Artemis 2: contagem regressiva para o retorno humano à órbita lunar e os outros grandes eventos da tecnologia
Artemis 2 coloca a exploração espacial de volta aos holofotes ao preparar o primeiro voo tripulado para além da órbita baixa da Terra desde 1972, enquanto o mercado de tecnologia lida com forte volatilidade, interrupções em serviços de inteligência artificial e novas iniciativas que unem inovação e saúde.
- Missão Artemis 2: o que está previsto para o lançamento
- Artemis 2 e o simbolismo do primeiro voo tripulado além da órbita baixa desde 1972
- Próximas janelas de oportunidade para a Artemis 2
- Volatilidade derruba big techs e faz Nasdaq ter pior semana desde 2025
- DeepSeek enfrenta sua maior interrupção desde o lançamento
- Físicos ou digitais: a busca por robôs humanoides impulsiona a “physical AI”
- Crescimento das assinaturas do Claude revela apetite por IA
- Oxford discute testes de vacinas contra câncer no Brasil
- O que observar nos próximos dias
Missão Artemis 2: o que está previsto para o lançamento
A Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (NASA) programou para 1º de abril o lançamento da Artemis 2, etapa que inaugura a fase tripulada do Programa Artemis. O foguete Space Launch System (SLS) deverá deixar o Centro Espacial, às 18h24 no horário de verão da Costa Leste dos Estados Unidos, equivalentes a 19h24 em Brasília, levando quatro astronautas para um percurso de aproximadamente dez dias ao redor da Lua. A transmissão ao vivo foi confirmada pela organização responsável.
Essa operação não inclui pouso lunar, mas representa avanço decisivo na campanha que visa estabelecer presença humana permanente no satélite natural na próxima década. Serão testadas, em condições reais, as capacidades de navegação, comunicação e suporte de vida essenciais para missões futuras – inclusive aquelas que preveem descida em solo lunar.
Artemis 2 e o simbolismo do primeiro voo tripulado além da órbita baixa desde 1972
A última vez que astronautas ultrapassaram a órbita baixa terrestre ocorreu há mais de meio século, com a Apollo 17 em dezembro de 1972. Ao repetir esse feito, a Artemis 2 reabre um capítulo interrompido desde a era Apollo, servindo de ponte entre a exploração pioneira dos anos 1960/1970 e a ambição contemporânea de criar logística regular para a superfície lunar. O enfoque está em demonstrar que as tecnologias modernas podem operar com segurança em regime prolongado fora do cinturão protetor de radiação que envolve a Terra.
O voo ainda reforça a colaboração internacional, já que o Programa Artemis incorpora acordos com diversos países e empresas privadas. Cada parceiro deverá utilizar os dados obtidos nesta missão para refinar seus próprios módulos de pouso, sistemas de suporte de vida e veículos de mobilidade que integrarão futuras etapas.
Próximas janelas de oportunidade para a Artemis 2
Caso condições meteorológicas ou questões técnicas impeçam o lançamento em 1º de abril, a NASA definiu novas chances para 2, 3 e 6 de abril. Uma janela adicional está prevista para o final do mesmo mês, evitando alongar demais o cronograma. Essa estratégia de datas alternativas minimiza riscos financeiros e operacionais, ao mesmo tempo que mantém a equipe preparada para aproveitar o primeiro momento seguro.
A rotina de checagem pré-lançamento inclui verificações nos motores RS-25, nos sistemas de propulsão do estágio superior e na integração entre a cápsula de tripulação e o SLS. Cada adiamento requer nova sequência de abastecimento com oxigênio e hidrogênio líquidos, procedimento demorado que reforça a necessidade de múltiplas oportunidades no calendário.
Volatilidade derruba big techs e faz Nasdaq ter pior semana desde 2025
Enquanto os olhos se voltam ao espaço, o setor de tecnologia na Terra atravessou sua semana mais turbulenta em um ano. O índice Nasdaq Composite recuou 3,23%, desempenho não visto desde abril de 2025, pressionado por temores relacionados à guerra no Irã, alta nos custos de energia e problemas judiciais envolvendo a Meta.
Entre as gigantes, a Alphabet registrou queda de quase 9%, e a Microsoft perdeu cerca de 7%. Nvidia e Amazon recuaram em torno de 3% cada, ao passo que a Tesla cedeu quase 2%. A exceção ficou com a Apple, que encerrou o período levemente positiva. A Meta apresentou o pior resultado, afundando mais de 11% após duas derrotas em tribunais de Santa Fé e Los Angeles que destacaram desafios na moderação de conteúdo do Facebook e do Instagram, principais fontes de receita da companhia.
DeepSeek enfrenta sua maior interrupção desde o lançamento
Outro revés da semana veio do campo da inteligência artificial. O chatbot DeepSeek permaneceu fora do ar por 7 horas e 13 minutos, na que foi classificada como a maior interrupção desde que o serviço ganhou popularidade no início de 2025. O painel de status da plataforma chinesa sinalizou o início do incidente nas primeiras horas da segunda-feira e marcou resolução às 10h33 no horário local, já no fim da noite no Brasil.
Conforme o protocolo interno da empresa, não foram divulgadas causas específicas. A comunicação oficial citou genericamente possibilidades como falhas de hardware ou bugs decorrentes de atualizações de software. A ausência de explicações mais detalhadas reacendeu discussões sobre transparência em serviços de IA amplamente utilizados por desenvolvedores e consumidores finais.
Físicos ou digitais: a busca por robôs humanoides impulsiona a “physical AI”
Em paralelo, o jornal norte-americano The Washington Post destacou a formação de um consórcio de bilionários reunidos em torno da ideia de “physical AI”, categoria que leva recursos de inteligência artificial para robôs humanoides capazes de executar atividades hoje desempenhadas por trabalhadores humanos. A iniciativa tem em Elon Musk seu rosto mais reconhecido e propõe um cenário de abundância energética, com máquinas alimentadas por painéis solares e uma extensa rede de veículos autônomos.
Esse movimento reforça questionamentos sobre a evolução do mercado de trabalho e pressiona governos a discutirem regulação para novas formas de automação. Embora o conceito de trabalhadores robôs não seja novidade, a conjunção de algoritmos avançados com hardware cada vez mais versátil indica aceleração de projetos concretos.
Crescimento das assinaturas do Claude revela apetite por IA
Dados da consultoria Indagari mostram que, em 2026, o número de consumidores que pagam pelo assistente Claude, desenvolvido pela Anthropic, mais que dobrou. O levantamento considerou transações de cartão de crédito de 28 milhões de norte-americanos e apontou incremento mais forte entre janeiro e fevereiro, coincidente com campanhas publicitárias no Super Bowl e uma disputa pública entre a empresa e o governo dos Estados Unidos.
O desempenho confirma a disposição do público em investir financeiramente em ferramentas de IA, mesmo em meio a incertezas de mercado. A Anthropic, fundada por ex-pesquisadores de grandes laboratórios, aposta em modelos de linguagem alinhados a princípios de segurança e transparência, posicionando-se como alternativa a concorrentes mais consolidados.
Oxford discute testes de vacinas contra câncer no Brasil
No campo da saúde, uma delegação da Universidade de Oxford esteve no Brasil para negociar parcerias envolvendo novas vacinas contra o câncer. Reuniões com o Ministério da Saúde e com o A.C. Camargo Cancer Center abordaram estudos que utilizam inteligência artificial para orientar ensaios clínicos em humanos, etapa considerada avançada em alguns protocolos.
Diferentemente das vacinas tradicionais contra vírus ou bactérias, essas formulações treinam o sistema imunológico a reconhecer células cancerígenas específicas, visando neutralizá-las sem afetar tecidos saudáveis. A viagem reforça o interesse de centros de pesquisa internacionais em instalar pilotos no país, ampliando a diversidade de dados clínicos e acelerando a chegada de terapias inovadoras ao Sistema Único de Saúde.
O que observar nos próximos dias
A agenda tecnológica permanece carregada. O ponto mais aguardado é a confirmação, ou eventual adiamento, do lançamento da Artemis 2 na noite de 1º de abril. Em paralelo, investidores acompanharão a reação das ações de tecnologia após a pior semana em doze meses, enquanto usuários de IA monitoram a estabilidade de serviços como DeepSeek. No setor da saúde, avanços nas negociações entre Oxford e autoridades brasileiras podem definir prazos para o início dos ensaios clínicos de vacinas oncológicas.

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