Amizade dos gatos: estudo revela vínculo profundo com donos comparável ao de cães

Amizade dos gatos não é mito nem fruto de percepção afetiva isolada. Um estudo conduzido pela Oregon State University demonstrou que a maioria dos felinos domésticos forma um laço emocional consistente com seus tutores, em padrão equivalente ao registrado em cães e até em bebês humanos.
- Amizade dos gatos e a motivação para o novo estudo
- Metodologia: como os pesquisadores avaliaram a amizade dos gatos
- Resultados principais reforçam a amizade dos gatos com os tutores
- Dois perfis de apego identificados entre gatos domésticos
- Fatores que influenciam o apego felino
- Efeitos imediatos da presença do tutor em ambientes desconhecidos
- Próximos passos na pesquisa sobre comportamento felino
Amizade dos gatos e a motivação para o novo estudo
Muitos proprietários de gatos relatam comportamentos carinhosos, mas a crença popular de que os felinos seriam distantes ainda persiste. Essa discrepância entre senso comum e relatos cotidianos motivou a equipe de pesquisa a examinar, de forma sistemática, se o vínculo observado em casa pode ser medido em ambiente controlado. Ao focar diretamente na amizade dos gatos, os cientistas buscaram compreender se o aparente afeto é resultado de oportunismo alimentar ou se envolve, de fato, apego emocional genuíno.
Metodologia: como os pesquisadores avaliaram a amizade dos gatos
Para chegar às conclusões divulgadas, a equipe aplicou um protocolo dividido em três momentos distintos. Primeiro, o Início do Teste colocou gato e tutor em uma sala nova, isolada de estímulos familiares, permitindo que os especialistas observassem a forma e o ritmo de exploração do animal diante do desconhecido. Em seguida, ocorreu a Fase de Separação: o humano deixou o recinto por dois minutos, tempo suficiente para avaliar sinais de estresse, vocalização ou autonomia do pet. Por fim, a etapa denominada Reação de Reencontro verificou, logo após o retorno do dono, como o gato ajustava seu nível de confiança, se buscava proximidade ou demonstrava comportamento de evitação.
A estrutura em três fases foi fundamental para descartar variáveis externas. O ambiente neutro impediu que odores ou objetos de casa influenciassem a resposta. O intervalo de dois minutos foi padronizado para que todas as observações fossem comparáveis. E, ao final do reencontro, foi possível medir de maneira objetiva se a presença humana atuava como fonte de segurança.
Resultados principais reforçam a amizade dos gatos com os tutores
Os resultados revelaram um cenário claro: gatos não recorrem aos donos apenas para suprir necessidades básicas de alimentação. De acordo com o estudo, quando o tutor está presente, os animais:
• Buscam contato físico imediato, sinalizando necessidade de proximidade;
• Vocalizam mais ao reencontrar o humano após ausência breve;
• Utilizam o tutor como referência para decidir se um objeto ou pessoa desconhecida é confiável;
• Apresentam queda perceptível nos batimentos cardíacos, indicando redução de ansiedade.
Tais indicadores fisiológicos e comportamentais validam que a amizade dos gatos se manifesta em níveis múltiplos, combinando respostas emocionais internas com ações observáveis externamente.
Dois perfis de apego identificados entre gatos domésticos
A pesquisa agrupou as reações em dois grandes tipos de apego, replicando achados clássicos obtidos com bebês humanos e cães:
Apego seguro – Presente em aproximadamente 64 % dos felinos avaliados, caracteriza-se por curta fase de excitação durante o reencontro, seguida de retorno rápido à exploração e à brincadeira. O gato interpreta o tutor como base estável, regulando suas emoções assim que a figura de referência reaparece.
Apego inseguro – Verificado em torno de 36 % dos participantes, envolve padrões como estresse contínuo, demora para se acalmar ou mesmo evasão de contato. A oscilação demonstra que, para essa parcela, a presença humana não basta para restaurar imediatamente a sensação de segurança.
Essa divisão fortalece a analogia entre gatos, cães e crianças, pois os percentuais se alinham aos encontrados em outras espécies quando submetidas a protocolos semelhantes.
Fatores que influenciam o apego felino
O estudo reconheceu que a genética tem peso no temperamento de cada animal, mas destacou a relevância das interações humanas na formação do vínculo. Experiências positivas desde cedo aumentam as chances de o gato classificar o tutor como fonte confiável de conforto. Portanto, ações rotineiras — como manejo gentil, brincadeiras regulares e ambiente previsível — constituem variáveis determinantes para consolidar o apego seguro.
Efeitos imediatos da presença do tutor em ambientes desconhecidos
Uma das constatações mais contundentes envolve a forma como o gato ajusta seu comportamento exploratório. Quando está acompanhado, ele se sente autorizado a investigar o espaço, cheirar objetos inéditos e circular com menos cautela. Em contraste, a ausência do tutor durante os dois minutos de separação desencadeia hesitação, aumento de miados e postura corporal retraída. A volta do humano, porém, restaura a confiança em questão de segundos para a maioria dos animais classificados no grupo de apego seguro.
Próximos passos na pesquisa sobre comportamento felino
Embora o estudo forneça provas robustas de que a amizade dos gatos é comparável à dos cães, os pesquisadores destacam a necessidade de analisar graduações de apego ao longo da vida do animal. Investigações futuras poderão verificar se fatores como envelhecimento, mudanças de residência ou inclusão de novos pets impactam a estabilidade do vínculo identificado.
Com a comprovação de que 64 % dos gatos recorrem ao tutor como base de segurança e que 36 % exibem sinais de apego inseguro, o debate sobre sociabilidade felina passa a contar com métricas claras, sustentadas por observação controlada e análise estatística.

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