Anvisa proíbe venda de lotes de fórmulas infantis da Nestlé após risco de toxina

Fórmulas infantis de seis linhas da Nestlé tiveram a comercialização, distribuição e o uso suspensos em todo o território nacional após decisão preventiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida, publicada na Resolução 32/2026, atinge lotes de Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricados em unidade localizada na Holanda e potencialmente contaminados pela toxina cereulide, produzida pela bactéria Bacillus cereus.
- Contaminação identificada nas fórmulas infantis
- Fábrica na Holanda e fornecedor global: como o problema surgiu nas fórmulas infantis
- Resolução 32/2026: lotes de fórmulas infantis abrangidos pela proibição
- Medidas da Anvisa e recall voluntário da Nestlé para fórmulas infantis
- Recomendações aos pais sobre o uso de fórmulas infantis
- Próximos passos na investigação sobre fórmulas infantis contaminadas
Contaminação identificada nas fórmulas infantis
A Anvisa informou que a investigação teve início após testes de qualidade indicarem presença da toxina cereulide em determinados lotes de fórmulas infantis. Essa substância, originada do metabolismo de Bacillus cereus, está associada a quadros de vômito persistente, diarreia e letargia, especialmente perigosos para bebês e crianças pequenas, público-alvo dos produtos.
Segundo os dados oficiais, não há comprovação de que todos os lotes reprovados estejam contaminados. Contudo, a agência optou pelo bloqueio como estratégia de redução de risco enquanto o recolhimento voluntário da fabricante, já em andamento, é finalizado. A decisão segue o princípio da precaução, adotado em situações em que existe ameaça potencial à saúde pública.
Fábrica na Holanda e fornecedor global: como o problema surgiu nas fórmulas infantis
Os lotes proibidos têm origem em uma planta industrial da Nestlé situada na Holanda. A apuração apontou que a contaminação se vinculou a um ingrediente oleoso fornecido por um parceiro terceirizado de alcance global. Esse insumo, ao entrar na linha de produção, teria possibilitado a formação ou a introdução da toxina nos alimentos em pó.
A partir da identificação do elo crítico da cadeia, a Nestlé iniciou um recall global, abrangendo todos os países que receberam remessas do mesmo ingrediente. No Brasil, a Anvisa acompanha o processo e manteve a proibição de venda até que a totalidade dos lotes seja recolhida ou comprovadamente liberada.
Resolução 32/2026: lotes de fórmulas infantis abrangidos pela proibição
A Resolução 32/2026 lista lote a lote os produtos suspensos. Entre eles constam versões para três faixas etárias:
• 0 a 6 meses: apresentações de 400 g e 800 g das marcas Nan Supreme Pro, Nan Sensitive e Alfamino, além de Nestogeno em embalagens de 400 g.
• 6 a 12 meses: embalagens de 800 g de Nan Supreme Pro e Nanlac Supreme Pro, além de latas de 400 g de Nanlac Comfor.
• 1 a 3 anos: produtos de 800 g e 1,6 kg de Nestogeno e Nanlac Supreme Pro destinados à complementação alimentar nessa etapa do desenvolvimento infantil.
Somente os lotes enumerados na resolução estão sujeitos ao recolhimento. Itens idênticos, porém com códigos de lote diferentes, permanecem liberados para venda e consumo, informou a agência reguladora.
Medidas da Anvisa e recall voluntário da Nestlé para fórmulas infantis
O ato regulatório determina que distribuidores, varejistas, farmácias e demais pontos de venda efetuem a retirada imediata das unidades afetadas. O descumprimento pode gerar autuações sanitárias. Paralelamente, a Nestlé segue com o recall voluntário, coordenando a logística de devolução junto aos estabelecimentos e disponibilizando canais de atendimento ao consumidor para orientações.
A Anvisa ressalta que a proibição tem caráter temporário e preventivo. A liberação futura depende da conclusão dos testes comprobatórios de ausência da toxina ou da substituição integral dos lotes suspeitos. Enquanto isso, qualquer comercialização constitui infração sanitária.
Recomendações aos pais sobre o uso de fórmulas infantis
Pais, mães e responsáveis devem conferir o número do lote impresso no rótulo, geralmente localizado na parte inferior da lata ou na lateral da embalagem. Caso o código corresponda a um dos listados pela Anvisa, o produto não deve ser utilizado nem oferecido à criança.
Para trocas, reembolso ou outras providências, o consumidor deve contatar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé Brasil, cujo telefone e demais canais constam na própria embalagem. A fabricante orienta a manter em mãos o lote e a data de validade para agilizar o atendimento.
Se a criança tiver ingerido algum produto incluído na resolução e apresentar vômito persistente, episódios de diarreia ou sinais de letargia, a recomendação é buscar atendimento médico imediato, levando a embalagem ou uma amostra da fórmula como informação complementar ao profissional de saúde.
Próximos passos na investigação sobre fórmulas infantis contaminadas
A autoridade sanitária continuará monitorando o recolhimento, analisando amostras remanescentes e inspecionando pontos de venda. A atualização oficial ocorrerá quando a retirada total estiver concluída ou se novos dados exigirem ampliação das medidas. Até lá, a Resolução 32/2026 permanece em vigor como garantia de proteção ao público infantil.

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