas. O objetivo era reconstituir em solo as pressões e os fluxos térmicos que a estrutura enfrentará na decolagem, permitindo aferir válvulas, vedação e sensores em tempo real.

Simultaneamente, a cápsula Orion foi energizada, teve baterias recarregadas e passou por inspeções de pressurização. Uma válvula recém-substituída na escotilha recebeu aperto adicional, procedimento conduzido após indícios de folga identificados no primeiro ensaio deste mês. Ao término, a NASA confirmou que tanto a cápsula quanto o foguete permaneceram estáveis, sem registrar vazamentos ou queda de desempenho.

Artemis 2: cronograma detalhado da contagem regressiva simulada

A sequência de contagem reproduziu o protocolo oficial que ocorrerá no dia do lançamento. O relógio avançou até T-1 minuto e 30 segundos, momento crítico em que sistemas de aviônica, hidráulica e pneumática recebem comandos finais. Seguiu-se uma pausa programada de três minutos. Esse intervalo é previsto para análises rápidas; se não ultrapassar três minutos, a contagem retoma normalmente, exatamente o que a equipe executou para validar rotinas automáticas.

Posteriormente, o cronômetro caminhou até T-33 segundos, outro ponto sensível em que modos de controle do veículo mudam para a configuração de voo. A pausa seguinte reiniciou a contagem em T-10 minutos, e todo o script foi repetido. Essa repetição treina operadores a reagir a imprevistos de última hora, desde falhas de interface até condições meteorológicas abruptas.

Artemis 2: ajustes após vazamentos e lições do primeiro teste

No início do mês, a primeira tentativa de ensaio foi interrompida quando sensores apontaram vazamento no circuito de hidrogênio líquido. Engenheiros desmontaram conexões, selaram encaixes e revisaram procedimentos para evitar condensação excessiva, principal fator que dificulta a visualização de escape de gás. O esforço surtiu efeito: no segundo teste, a única anomalia registrada envolveu tensão instável na aviônica de um dos foguetes auxiliares, prontamente corrigida sem repercussão no cronograma.

Essas correções refletem lições acumuladas desde a missão não tripulada Artemis 1, cuja preparação exigiu quatro ensaios gerais molhados e três retornos do SLS ao edifício de montagem. A experiência permitiu à equipe ajustar tolerâncias, aprimorar filtros de dados e padronizar respostas a alarmes, reduzindo riscos de atraso para a nova campanha.

Artemis 2: papel do foguete SLS e da cápsula Orion na missão

O SLS é o lançador de carga pesada desenvolvido pela NASA para transportar tripulação e carga além da órbita baixa da Terra. Na configuração voltada para Artemis 2, o veículo emprega dois propulsores sólidos laterais e um estágio central movido por quatro motores principais alimentados pelo hidrogênio e oxigênio líquidos testados no ensaio. A cápsula Orion, acoplada no topo, abrigará quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch — todos da NASA — e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.

Durante o voo de dez dias, a Orion sobrevoará a Lua, alcançando a maior distância já percorrida por seres humanos no espaço. A manobra servirá para checar sistemas de suporte à vida, navegação e proteção térmica em condições reais antes do pouso na superfície, previsto para a futura missão Artemis 3. O retorno envolverá velocidades elevadas, cenário que poderá impor novos recordes de rapidez para uma tripulação humana.

Artemis 2: próximos passos até a janela de lançamento em março

Com o ensaio geral molhado validado, a NASA mantém 6 de março como data-alvo, reservando oportunidades de 7, 8, 9 e 11 do mesmo mês. Caso condições técnicas ou climáticas imponham restrições, a agência avaliará a possibilidade de ajustes diários, procedimento semelhante ao adotado em campanhas anteriores.

Enquanto isso, a tripulação permanece em quarentena em Houston, no Texas, medida que visa evitar contaminações que possam comprometer o cronograma. A transferência dos astronautas para a Flórida ocorrerá quando médicos e engenheiros considerarem os parâmetros de saúde, logística e segurança adequados.

Na plataforma de lançamento, a Orion continua ligada para evitar variações térmicas, com aquecedores dedicados a componentes sensíveis. Uma transmissão ao vivo registra 24 horas por dia as condições do SLS, permitindo que engenheiros monitorem pressões, temperaturas e vibrações. Próximas atualizações oficiais incluirão relatórios sobre inspeções pós-ensaio e validação de software de voo.

Artemis 2: relevância histórica e marcos previstos

A missão representa o primeiro voo tripulado do programa Artemis, marco que encerra um hiato iniciado em 1972, quando a última expedição Apollo deixou a superfície lunar. Além de conduzir a primeira mulher e a primeira pessoa negra a viajar tão longe no espaço, a Artemis 2 testará, em escala total, toda a infraestrutura humana e tecnológica que sustentará as etapas seguintes de exploração.

Entre os marcos esperados estão o sobrevoo de regiões da Lua nunca vistas diretamente por pessoas e o estabelecimento de novos limites de distância para voos tripulados. Esses resultados fornecerão dados indispensáveis à fase de alunissagem da Artemis 3, que também poderá contar com a participação brasileira por meio do envio de um satélite, conforme confirmado pela Agência Espacial Brasileira.

A conclusão bem-sucedida do segundo ensaio geral molhado fornece à NASA a confiança técnica necessária para avançar com a campanha de lançamento. O próximo ponto de atenção é a revisão dos relatórios do teste e a verificação final dos sistemas de voo, etapas que antecedem o início da contagem regressiva oficial, marcada para a madrugada de 6 de março.

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