Animais que fazem fotossíntese: 6 exemplos comprovados de parceria entre bichos e algas

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Animais que fazem fotossíntese são raridades biológicas que atraem a atenção por subverter a ideia tradicional de que apenas plantas, algas e algumas bactérias conseguem transformar luz solar em energia. Ainda que nenhum animal produza clorofila própria, algumas espécies se tornaram especialistas em “terceirizar” o processo, firmando alianças com organismos fotossintetizantes para sobreviver em ambientes com poucos recursos.
- O que é fotossíntese e por que os animais geralmente não a executam
- Como surgem os animais que fazem fotossíntese por associação simbiótica
- Elysia chlorotica: a lesma-do-mar que rouba cloroplastos
- Ambystoma maculatum: a salamandra que inicia a vida com fotossíntese
- Corais: arquitetos marinhos e animais que fazem fotossíntese com zooxantelas
- Elysia timida: camuflagem folhosa e cleptoplastia no Mar Mediterrâneo
- Esponjas marinhas: parceria ancestral com algas e cianobactérias
- Cassiopea: a água-viva invertida que vive de cabeça para baixo
- Importância ecológica dos animais que fazem fotossíntese
O que é fotossíntese e por que os animais geralmente não a executam
A fotossíntese é um mecanismo bioquímico no qual a radiação solar incide sobre pigmentos, como a clorofila, possibilitando a conversão de água e dióxido de carbono em açúcares que armazenam energia química. Esse processo libera oxigênio como subproduto, contribuindo para a composição atmosférica atual do planeta. Animais, por não possuírem cloroplastos nem estruturas comparáveis às folhas, dependem tradicionalmente da ingestão de matéria orgânica para obter energia. Mesmo assim, a evolução desenvolveu caminhos alternativos para alguns grupos animais, que incorporam cloroplastos “emprestados” ou abrigam micro-algas dentro dos próprios tecidos.
Como surgem os animais que fazem fotossíntese por associação simbiótica
As estratégias variam, mas partem de um princípio comum: a cooperação entre dois organismos com necessidades complementares. O hospedeiro animal cede proteção, abrigo ou substrato, enquanto a alga fotossintetizante fornece moléculas energéticas. Alguns invertebrados vão além e sequestram cloroplastos ativos dos alimentos, incorporando-os ao citoplasma. Outros mantêm algas inteiras em seus ovos ou tecidos corporais, garantindo suprimento constante de oxigênio e nutrientes. A seguir, conheça seis casos documentados que ilustram a engenhosidade desses arranjos.
Elysia chlorotica: a lesma-do-mar que rouba cloroplastos
Popularmente chamada de lesma-do-mar verde, Elysia chlorotica vive em zonas costeiras do Atlântico Norte, abrangendo litorais dos Estados Unidos e do Canadá. Sua coloração verde intensa deriva da presença de cloroplastos funcionais obtidos das algas que compõem sua dieta. Ao ingerir essas algas, a lesma isola os cloroplastos e os mantém ativos em suas células — fenômeno conhecido como cleptoplastia. Graças a essa “engenharia biológica”, o molusco reduz drasticamente a frequência de alimentação, permanecendo semanas utilizando apenas luz solar para complementar suas reservas energéticas.
Ambystoma maculatum: a salamandra que inicia a vida com fotossíntese
A salamandra-pintada (Ambystoma maculatum) habita florestas úmidas da América do Norte. Durante o período reprodutivo, a fêmea deposita ovos em águas paradas, onde ocorre um evento singular: micro-algas infiltram-se na massa gelatinosa que envolve cada embrião. A presença dessas algas garante produção interna de oxigênio e de nutrientes derivados da fotossíntese, fator crucial para o desenvolvimento embrionário. Embora os animais adultos abandonem a parceria fotossintética, a associação nos estágios iniciais demonstra que, entre vertebrados, cooperação desse tipo não está restrita a invertebrados aquáticos.
Corais: arquitetos marinhos e animais que fazem fotossíntese com zooxantelas
Apesar da aparência pétrea, os corais são cnidários coloniais que constroem recifes em águas tropicais rasas. Seu sucesso ecológico depende das zooxantelas, algas microscópicas que vivem no interior dos tecidos do coral. A fotossíntese dessas algas gera açúcares compartilhados com o hospedeiro, que por sua vez fornece abrigo e compostos inorgânicos. A interdependência é tão estreita que o branqueamento — perda das zooxantelas — compromete a sobrevivência de todo o recife, evidenciando a importância dessa colaboração para ecossistemas costeiros inteiros.
Elysia timida: camuflagem folhosa e cleptoplastia no Mar Mediterrâneo
Outra lesma do mesmo gênero, Elysia timida ocorre no Mar Mediterrâneo. Pequena, de corpo suavemente ondulado e coloração que imita folhas, a espécie confunde-se com a vegetação submarina. Essa camuflagem se combina ao hábito de sequestrar cloroplastos das algas ingeridas, mantendo-os ativos em seu corpo. A simbiose indireta reduz a necessidade de alimento externo e amplia as chances de sobrevivência em águas onde recursos orgânicos podem oscilar.
Esponjas marinhas: parceria ancestral com algas e cianobactérias
Pertencentes ao filo Porifera, as esponjas figuram entre os organismos animais mais antigos da Terra. Muitas espécies estabelecem relações estáveis com algas ou cianobactérias fotossintetizantes. Enquanto a esponja fornece um interior poroso ideal à fixação dos microrganismos, eles retribuem produzindo energia a partir da luz solar que penetra a coluna d’água. Esse arranjo coletivo contribui para a estabilidade do ecossistema, já que a esponja filtra grandes volumes de água, retém nutrientes e devolve oxigênio produzido na fotossíntese simbiótica.
Cassiopea: a água-viva invertida que vive de cabeça para baixo
A água-viva conhecida como Cassiopea é encontrada em regiões tropicais e subtropicais, preferencialmente em áreas rasas e tranquilas. O nome “invertida” deriva do hábito de manter o sino voltado para baixo, deixando os tentáculos expostos à luminosidade. Essa postura maximiza a incidência de luz sobre as algas presentes em seus tecidos. Em troca da proteção física oferecida pela medusa, as algas produzem compostos energéticos que sustentam parte das necessidades metabólicas do animal, transformando o corpo da Cassiopea em plataforma viva para a fotossíntese.
Importância ecológica dos animais que fazem fotossíntese
Os seis exemplos apresentados revelam que a fotossíntese, embora executada primordialmente por plantas e algas, também influencia cadeias alimentares animalizadas. Ao incorporar cloroplastos ou conviver com algas internas, essas espécies otimizam recursos em ambientes onde nutrientes orgânicos podem ser escassos. Além disso, as parcerias descritas sustentam ecossistemas inteiros, como recifes de coral, ou garantem o sucesso reprodutivo, caso dos ovos da salamandra-pintada. Essa diversificação de estratégias confirma a plasticidade evolutiva presente na natureza, ampliando as fronteiras do que se entende por relações simbióticas.
Cada caso ilustra uma solução distinta para o mesmo desafio energético, reforçando que a fotossíntese não se limita às plantas e que a cooperação entre seres vivos é um motor constante na história da vida terrestre e marinha.

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